Café: de “possivelmente cancerígeno” a uma bebida saudável

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O café é uma das bebidas mais apreciadas em todo o mundo. Em junho de 2016 deixou de ser classificado como “possivelmente cancerígeno” para a saúde humana para passar a ser uma bebida com benefícios para a saúde.

Foi em 1991 que a Organização Mundial de Saúde (OMS), através da Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC), classificou o café como “possivelmente cancerígeno”. Este ano, um outro grupo de investigadores do IARC, constituído por 23 peritos científicos oriundos de todo o mundo e 7 observadores, fez uma revisão minuciosa das evidências científicas disponíveis e concluiu que afinal o café se encontra na categoria de “não classificável quanto à sua carcinogenicidade para os seres humanos”.

A relação entre o consumo de café e a saúde

Para os apreciadores de café a boa notícia é que consumindo esta bebida de uma forma moderada pode, inclusivamente, proporcionar alguns benefícios para a saúde.

De acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) o consumo de cafeína até um máximo de 400 mg/dia não representa problema para a saúde da população adulta em geral. Só as mulheres grávidas ou lactantes deverão ter o cuidado de reduzir a ingestão diária de cafeína até 200 mg.

Um café curto tem em média 104 mg de cafeína, um café médio 115 mg de cafeína e um café cheio 125 mg de cafeína. É importante ter em atenção que outras bebidas como alguns chás e algumas bebidas energéticas também possuem cafeína que será contabilizada para a dose diária recomendada.

Grande parte da pesquisa mais recente sobre o café é proveniente da Escola de Saúde Pública de Harvard. Os seus investigadores defendem o consumo moderado de café associado a inúmeros benefícios para a saúde.

Segundo os resultados de duas meta-análises realizadas em 2014 e 2015 o consumo moderado de café poderá estar associado a um risco reduzido de morte por todas as causas.

Outros estudos mostraram uma possível associação entre o café e um risco reduzido do desenvolvimento de doenças graves, incluindo acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, diabetes tipo 2 e doença de Parkinson.

Em relação ao cancro, a evidência científica suporta uma associação positiva entre o consumo de café e a redução na incidência global de cancro, em particular na redução do risco de hapatocarcinoma. Na última avaliação do IARC (2016), sobre o consumo de café, as evidências indicam não haver efeito carcinogénico para o cancro de mama, cancro do pâncreas e cancro da próstata. Foi inclusivamente realçado haver um efeito benéfico no cancro do endométrio e cancro do fígado.

O consumo diário moderado de café pode ser considerado saudável, mas para os investigadores de Harvard as propriedades benéficas do café poderão não se dever somente à cafeína, mas sim a outros compostos que apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

No entanto, o IARC alerta: é benéfico beber café desde que não esteja muito quente, ou seja, a uma temperatura não superior a 65⁰C. Isto porque as bebidas quentes, essas sim estão classificadas como sendo “provavelmente cancerígenas”. Na base desta classificação estão diversos estudos que concluíram haver indícios de um risco acrescido de cancro do esófago para quem abusa do consumo de bebidas muito quentes.

O consumo de cafeína acima do recomendado também está associado a efeitos adversos, tais como, insónias, nervosismo, agitação, irritabilidade, dores de estômago, batimento cardíaco acelerado e tremores musculares.

Para quem é apreciador de café, o melhor mesmo é não exceder o valor diário recomendado e evitar bebê-lo muito quente. Espere calmamente pela sua bebida preferida, deixe arrefecer, sinta-lhe o cheiro. Depois, pode desfrutar de todo o seu sabor, sem prejuízos para a saúde.

Fonte da informação: Institute for Scientific Information on Coffee. (2016). Guidelines on caffeine intake – Coffee and Health. Disponível em http://coffeeandhealth.org/topic-overview/guidelines-on-caffeine-intake/; Szejda, K. (2016). Raise a Cup… of Coffee: WHO No Longer Says It Can Cause Cancer. Disponível em http://scitechconnect.elsevier.com/coffee-who-no-longer-can-cause-cancer/; Créditos da imagem: http://s1.1zoom.me/big3/785/350874-admin.jpg 

Cristina Ferrão

Sobre Cristina Ferrão

Cristina Ferrão é licenciada em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar na Escola Superior Agrária de Castelo Branco. Acredita na divulgação do conhecimento com bases científicas, como meio de promover a saúde e ajudar a população a adotar um estilo de vida saudável.