Proteção auditiva na prevenção da surdez

A surdez provocada por ruído é irreversível e normalmente está associada a distorções e má discriminação verbal. O risco de dano depende de alguns fatores, como a intensidade, o tempo de exposição aos sons, os períodos de descanso auditivo entre exposições e, ainda, a própria suscetibilidade individual.

O ouvido humano consegue ouvir sons de 0 dB a 130 dB. Como exemplos, temos um sussurro que pode corresponder a 30 dB; a conversação normal a 60 dB; tráfico rodoviário pode variar de 70 a 85 dB; uma mota, 90 dB; um avião a levantar voo, 120 dB. Ruídos superiores a 140 dB danificam permanentemente a audição. As células ciliadas da cóclea (ouvido interno) começam a ficar danificadas pelo ruído, acima dos 85 dB. Isto pode resultar numa perda auditiva temporária, ou permanente dependendo do tempo de exposição.

O termo usado para descrever a redução de ruído é atenuação, e pode variar entre 10 e 32 dB.  A melhor forma para minimizar os riscos associados à exposição sonora é a utilização de protetores de ruído.  Os mais funcionais são os protetores com filtros, feitos por medida, por se ajustarem melhor ao canal auditivo externo. Estes protetores fornecem uma atenuação para diferentes frequências, normalmente nas mais altas, que são potencialmente as mais prejudiciais (4-8kHz). Existem protetores com diferentes filtros acústicos adequados a diversas atividades (músicos, técnicos de som, pilotos, trabalhadores da construção civil ou fábricas). Estes equipamentos protegem dos efeitos nocivos dos sons altos, preservando a qualidade sonora.

Na sequência destes dados, referimos, ainda, 5 medidas preventivas para a perda auditiva:

1) Evitar ruídos altos: a exposição a ruídos altos é uma das principais causas de surdez permanente e de zumbido. Esta perda pode ser evitada se forem utilizados protetores adequados. Para proteger a audição em eventos barulhentos (como bares ou discotecas) as pessoas devem ficar afastadas das fontes de ruídos altos (como altifalantes), fazendo pausas do barulho e usando protetores.

2) Uso adequado dos auriculares: ouvir música alta através de auriculares é um dos maiores perigos para a audição. O volume total pode atingir 100 a 110 dB. Para minimizar o dano, devem ser usados auriculares com cancelamento de ruído e não mais do que 60% do volume máximo. Devem ser feitas pausas de pelo menos 5 minutos a cada hora.

3) Proteção no trabalho: normalmente, passam-se longos períodos de tempo em trabalhos de exposição a ruído. Nestas situações, o uso de protetores de ruído é obrigatório. Qualquer som acima de 85 dB pode ser prejudicial, especialmente se a exposição for por um longo período de tempo (até oito horas por dia). Para cada aumento de 3 dB ao nível de ruído, o tempo de exposição permitido é reduzido para metade. Se o nível de exposição aumentar para 88 dB, a exposição recomendada é de quatro horas; 91 dB, 2 horas; para 100 dB apenas 15 minutos. Para sons de 110-120dB, mesmo um tempo de exposição muito curto pode causar danos auditivos.

4) Uso de protetores de água: no sentido de prevenir eventuais infeções do ouvido, resultantes do contacto frequente com a água, as crianças, em particular, devem usar estes protetores.

5) Realização de testes auditivos regulares: As pessoas expostas a ruído excessivo devem fazer avaliações auditivas periódicas, dado que correm um maior risco de surdez. Esta avaliação permite uma intervenção mais precoce de reabilitação auditiva.

Referências:“Understanding Noise Exposure Limits: Occupational vs. General Environmental Noise”. NIOSH Science Blog. Centers for Disease Control and Prevention; Créditos de imagem: http://www.ouvidonarizegarganta.org.br/index.php/2013/03/papel-da-audicao-desenvolvimento-humano/

Fernanda Gentil

Fernanda Gentil é Audiologista na Clínica ORL Dr. Eurico Almeida e Coordenadora da Widex Centros Auditivos – Porto. Licenciada em matemática aplicada – ramo de ciência de computadores, pela FCUP. Professora Adjunta do curso de Audiologia, na ESS do Porto. PhD em Ciências de Engenharia pel (...)