Adoptar um estilo de vida saúdavel

Obesidade: a Epidemia Global do Século XXI

A obesidade é a epidemia global deste século e está comprovadamente associada ao aumento da probabilidade de sofrermos de problemas cardiovasculares, cancro, entre outros.

Todos unidos pela saúde!

A chegada de um novo ano é, invariavelmente, uma oportunidade para nos renovarmos e projectarmos no futuro os nossos maiores anseios. Neste novo ano de 2016 desejemos que a promoção da saúde seja uma missão de todos nós em conjunto e que não seja vista como uma questão individual e da responsabilidade só daqueles que já foram directamente afectados pela doença.

O corpo está preparado para a saúde

A maioria das perturbações orgânicas, incluindo a obesidade, a diabetes e as doenças cardiovasculares deve-se à adoção e permanência de estilos de vida, hábitos, rotinas e comportamentos que, aliados a alguma ignorância e muita ingenuidade, atentam contra o estado de saúde ótimo a que todos temos direito. Muitos dos nossos hábitos, que se instalam por longos anos, são geradores de toxinas orgânicas e toxinas mentais, desequilibrando a energia que sustenta a vida da mais pequenina célula ao órgão mais complexo. Como o corpo tende naturalmente para o equilíbrio (os genes querem que nós vivamos, não porque gostem de nós mas porque precisam do nosso corpo para assegurarem a perpetuação da nossa espécie) acontece que ele tolera muitos dos nossos atentados contra a saúde pelo que é natural sentirmo-nos em muito bom estado, fortes e saudáveis durante anos. Há milhares de doenças nos seres humanos. Por causa de tão sombrio número a probabilidade (teórica) de ficarmos doentes é elevadíssima; não obstante, o nosso sistema imunitário e a natural resistência dos vários órgãos que constituem o corpo permitem-nos manter-nos com um razoável nível de saúde a maior parte da nossa vida. Vários investigadores (médicos e biólogos) consideram perfeitamente viável qualquer pessoa saudável atingir os 100 anos de idade sem incapacitações ou doenças, ou seja, num estado de saúde ótima desde que adote um conjunto básico de hábitos que lhe garanta uma alimentação equilibrada, exercício físico quanto baste e tranquilidade mental e emocional.

Programar a mente para a saúde

Muitas pessoas estão, neste preciso momento, doentes mas ainda não o sabem. Várias enfermidades atacam silenciosamente durante anos sem quaisquer sinais da sua permanência. Em outros casos (talvez a maioria), são as pessoas que, inadvertidamente, estão a promover condições para o aparecimento de doenças e outras mazelas sem que disso tenham, todavia, consciência. Ou se têm, como também acontece, preferem ignorar as advertências e os sinais de alerta porque simplesmente se sentem, por enquanto, bem. A grande maioria das pessoas nasce para viver com saúde. É o estado de equilíbrio para o qual tende a vida. Contrariamente ao que se possa imaginar, os nossos genes desconhecem o envelhecimento e possuem três características que lhes garantem um percurso bem sucedido: têm capacidade para se reproduzirem imensas vezes dando origem a genes idênticos e transmitem-se de geração em geração, até mesmo de espécie em espécie, por enormíssimos períodos de tempo. Devido a esse conjunto de aptidões é que certos genes se mantêm inalterados desde há muitas centenas de milhões de anos, estando distribuídos pelas diferentes espécies de seres vivos. Cada um de nós carrega em si todo um código genético que determina um conjunto de características a que podemos chamar personalidade (aqui entendida como o conjunto de aspetos biológicos, psicológicos e comportamentais que nos diferencia dos demais seres humanos) e que, em boa medida, é responsável pela nossa capacidade de resistência à doença. E isto acontece porque os genes têm como finalidade reproduzirem-se necessitando dos organismos para sobreviverem.  Cumprida essa missão, que resulta na sua transferência (através da fecundação dos hospedeiros) para as gerações seguintes, o nosso envelhecimento é inevitável: a natureza, muito simplesmente, prescinde de nós e resta-nos a morte. Quer isto também dizer que o fim da vida de cada um está programada? Até certo ponto podemos encarar que sim devido aos limites de resistência do nosso organismo ao envelhecimento. Mas isto não é de forma alguma uma programação feita com um grande rigor. E porquê? Porque nós temos também um grande poder sobre a vida! E, por isso mesmo, no que aos nossos genes diz respeito, nem tudo são más notícias. Muitos fatores, como os psicológicos, os  comportamentais, os sociais e os ligados ao meio ambiente em que estamos inseridos, podem influenciar a qualidade de vida e a longevidade do organismo. Assim sendo, resta constatar que nem sempre se morre de velhice só porque os genes assim o estabeleceram. Acidentes à parte, adoece-se e pode-se morrer por razões que nada têm a ver com os fatores genéticos (embora eles também tenham uma palavra a dizer no que diz respeito, por exemplo, à qualidade do sistema imunológico e à sua capacidade de nos defender de doenças). É verdade que os genes “desejam” que os organismos sejam saudáveis e se reproduzam para que eles possam espalhar-se na população mantendo a continuidade da nossa espécie (o mesmo acontece com os outros seres vivos). As muitas centenas de milhões de células dos nossos filhos contêm os genes que lhes transmitimos. Se forem bons terão mais probabilidades de gozarem de melhor saúde, terem filhos e viverem mais tempo. O contrário ditará, mais cedo ou mais tarde, problemas. São os genes os responsáveis, total ou parcialmente, por muitas doenças, malformações e degenerescências. O nosso organismo está envolvido a todo o momento em milhões de processos biológicos de variada natureza. São esses processos que fazem o nosso coração circular o sangue por todo o corpo transportando nutrientes vitais. São eles que nos permitem respirar, que nos fornecem o sono para recuperarmos as energias, que nos facultam aptidões como pensar, imaginar, falar, ver, ouvir e aprender. A lista de recursos e possibilidades que o organismo nos faculta é, de facto, imensa e variada. Permite-nos pois a experiência do viver – algo que poucos, muito poucos, recusarão. É muito estranho aquele tipo de desculpas que algumas pessoas usam para justificar maus hábitos de saúde e que se resume à óbvia e inatacável constatação de que “para morrer basta estar vivo”.  Por exemplo, os viciados em tabaco tendem a defender-se argumentando que há muita gente que é vítima de cancro do pulmão sem nunca ter pegado num cigarro como se isso bastasse para nos convencer de que tudo se resume a uma espécie de lotaria. Também os gulosos, os daquele estilo que só param de comer quando já têm o estômago pronto a rebentar, parecem ter prazer em desafiar os mais comedidos nestas questões de apetite com desculpas do género “não tenho de me preocupar, os resultados das análises que fiz no ano passado estavam excelentes”. Infelizmente, o vício e a gula, tal como a soberba, costumam ter um preço elevado e não se importam de esperar pelos seu efeitos. Mais cedo ou mais tarde chega a hora da verdade e o panorama pode ser tudo menos radioso 10 ou 20 anos depois.

