Bruxelas na horta!

Couve-de-BruxelasA segunda sugestão do “+ Saúde por Metro Quadrado”, para este mês de julho, é o cultivo da couve-de-bruxelas.

A couve-de-bruxelas parece um pequeno repolho proveniente do desenvolvimento anormal dos rebentos que se situam na axila das folhas.

Este hortícola tem uma morfologia curiosa. O seu caule pode atingir entre 50 a 100 cm e origina grupos de pequenas couves de cor verde clara na base a verde escura no topo.

Morfologia do Hortícola
Morfologia do hortícola

Como pode ver na imagem as suas folhas são pecioladas, com limbo grande. Nas folhas existem pequenas estruturas, as gemas axilares, que quando estimuladas por hormonas próprias da planta desenvolvem-se formando pequenos repolhos de 2 a 4 cm de diâmetro e que são a parte comestível da planta. São as futuras couves.

Esta variedade da família das couves é uma cultura de estação fresca. Prefere climas temperados frescos e húmidos. Um período de temperaturas baixas, por exemplo 12°C, favorece a formação de gemas compactas.

Devido às exigências de temperatura deste hortícola, para obtenção de uma produção de qualidade, a cultura é plantada nos meses de verão, entre julho até no máximo setembro. Assim, beneficia das temperaturas mais elevadas durante a fase inicial do desenvolvimento e produção das folhas e depois das temperaturas mais moderadas típicas do Inverno.

Quer saber mais acerca do cultivo destas pequenas couves?

Hoje, com o auxílio do seu smartphone tudo é possível. Basta consultar esta página, junto ao local onde tem a sua mini-horta, e preparar-se para seguir simplesmente as próximas informações:

– Selecione sementes da classe Precoce para produzir gemas de tamanho pequeno a médio e com um caule que não ultrapasse os 50 cm de altura;

– Como é uma cultura exigente em fertilidade do solo, aplique 12 a 30 g de Azoto (N), 15 a 30 g de K2O (óxido de potássio) e 6 a 20 g de P2O5 (fosfato). Poderá encontrar estes fertilizantes em lojas de jardinagem ou até mesmo em alguns hipermercados. Se nunca comprou, pergunte, peça ajuda na loja;

– Plante até 5 plantas por metro quadrado, e em cada vaso apenas uma planta, o que pode levar a colher em média 20 a 40 unidades destes pequenos repolhos;

– A rega da couve-de-bruxelas deve começar de manhã cedo voltando a ser regada à tardinha, até o solo apresentar dificuldade em escoar a água. Com ajuda de um regador, vai ver que fica mais fácil detetar as necessidades em água;

– Por fim, a colheita tem início cerca de 3 a 3,5 meses após a plantação, quando os pequenos repolhos apresentarem uma boa firmeza e tamanho dito normal para o género de planta.

Após colheita:

– Lave-as bem, em água corrente, e, para que não fiquem moles depois de cozinhadas faça-lhes um pequeno corte em cruz na base. Depois coza-as em 5 minutos, em água a ferver, sem tapar o tacho, para evitar acumulação de gases sulfurosos que são tóxicos, e usufruir o melhor da couve-de-bruxelas.

Cada couve-de-bruxelas é rica em água, vitamina A e C, ferro e cálcio. E tal como outras crucíferas apresentam na sua constituição compostos de azoto denominados por indóis. A evidência científica mostra a capacidade destes compostos em reduzir o risco de alguns tipos de cancro, como o cancro da mama e do útero.

Mais um vegetal para crescer na sua horta, mais um valor a acrescentar para favorecer a saúde da família!

Referencias: Alberto Gardé, Nydia Gardé. Culturas Hortícolas Nova Colecção Técnica Agrária. Vol. I. Lisboa: Clássica Editora, 1988.;Almeida, Domingos. Manual de Culturas Hortícolas. Vol. II. Lisboa: Editoral Presença, 2006.;Tola, Jose. Grande Enciclopédia das Ciências – Botânica. Montagem por Mário Dias Correia. Vol. 4. Lisboa: Clube Internacional do Livro, 1996. Manual de Agricultura Biológica. Município de Terras de Bouro. Disponível em: http://www.ci.esapl.pt/mbrito/compostagem/Manual%20de%20AB%20%20v04.pdf

Catarina Santos

Catarina Santos, natural de Alpedrinha (Fundão), licenciada em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar (ESACB-2012), atualmente, frequenta a licenciatura de Dietética na Escola Superior de Saúde de Leiria. Interessa-se pela área das Tecnologias de Produção Animal e Vegetal e pela Nutrição ma (...)