Aceitação e Simplicidade I

imagemA doença seja ela física ou mental, afectando-nos a nós ou a alguém próximo, pode ser uma importante oportunidade de aprendizagem, já tem sido dito. Na minha caminhada pela vida essa oportunidade surgiu como um convite à permanente reflexão e síntese do que é essencial. Por isso tenho tentado trazer na minha “bagagem”: Aceitação e Simplicidade!

Assim, tento ter sempre presente que apesar da nossa natural tendência para agir sobre a realidade, querendo transformá-la naquilo que nos parece ser o melhor, por vezes é necessário ter a lucidez de perceber que nada há para transformar e que só nos “curamos” a partir do momento em que aceitamos a nossa condição.

Não falo contudo de conformismo, ou de apatia quando falo de aceitação, mas sim de uma rendição apenas perante aquilo que nos ultrapassa verdadeiramente. Falo da capacidade de perceber quando estamos a lutar contra moinhos de vento e experimentar a partir daí uma imensa liberdade e tranquilidade, que nos deixa energia para travar as lutas que verdadeiramente importam. E perceber o que nos importa leva-nos a viver com simplicidade, assim como acontece quando deitamos fora os objectos que descobrimos que afinal não nos fazem falta nenhuma, apesar de os guardarmos uma vida inteira ou quando percebemos que mesmo quando dizemos adeus a alguém querido nunca há uma verdadeira despedida.

Viver com simplicidade é dispormo-nos a “limpar” constantemente a nossa casa, a nossa mente, a nossa alma de tudo quanto é redundante. É dispormo-nos a perguntar constantemente o que nos faz, verdadeiramente, falta. Tenho descoberto com alegria que é muito pouco o que precisamos de trazer na “bagagem”, quando caminhamos pela vida.

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Rita Rosado

Rita Rosado nasceu em 1974 no Barreiro apesar de viver actualmente numa aldeia do Concelho de Tomar com a sua família. Licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa em 1997, é membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugu (...)