Mortes por tabaco: previsão aponta para aumento global

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O tabaco matou aproximadamente 100 milhões de pessoas no século XX por cancro do pulmão e por outras doenças e irá matar 1 bilião neste século, a menos que se reúnam esforços, por todo o mundo, para reduzir o hábito de fumar.

Um artigo de revisão na revista New England Journal of Medicine descreve quais são os efeitos do fumo, o que acontece quando se deixa de fumar, e de como o simples aumento do preço do tabaco pode ser um dos métodos mais eficazes para reduzir a mortalidade relacionada com o tabaco nas próximas décadas.

Dois investigadores, Prabhat Jha​​, da Universidade de Toronto, e Richard Peto, da Universidade de Oxford no Reino Unido, afirmam que “o tabaco é a maior causa externa de doenças não transmissíveis e é responsável por mais mortes do que a obesidade, nos países desenvolvidos”. A Organização Mundial da Saúde apela para uma redução da prevalência do tabagismo em 1/3 até 2025; se atingida, esta meta evitará mais de 200 milhões de mortes por tabaco, ao longo deste século.

Embora o tabagismo tenha diminuído nos países desenvolvidos, continua a ter uma aceitação significativa em todo o mundo. Em termos globais, estima-se que cerca de 50% dos jovens e cerca de 10% das mulheres jovens tornam-se fumadores, comparativamente com um número relativamente pequeno dos que decidem deixar de fumar. Devido a isso, prevê-se que os 5 milhões de mortes causadas pelo tabaco em 2010 vão saltar para mais de 10 milhões em apenas algumas décadas.

O aumento dos preços e dos impostos sobre consumo dos cigarros tem sido considerado o melhor método para reduzir o tabagismo: um aumento de 50% no preço do tabaco leva a uma queda de 20% no consumo, não só nos países desenvolvidos mas também nos países em vias de desenvolvimento, confirma um relatório do Centro Internacional de Investigação do Cancro. Ainda segundo o relatório “os impostos mais altos são particularmente eficazes nos grupos mais pobres ou menos educados e ajuda a evitar que os jovens que experimentam fumar se tornem fumadores regulares”.

Os grandes aumentos de impostos podem produzir resultados extremamente rápidos. Os Estados Unidos e o Reino Unido levaram mais de 30 anos para atingir uma redução do consumo do tabaco para metade nos adultos. A França e a África do Sul, por sua vez, precisaram de metade desse tempo para alcançar o mesmo resultado, graças a um grande aumento de impostos. “Sem grandes aumentos nos preços, a redução do tabagismo em 1/3 será difícil de alcançar”, afirmam os autores do relatório.

Entre outras intervenções eficazes que podem ajudar na redução do consumo do tabaco encontram-se a proibição da publicidade, a embalagem sem marca, os programas de cessação tabágica e de ajuda. A proibição da publicidade televisiva nos Estados Unidos e no Reino Unido correspondeu a uma grande queda nas vendas de cigarros, mas o marketing do tabaco ainda é um negócio de 8,6 bilhões dólares, por ano, nos Estados Unidos.

A Austrália introduziu uma embalagem genérica de cigarros em 2011, que continha apenas uma pequena menção ao nome da marca no pacote. Há evidência de que esta iniciativa pode contribuir para aumentar as tentativas de cessação, e a Nova Zelândia, em breve, seguirá o exemplo.

Mas incentivar à cessação tabágica é, claramente, uma estratégia importante. Os indivíduos que começam a fumar cedo mas param aos 30, 40 ou 50 anos, a expectativa de vida aumenta em 10, 9 e 6 anos, respetivamente.

Texto adaptado de Cancer Network em http://www.cancernetwork.com/lung-cancer/deaths-smoking-slated-jump-globally-without-major-interventions

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