Adoptar um estilo de vida saúdavel

Simplicidade e Bom Senso

A australiana Bronnie Ware dedicou parte da sua vida a trabalhar em cuidados paliativos e foi na sequência dessa experiência difícil mas enriquecedora que teve oportunidade de ouvir muitas das últimas reflexões dos seus doentes.
Todos nós, particularmente quem tem filhos a crescer, se confronta com a angústia de por um lado ter que trabalhar (por vezes em trabalhos muito pouco satisfatórios) e por outro desejar dispor de mais tempo para a vida familiar.
O ano novo começa com festa e celebração, para muitos de nós, e fazemo-lo já quase sem reflectirmos no porquê. É espontâneo e habitual, por isso não questionamos. Mas a verdade é que celebrar a chegada de um novo ano é celebrar a oportunidade de recomeçar.
Há muito que penso escrever sobre gratidão, porém não me pareceu até ao momento um tema simples e, afinal, aqui falamos de simplicidade. Mas chegou a altura de o fazer, pois é de “bom senso” e a quadra natalícia pareceu-me o “pretexto” ideal.
No dia 13 de novembro faleceu o poeta brasileiro Manoel de Barros com 97 anos. O facto de um amigo se ter referido ao poeta como tendo tido uma vida feita de amor às pequenas coisas insignificantes deixou-me a pensar naquela que me parece uma das qualidades mais nobres daqueles que sabem viver com grandeza: a simplicidade
Dois anos após a criação da rubrica “Simplicidade e Bom Senso” voltamos a fazer um balanço. Sim, novamente, tal como fizemos há um ano atrás, porque um estilo de vida físico e mentalmente saudável requer que sejamos, permanentemente, capazes de parar e reavaliar o caminho percorrido.
A morte é uma inevitabilidade para todos. Todos o sabemos e todos o dizemos desta ou daquela maneira. Contudo, é duro conceber esta realidade com plena consciência. Olhar de frente para esta ancestral angústia da humanidade é uma tarefa de elevada exigência em termos psíquicos.
“Quem canta seus males espanta!” Cresci a ouvir este ditado popular. A minha avó dizia-mo sempre que me ouvia cantarolar e eram muitas as vezes em que isso acontecia… para espanto dos meus males!
Como seria a sua vida, se pelo menos uma vez por ano, ousasse não fazer planos, não ter expectativas e não controlar nada mais do que o básico? As férias são uma excelente oportunidade para colocar este estilo de vida em prática, mesmo que seja por um curto período de tempo.
Por norma temos tendência a nos apegarmos a tudo o que consideramos agradável ou que nos satisfaz alguma necessidade e a rejeitarmos tudo o que nos parece desagradável ou nos causa sofrimento e é quase inevitável que assim seja pois é-nos muito difícil integrar tudo o que são polos opostos e conseguir uma síntese.
David Kundtz no seu livro «Parar» recorda como é frequente andarmos a correr e com excesso de afazeres, sobretudo quando não queremos pensar ou recordar alguma coisa. Pelo contrário, é frequente pararmos quando nos queremos lembrar de alguma coisa.
A Primavera está a chegar e com ela trás o magnífico sol que tanto nos aquece a alma e o coração! Depois de um Inverno escuro e chuvoso quase nos sentimos em êxtase com a possibilidade de sair para a rua e desfrutar do simples prazer de passear num dia ameno e com um céu radioso. Todos sabemos como o nosso humor melhora e como tudo parece mais ligeiro.