Trigo-sarraceno: energia livre de glúten

Trigo-sarraceno ou trigo-mourisco é um pseudocereal tal como a quinoa, o millet e o bulgur. O seu nome suscita muitas questões e há mesmo quem pense que ele é semelhante ao vulgar trigo, mas o trigo-sarraceno de idêntico só o nome, nada tem a ver com o cereal, principalmente por não conter glúten. Os pseudocereais são plantas dicotiledóneas e não monocotiledónea como os cereais, no entanto são sementes ricas em amido o que faz que apresentem características destes.

As sementes do trigo-sarraceno têm a forma de uma pirâmide de cor verde-claro a branco. Na sua composição nutricional encontramos proteínas vegetais (13,3 gramas por 100 g) sendo as de maior expressão a globulina (4,3 g / 100), a glutelina (2,3 g / 100 g) e a albumina (1,8 g/100). Quanto aos hidratos de carbono (71,5 gramas por 100 gramas), o amido é o que ocupa a maior porção neste pseudocereal, acompanhado por 10 gramas de fibras dietéticas, na sua maioria fibras solúveis, tão importantes no bom funcionamento do sistema gastrointestinal.

Na composição em micronutrientes deste alimento por 100 gramas, sobressai a vitamina B3 (niacina) com 7 mg, a vitamina B2 (riboflavina) com 0,43 mg e a vitamina B1 (tiamina) com 0,1 mg, e há ainda alguns minerais como o potássio (460 mg), o fósforo (347 mg) e o magnésio (231 mg).

O trigo-sarraceno é o único pseudocereal que contém rutina – um flavonoide, além de se encontrarem outros compostos fenólicos como a quercetina, substâncias fitoquímicas com capacidades antioxidante, anti-inflamatória e antialérgica.

Há diferentes maneiras de consumir trigo-sarraceno. Pense nele como se fosse arroz e confeccione da mesma forma, isto é para uma chávena de sarraceno, duas medidas e meia de água, adicionando os temperos e alimentos que desejar, tal como faz com os grãos de arroz. Também pode experimentá-lo para enriquecer saladas frias em dias de calor.

Além das sementes pode consumir o trigo-sarraceno em farinha. Faça com ele umas deliciosas panquecas ou um pão sem glúten, que pode ser muito útil às pessoas com doença celíaca.

Referências: Ahamed, A. et al. ( 2013) Phytochemicals and biofunctional properties of buckwheat: a review. Journal of Agricultural Science (2014), 152, 349–369. Zhang, Z. et al. (2012). Bioactive compounds in fuctional buckwheat food. Food Research International 49 (2012) 389–395. Oomah, B. and Mazza, G. (1996). Flavonoids and antioxidative activities in buckweat. J. Agric. Food Chem. 1996, 44, 1746-1750. Pseudocereais como Ingredientes de Formulações Destinadas a uma Alimentação Especial. Tese de candidatura ao grau de Doutoramento em Nutrição Clínica Faculdade Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. National Nutrient Database for Standard Reference. Acedido em 25 de maio de 2019 no website do United States Department of Agriculture , Agricultural Research Service : https://ndb.nal.usda.gov/ndb/foods/show/20008?fgcd=&manu=&format=&count=&max=25&offset=&sort=default&order=asc&qlookup=Buckwheat&ds=&qt=&qp=&qa=&qn=&q=&ing=;Créditos da imagem: Catarina Santos

Catarina Santos

Catarina Santos, natural de Alpedrinha (Fundão), é licenciada em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar (ESACB-2012) e em Dietética (ESSLei – 2016). Atualmente é nutricionista estagiária à Ordem dos Nutricionistas (2588NE). Interessa-se pela área da Educação Alimentar e da Promoção da (...)