O alho francês no seu tempo

alho frances

O alho francês está disponível o ano inteiro na zona dos frescos dos supermercados, mas, na realidade, só se deveria consumir este produto hortícola nos meses em que a Natureza os disponibiliza, isto é, entre Janeiro e Abril e depois na segunda colheita do ano, entre Setembro e Dezembro.

É ao longo destes meses que se podem fazer boas sopas e outras receitas com este legume. Fora destes meses deveríamos fazer por descansar do seu paladar e assim não nos cansarmos de comer sempre a mesma coisa. Por isso, entre Maio e Agosto dê lugar a outros produtos hortícolas próprios desses meses.

O alho francês é um dos membros da família das cebolas, as liliáceas. É um produto hortícola interessante porque pode ser uma alternativa à cebola, isto para quem não a aprecia, quer pelo sabor, quer pela sua textura.

Por outro lado e uma vez que devemos consumir os produtos de acordo com a sua época natural de colheita, saiba como o alho francês e a cebola se substituem: quando não há colheita de alho francês (de Maio a Agosto), há colheita da cebola (de Junho a Setembro) e vice-versa. Vê como a Natureza nos surpreende? Tudo tem o seu tempo. Ao seguir as leis da natureza está simultaneamente a variar na qualidade dos alimentos de origem vegetal, uma premissa fundamental para a melhor adesão à alimentação saudável.

Nos atributos nutricionais do alho francês contam-se a quantidade excelente de vitamina C, bem como de ácido fólico, ambos com muitos benefícios para a saúde. Por exemplo, a ácido fólico pode ajudar na prevenção do acidente vascular cerebral e da doença cardíaca através da redução dos níveis de homocisteína no sangue, e há algumas informações científicas que indicam um potencial papel contra o cancro colo-rectal. O alho francês contém também valores razoáveis de algumas das vitaminas do complexo B, vitamina E, potássio, cobre e ferro.

Na sua composição em fitoquímicos, foram identificados 8 saponinas e 5 flavonóides, dos quais o  kaempferol é o principal. Contam-se alguns compostos fenólicos e carotenóides como o  β-caroteno e a dupla luteína + zeaxantina.

Todos estes fitoquímicos, substâncias presentes nos alimentos vegetais, podem contribuir para reduzir o risco de cancro. Os estudos acumulam evidências sobre um vasto grupo de famílias destas substâncias demonstrando actividades antitumorais, anti-mutagénicas e antioxidantes, mecanismos que reduzem o risco de cancro, actuando nas células cancerosas, impedindo-as de crescer, e que têm sido apresentados ao longo dos diversos artigos publicados nesta rubrica.

No caso da família das saponinas, estas parecem ser capazes de reagir com as membranas das células cancerosas, ricas em colesterol, limitando o seu crescimento e viabilidade. Um grupo de cientistas descobriu que as saponinas podem ajudar a prevenir o cancro do cólon, um trabalho publicado no The Journal of Nutrition. Outros estudos mostraram que as saponinas podem causar apoptose nas células de leucemia, induzindo uma paragem na mitose durante a sua divisão celular.

Por tudo isto, compre os legumes de acordo com a sua época natural de colheita, além da superior qualidade nutricional, também são mais económicos.

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)