A banalidade do mal: confundir conforto com bem-estar

O “conforto” pode ser perigoso e nada saudável, sobretudo quando o confundimos com “bem-estar”. O autêntico “bem-estar” tem mais a ver com saúde, e, por conseguinte, é algo bem mais seguro e preferível. A filósofa Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal” a tudo aquilo que os humanos podem acostumar-se de bom grado mesmo que, em sua justiça, tenham consciência ou conhecimento de que lhes poderá trazer malefícios (a si mesmos e aos outros). Somos seres de hábitos aprendidos (a maioria daquilo que nos faz ser quem somos é aprendido!) e, como tal, educam-nos e educamo-nos para aderir com grande facilidade às inúmeras situações de conforto que abundam na nossa sociedade. Gostamos de estar confortavelmente sentados (e isso pode ser merecido e perfeitamente justificado) como podemos gostar de alimentos super agradáveis mesmo que sejam completamente artificiais e carregados de aditivos (que provocam dependência). É óbvio que, nestas coisas, a quantidade conta mas isso leva a que, muitas vezes, facilitemos a repetição dos erros (com desculpas ao estilo de “uma só vez não faz mal” e que servem apenas para apaziguar ou enganar a consciência!). Há pessoas que fazem isso durante anos ao ponto da sua vida e o seu aspecto mudarem: engordam, desenvolvem doenças, deformam-se, tornam-se mais lentos e envelhecem mais rapidamente. A esse conforto podem chamar-lhe bem-estar (apenas porque se sentem bem) mas estão errados. Saúde e bem-estar: dois conceitos interligados O verdadeiro bem-estar tem a ver com a saúde. E todo o conforto que atente contra a saúde não é bem-estar. Para que o conforto faça parte do nosso bem-estar temos de ver as coisas de forma mais racional colocando a saúde em primeiro lugar (e não fazer disso um jogo de lotaria, confiando na sorte). Quase todo o conforto moderno contém uma dose perigosa de risco. Não dependerá apenas da dosagem mas da própria natureza e do tipo de confortos a que nos entreguemos. Isso é óbvio. Para irmos mais longe nesta curta reflexão pensemos que o nosso organismo não está adaptado ao estilo de vida actual, de que fazem parte, por exemplo, os alimentos processados industrialmente e onde impera, entre outros venenos, o açúcar refinado. Somos seres vivos preparados para ambientes completamente diferentes daqueles em que, provavelmente, viveremos toda a nossa vida. E não será nos próximos tempos que a evolução biológica (que é lenta) vai tornar-nos aptos para o mundo moderno. Basta pensar que embora tenhamos aumentado a esperança de vida (devido, sobretudo, a mais higiene e melhores medicinas) surgiram inúmeras doenças de incompatibilidade que antigamente eram mais raras com a diabetes tipo 2, certos cancros como o do cólon, a osteoporose, doenças cardíacas, obesidade mórbida, entre outras. Para contrariar as duas horas que estive aqui sentado a trabalhar, vou dar uma caminhada. [fonte] Créditos da imagem: http://www.mirror.co.uk/news/technology-science/the-obesity-epidemic—whats-going-255260 [/fonte]

