O poder da gratidão

A gratidão é um sentimento de apreciação por algo que recebemos. Senti-la parece trazer benefícios para o bem-estar psicológico e a integração social do ser humano. Neste artigo tentamos explicar o que é a gratidão, o poder da gratidão nos efeitos que pode surtir e exploramos formas de evocá-la.

Gratidão: o que é?

A gratidão é um sentimento agradável evocado por algo que recebemos, seja tangível (por exemplo, um abraço, ou um objeto) ou intangível (por exemplo, recebermos ajuda para montar um móvel). Tipicamente sentimos gratidão quando aquilo que recebemos vem colmatar uma necessidade pessoal importante e consideramos um esforço voluntário da parte de quem o dá ou faz (seja uma pessoa, um Deus ou outra entidade superior). Consequentemente, percebemos quem está atento a nós e em que relações queremos investir.

Quais os seus efeitos?

Várias práticas religiosas e espirituais promovem o exercício da gratidão há milhares de anos. Apesar de ser promovida há muito tempo, só recentemente é que se começaram a realizar estudos de neuroimagem sobre os efeitos da gratidão no sistema nervoso. Estes mostram que a gratidão ativa regiões cerebrais associadas a emoções positivas e à representação de valor.

A nível psicológico, a investigação sugere que agradecer faz com que a pessoa ancore o seu pensamento no presente e naquilo que é positivo na sua vida. Assim, pessoas que se sentem gratas tendem a não preservar o seu pensamento no passado, algo característico da depressão. Adicionalmente, as pessoas mais gratas parecem sentir menos emoções desagradáveis, como a inveja ou a raiva.

A nível social, a gratidão pode ser considerada um catalisador de comportamentos pró-sociais. Sentir gratidão parece gerar vontade de retribuir a quem evocou esse sentimento. Esta pode ser uma forma de criar uma rede de suporte social.

Como evocá-la?

Para que tal aconteça, podemos:

  • Identificar elementos-chave para o nosso bem-estar em momentos desafiantes que facilitaram a nossa experiência
  • Identificar elementos-chave na nossa rotina cuja ausência teria um impacto negativo significativo na nossa vida
  • Listar numa folha ou registar numa expressão artística (por exemplo, um poema, um desenho) aquilo pelo qual nos sentimos gratos
  • Partilhar com pessoas aquilo pelo qual nos sentimos gratos
  • Agradecer a quem lhe fez algo, pelo qual está grato
  • Retribuir a quem fez ou deu algo, pelo qual está grato

A gratidão sinaliza aquilo que tem um valor significativo na nossa vida. Este sentimento pode trazer benefícios para a nossa saúde e bem-estar dos outros. Pequenas e simples práticas permitem que a gratidão esteja mais presente no nosso dia-a-dia. Desafie-se a fazê-las e perceba de que forma consegue sentir o poder da gratidão!

Referências: Fox, G. R., Kaplan, J., Damasio, H., & Damasio, A. (2015). Neural correlates of gratitude. Frontiers in Psychology6, 1491. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2015.0149 ; Mccullough, M. E., Kimeldorf, M. B., & Cohen, A. D. (2008). An Adaptation for Altruism. Current Directions in Psychological Science17(4), 281–285. https://doi.org/10.1111/j.1467-8721.2008.00590.x; Yu, H., Gao, X., Zhou, Y., & Zhou, X.. (2018). Decomposing Gratitude: Representation and Integration of Cognitive Antecedents of Gratitude in the Brain. The Journal of Neuroscience38(21), 4886–4898. https://doi.org/10.1523/jneurosci.2944-17.2018; Fotografia por Miguel Bautista no Unsplash

Carolina Blom é psicóloga (Nº OPP: 25152), mestre em Psicologia com especialização em Clínica e Saúde pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa. Atualmente é estudante de doutoramento na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, onde investiga sobre a qualidade de vida do cuidador informal da pessoa com doença oncológica. No seu percurso académico e profissional trabalhou com adultos maiores institucionalizados, estudantes do 1º ciclo, encarregados de educação, professores e auxiliares e crianças e jovens em risco. O seu interesse na prestação de cuidados às pessoas com doença oncológica despertou durante a experiência enquanto voluntária no acompanhamento de doentes e das suas famílias e, posteriormente, pela experiência pessoal enquanto cuidadora informal. Usa o novo acordo ortográfico. Carolina Blom is a psychologist (License Nr: 25152) and has a master’s degree in Psychology with a specialization in Clinical and Health from the Faculty of Education and Psychology of the Catholic University of Portugal. Currently, she is a PhD student at the Faculty of Psychology and Educational Sciences of the University of Porto, where she researches about the quality of life of the informal cancer caregiver. In her academic and professional path, she worked with older adults, primary school students, teachers, educators, and children and young people at risk. Her interest in cancer caregiving arose during her experience as a volunteer in the care of patients and their families and later through her personal experience as an informal caregiver.