Os Melhores Dias da Clementina

Share on Facebook32Share on Google+0Tweet about this on Twitter0

Clementina

Clementina é a mais pequena da família. Da família dos citrinos.

Quantas vezes a clementina não é ela também eleita pelos mais pequenos, as crianças, para uma brincadeira, como de uma bolinha cor de laranja se tratasse!

As crianças gostam de meter os seus dedos pequeninos para a descascar e, desta forma, começam a despertar para as suas primeiras descobertas dos alimentos. Sentem que são capazes de, com as suas próprias mãos, ter acesso ao que está no seu interior e fazem-no sozinhas, tal como os adultos. Raramente alguém se opõe a isto. Portanto, não há quem diga “não faças isso!”.

Quando as crianças a escolhem, são os melhores dias da clementina.

Afinal, o que está dentro da curiosa bolinha laranja que a avó, a mãe, o pai ou a tia tanto insistem para comer? E porque dizem que faz bem à saúde?

A maioria de nós relaciona instantaneamente os citrinos e os seus sumos a uma maior protecção contra as constipações e outras infecções, pelo reforço que dão às defesas do organismo.

Mas o mundo das moléculas da família da clementina (Citrus reticulata) revela ser mais completo, com uma actividade biológica que se estende desde a acção anti-inflamatória à anti-cancerígena e à anti-aterogénica, comprovadas pela evidência científica, devido à presença de muitos nutrientes, sem faltar, pelo menos, três moléculas fitoquímicas principais já detectadas: a hesperidina, um flavonóide e duas flavonas ou polimetoxiflavonas (PMFs). Estas moléculas actuam por redução da proliferação de diferentes tipos de células cancerígenas.

Depois de comer uma clementina (peso médio de 75 gramas) obtém-se pouca energia, aproximadamente 35 calorias e acede-se a um conjunto de nutrientes essenciais para o bom funcionamento de inúmeros mecanismos bioquímicos do organismo. Entre esses nutrientes estão, além dos fitoquímicos acima referidos, a reputada vitamina C, em maior quantidade, seguida de bons níveis de vitamina B1 (a tiamina), de folatos e de potássio, todos eles contribuindo sinergicamente para a actividade biológica dos citrinos. Também as fibras estão presentes, em particular a pectina, distribuída pela polpa, casca branca e casca exterior e que parece interferir positivamente em diversos processos metabólicos, tais como na absorção da glicose e no controlo dos níveis de colesterol.

Portanto, os melhores dias da clementina podem contribuir para que os seus dias sejam nutricionalmente melhores.

Referências Bibliográficas: Manthey JA, Guthrie N. Antiproliferative activities of citrus flavonoids
against six human cancer cell lines. J Agric Food Chem. 2002 Oct;50(21):5837-43.; Park HJ, Kim MJ, Ha E, Chung JH. Apoptotic effect of hesperidin through caspase3 activation in human colon cancer cells, SNU-C4. Phytomedicine. 2008
Jan;15(1-2):147-51.; Shiming Li, Min-Hsiung Pan, Chih-Yu Lo, Di Tan, Yu Wang, Fereidoon Shahidi, Chi-Tang Ho, Chemistry and health effects of polymethoxyflavones and hydroxylated polymethoxyflavones, Journal of Functional Foods, Volume 1, Issue 1, January 2009, Pages 2-12; USDA  Database  for  the  Flavonoid  Content  of  Selected Foods 

Margarida Vieira

Sobre Margarida Vieira

Margarida Vieira é nutricionista e doutorada em Estudos da Criança na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Os seus interesses de investigação estão centrados na promoção e comunicação para a saúde e na prevenção do cancro. Autora e fundadora do Stop Cancer Portugal - adotar um estilo de vida saudável.