Sistema Auditivo periférico: aspetos da sua anatomia e fisiologia

O ouvido humano é o órgão que nos permite perceber sons, numa gama de frequências que variam entre 16 Hz e 20 kHz e intensidades entre 0 dB e 130 dB. O sistema auditivo divide-se em sistema auditivo periférico, composto pelo ouvido externo, médio e interno e sistema auditivo central, formado pelo nervo auditivo e pelo córtex auditivo.

O ouvido externo é constituído pelo pavilhão auricular e pelo canal auditivo externo. A pele do canal contém glândulas sebáceas e glândulas ceruminosas, que produzem cerúmen, para proteção do seu epitélio.

A energia sonora é captada pelo pavilhão auricular, conduzida pelo canal auditivo externo até à membrana timpânica, onde é transformada em energia mecânica, que por sua vez, é comunicada aos ossículos do ouvido médio.

O ouvido médio é uma cavidade, que engloba a cadeia ossicular (martelo, bigorna e estribo), seis ligamentos (que ligam os ossículos às paredes da cavidade), dois músculos (o tensor do tímpano, que se insere no martelo, e o estapediano ligado ao estribo), respetivos tendões e uma porção do nervo facial. Esta cavidade está limitada por seis paredes:

1) A parede externa, onde se insere a membrana timpânica, separa o ouvido externo do ouvido médio. Esta membrana tem uma área aproximada de 85 mm2.

2) A parede interna separa o ouvido médio do ouvido interno. Nela está inserida a janela oval.

3) A parede superior separa o ouvido médio da cavidade craniana.

4) A parede inferior forma a base da cavidade, abaixo da qual se encontram a fossa jugular e o golfo da veia jugular.

5) A parede posterior, é formada por cavidades mastóideas, que funcionam como reservatórios de ar, permitindo a sua circulação dentro do ouvido medio.

6) A parede anterior comunica com a rinofaringe pela trompa de Eustáquio. Esta tem três funções principais: a proteção do ouvido médio de agressões bacterianas e sua ventilação e drenagem.

Devido à anatomia dos ossículos, estes têm uma função de amplificação do som. A vibração provocada pelo martelo e bigorna fazem mover o estribo (osso mais pequeno do corpo humano). Esta informação é comunicada, através da janela oval, ao ouvido interno.

O ouvido interno é constituído por uma zona anterior, constituída pela cóclea, responsável pela audição e uma zona posterior, formada pelo vestíbulo e três canais semicirculares, responsáveis pelo equilíbrio.

As diferentes frequências do som são detetadas ao longo da cóclea, sendo que as frequências mais agudas estão mais perto da janela oval e as mais graves são detetadas no seu ápice.

O interior da cóclea está dividido em três secções: rampa vestibular, rampa timpânica e rampa média.

A vestibular, recebe as vibrações da base do estribo e é preenchida por perilinfa.

A timpânica, também preenchida por perilinfa, é conectada com a rampa vestibular pelo helicotrema (localizado no ápice da cóclea) e termina na janela redonda.

A média (ou canal coclear) está entre a rampa vestibular e a rampa timpânica e está preenchida por endolinfa. Esta rampa tem duas fronteiras: membrana de Reissner que separa a rampa vestibular da rampa média e a membrana basilar que separa a rampa média da rampa timpânica. A parte mais importante da cóclea é o órgão de Corti (órgão da audição), assente na membrana basilar, formado por células ciliadas internas, externas e de suporte. No seu percurso, a deslocação da perilinfa faz vibrar a membrana basilar e as células sensoriais do órgão de Corti, transmitindo esta informação às fibras do nervo coclear em forma de impulsos elétricos.  Este órgão tem duas funções: converter a energia mecânica em energia eletroquímica e enviar ao cérebro estes sinais codificados contendo todas as informações sobre o som em causa (frequência, intensidade e timbre).

Referência: Gentil, F. Estudo biomecânico do ouvido médio. Capitulo 2 – Anatomia  e fisiologia do ouvido, 2008, Tese de Doutoramento, FEUP.; Créditos de imagem: http://blogs.nature.com/spoonful/2012/07/gene-therapy-to-restore-hearing-sounds-closer-to-reality-after-success-in-deaf-born-mice.html

Fernanda Gentil é Audiologista na Clínica ORL Dr. Eurico Almeida e Coordenadora da Widex Centros Auditivos – Porto. Licenciada em matemática aplicada – ramo de ciência de computadores, pela FCUP. Professora Adjunta do curso de Audiologia, na ESS do Porto. PhD em Ciências de Engenharia pela FEUP. Investigadora e orientadora de teses de Mestrado e Doutoramento, na FEUP. Os seus principais interesses relacionam-se com a Audiologia e Reabilitação Auditiva, assim como simulações matemáticas de modelos computacionais do ouvido. Fernanda Gentil is Audiologist at the ORL Clinic Dr. Eurico Almeida and Coordinator of Widex-Porto. Degree in Applied Mathematics - Computer Science, FCUP. Audiology Professor at ESS, Porto. PhD in Engineering Sciences, FEUP. Researcher and advisor of Master's and PhD theses at FEUP. His main interests are related to Audiology and Auditory Rehabilitation, as well as mathematical simulations of computational models of the ear.