Alimentos de origem vegetal e as doenças crónicas

O consumo elevado de alimentos de origem vegetal parece trazer vantagens na prevenção de diversas doenças crónicas. A obesidade e o excesso de peso são fatores de risco para estas doenças. Por isso, poderá uma dieta vegetariana ajudar a preveni-las?

Alguns estudos propuseram-se a analisar esta relação e verificaram que as pessoas que adotaram uma dieta vegetariana tinham tendencialmente um índice de massa corporal (IMC) mais baixo e as pessoas que seguiam dietas vegetarianas/veganas, perdiam mais peso que pessoas a seguir dietas não vegetarianas. Verificaram também que a diferença de peso entre os dois grupos diminuía ao longo do tempo.

Os benefícios das dietas vegetarianas são associados à elevada ingestão de cereais integrais, fruta e vegetais, o que se traduz numa elevada ingestão de fibra, vitaminas, minerais, compostos fitoquímicos e antioxidantes.

Outros padrões alimentares caracterizados pela elevada ingestão de alimentos de origem vegetal, como é o caso da dieta mediterrânica, também já mostraram extensamente benefícios na prevenção de diversas doenças crónicas. Parece assim que os benefícios se encontram na elevada ingestão de alimentos de origem vegetal, independentemente do padrão alimentar em que se enquadra.

As conclusões destes estudos mostraram que as dietas vegetarianas podem trazer vantagens. É no entanto, importante reforçar que os benefícios surgem quando as dietas são bem planeadas, assegurando as necessidades nutricionais individuais e associadas a estilos de vida saudáveis.

Uma dieta vegetariana com ingestão elevada de alimentos processados, mesmo que “aptos para vegetarianos”, poderá contribuir para a elevada ingestão de alimentos com um perfil nutricional menos interessante, anulando os seus benefícios.

Para aprofundar um pouco mais a leitura sobre o padrão alimentar vegetariano, leia o artigo que publicámos em janeiro.

Referências: Huang RY, et al.Vegetarian Diets and Weight Reduction: a Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials.J Gen Intern Med. 2016 Jan;31(1):109-16. Dinu, M, et al. Mediterranean diet and multiple health outcomes: an umbrella review of meta-analyses of observational studies and randomised trials.Eur J Clin Nutr. 2018 Jan;72(1):30-43. Dinu, M, et al. Vegetarian, vegan diets and multiple health outcomes: A systematic review with meta-analysis of observational studies.Crit Rev Food Sci Nutr. 2017 Nov 22;57(17):3640-3649. DGS. PNPAS. Linhas de Orientação para uma Alimentação Vegetariana Saudável, 2015 

Inês Almada Correia, nutricionista (3684N), pós-graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa, frequenta o mestrado em Bioquímica Médica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em atividades, tais como workshops sobre alimentação direcionados a doentes hemato-oncológicos. Tem como atuais áreas de interesse e pesquisa a nutrição em oncologia, atividade física em doentes oncológicos e alterações de estilo de vida após o diagnóstico. Inês Almada Correia, nutricionista, has a post-graduate course in Nutrition in Oncology by Universidade Católica Portuguesa and is taking a masters degree in Medical Biochemistry by Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa. Has participated in projects with Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), such as food and nutrition workshops for hemato-oncologic patients. Her main research interests are nutrition in oncology, physical activity in cancer patients and lifestyle changes after diagnosis.