Ligue os seus “botões mentais”

O desenvolvimento da nossa personalidade no sentido da “excelência” ou da “otimização” da pessoa que somos e de como tomamos decisões e nos comportamos está muito dependente da nossa vontade. Muitas vezes temos perfeita consciência de que há aspetos em que poderemos francamente melhorar mas vamos adiando a hora de iniciarmos uma mudança efetiva. É praticamente como deixar um vício: vamos sucessivamente adiando para amanhã…. num eterno adiar. Infelizmente, até na prevenção da saúde isso acontece. O segredo talvez esteja em começarmos por pequenas operações que, a pouco e pouco, se vão-enraizando na nossa mente, estabelecendo novas configurações. Na verdade, é um processo de aprendizagem e, como tal, a melhor maneira de o fazermos é definir metas alcançáveis e introduzindo pequenas estratégias. O cérebro é nosso amigo! Afinal, ele é nosso. É nele que temos “guardadas” coisas como a nossa autoconsciência (a consciência de quem somos), a nossa memória, os nossos saberes, as nossas emoções e tudo o mais que nos permite viver plenamente! Iniciar a Mudança O investigador Ken Robinson lançou, em 2009, o livro que levaria o título de “O Elemento” na edição portuguesa (2010). Ele chama de “elemento” o ponto onde a nossa aptidão natural e a paixão pessoal se encontram. As pessoas que conseguem estar no seu “elemento” são levadas para além das experiências comuns de prazer e felicidade. Diz o autor: «quando entramos no nosso “elemento”, ligamo-nos a algo fundamental para a nossa identidade, o nosso desígnio e o nosso bem-estar. Recebemos um sentido de auto-revelação, compreendemos quem realmente somos e o que é suposto fazermos das nossas vidas». Todo o caminho de mudança passa pela conjugação de três verbos: ter, adorar e querer. “Ter” é a capacidade para fazer algo. Envolve os nossos recursos como a inteligência, a motivação, a capacidade de realizar algo, um talento ou um saber. “Adorar” é aplicar outra capacidade: a de gostar muito de algo que pode fazer-nos felizes, como o próprio desejo de crescimento pessoal. Está ligada à motivação e ao prazer de conseguirmos algo porque nos apaixonamos por ela. Finalmente, o “querer” afeta o nosso carácter, a autoestima, a perceção que temos de nós mesmo e dos outros, bem como as expetativas deles em relação a nós. Os “Botões Mentais” Imagine que temos uns botões mentais em que podemos mexer. É assim que eu faço quando quero mudar algo em mim. Tenho o “botão da saúde”, o “botão das emoções”, etc. Poderá parecer muito racional, mas não é. É uma questão de auto-disciplina pois a nossa mente é um bocado caótica se não a organizarmos. Eis os principais botões: Competências > traduz a capacidade da pessoa para lidar com os desafios e obrigações da vida e que lhe permitam ser autónomo. Envolve variáveis de tipo cognitivo, emocional e social. Com elas valorizamo-nos! Cognição > diz respeito às atividades do pensamento, do raciocínio, da perceção, da memória, da aprendizagem, da criatividade e da inteligência, entre outras. Com ela podemos desenvolver ainda mais o nosso “poder mental”! Sabedoria > forma de conhecimento extenso que depende da experiência de vida, envolvendo alguma combinação entre inteligência e criatividade, e que permite obter um discernimento pragmático sobre os problemas e situações do dia-a-dia e/ou profissionais e sociais. É mais do que simplesmente “conhecer” e torna a pessoa cativante! Saúde > estado geral do indivíduo e que está associado à noção de bem-estar. É fundamental para que a nossa vida siga reforçada por um bom funcionamento do organismo! Satisfação de Vida > avaliação que permite às pessoas refletir sobre as discrepâncias percebidas entre as aspirações e a realizações conseguidas. Bem-estar Psicológico > sentimento de satisfação que envolve a autoestima, o ânimo, o equilíbrio afetivo, a autoimagem e outras dimensões. É determinante!

Dois anos de ‘Simplicidade e Bom Senso’

Dois anos após a criação da rubrica “Simplicidade e Bom Senso” voltamos a fazer um balanço. Sim, novamente, tal como fizemos há um ano atrás, porque um estilo de vida físico e mentalmente saudável requer que sejamos, permanentemente, capazes de parar e reavaliar o caminho percorrido.

Nova Rubrica “Notas de Euston”

O ano de 2014 será um ano importante para o Stop Cancer Portugal. Algumas novidades estão a ser preparadas e serão apresentadas a curto prazo. Uma delas é já divulgada neste post.

Stop Cancer Portugal celebra 4 anos

O Stop Cancer Portugal é um projeto de voluntariado, pro bono, realizado por uma dúzia de portugueses que acreditam ser possível prevenir o cancro adotando hábitos de vida saudável.