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Toque afetivo: o papel de beijos, abraços e das festas

toque afetivo

Porque é que um beijo, um abraço ou simplesmente uma festa podem saber tão bem? Neste texto exploramos o que a investigação nos diz sobre estas ações a que chama de toque afetivo.

O que é o toque afetivo?

Pegar num objeto ou segurar a mão de alguém de quem gostamos é bastante diferente. As interações que envolvam um toque lento percebido como prazeroso e agradável a nível de temperatura e pressão, aos quais comumente nos referimos como mimos, são consideradas toque afetivo. A teoria da vinculação defende que as pessoas nascem com uma necessidade de conexão social e o toque afetivo é uma forma de afirmá-la.

É através do toque afetivo que os cuidadores proporcionam conforto, tranquilidade e ajudam o bebé a regular-se em momentos que ameaçam o seu bem-estar (e.g., fome, dor). Se prestarmos atenção ao nosso dia-a-dia percebemos que o mesmo acontece entre os adultos e não só com bebés e crianças. Por exemplo, é possível certamente recordarmo-nos de alguma situação em que abraçamos um familiar ou amigo que estava mais em baixo.

O significado

A nossa cultura, história pessoal, a pessoa de quem vem, assim como a circunstância em que surge determina o significado que retiramos do toque afetivo. Este pode ser interpretado como uma chamada de atenção, uma forma de autorregulação emocional, uma tentativa de conciliação ou sedução, entre outros. Facilmente percebemos que um abraço de um de um parceiro se distingue de um abraço de um desconhecido. De forma consensual a investigação aponta para que em todas as culturas os beijos, os abraços e as festas são mais prevalentes entre parceiros e progenitores e filhos, denotando um significado transversal de proximidade.

Benefícios

As investigações sobre o toque afetivo em humanos e animais têm mostrado resultados positivos para a saúde física e mental. Especificamente tem-se vindo a perceber que o toque afetivo pode:

  • Diminuir sentimentos de solidão
  • Aumentar a procura de suporte social
  • Produzir reações em zonas cerebrais associadas a emoções agradáveis e à sensação de recompensa
  • Reduzir sintomas de stress, como o batimento cardíaco e níveis de cortisol
  • Diminuir a perceção de dor

Fica o convite a para dar mais mimos, lembrando sempre que para que o toque seja considerado afetivo é preciso que o outro o sinta como prazeroso.

Referências: Ellingsen, D. M., Leknes, S., Løseth, G., Wessberg, J., & Olausson, H. (2016). The neurobiology shaping affective touch: expectation, motivation, and meaning in the multisensory context. Frontiers in Psychology, 6, 1986. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2015.01986 ; Kidd, T., Devine, S. L., & Walker, S. C. (2022). Affective touch and regulation of stress responses. Health Psychology Review, 1-18.https://doi.org/10.1080/17437199.2022.2143854; Von Mohr, M., Kirsch, L. P., & Fotopoulou, A.. (2017). The soothing function of touch: affective touch reduces feelings of social exclusion. Scientific Reports, 7(1). https://doi.org/10.1038/s41598-017-13355-7
Fotografia por Tani Eisenstein no Unsplash
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