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A doença mental e o silêncio cancerígeno

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A ligação entre a saúde mental e saúde física tem sido alvo de maior atenção desde o início do século XXI pelo maior reconhecimento e aceitação da saúde mental nas sociedades. Contudo, as pessoas com doença mental vivem até 20 anos menos do que a população geral. A morte pode ocorrer pela deterioração da saúde mental, mas em parte também por doenças físicas, incluindo o cancro. As pessoas com doença mental morrem até duas vezes mais com cancro do que a população geral e um dos possíveis motivos para tal é a falta de rastreios.

Falta de rastreios  

Um trabalho de revisão de 47 artigos científicos com participantes de todos os continentes, exceto África, concluiu que as pessoas com doença mental participam menos nos rastreios de cancro. A maioria dos participantes destes estudos são pessoas com depressão, seguido de pessoas com esquizofrenia. Este último diagnóstico foi identificado pelos autores como sendo aquele com maiores diferenças no rastreio com a população geral.

Motivos

A falta de rastreio do cancro pode dever-se à separação entre saúde física e saúde mental. Os médicos psiquiatras podem estar pouco atentos a dimensões da saúde física das pessoas que acompanham, por exemplo, por falta de tempo, por associação de sintomas iniciais do cancro ao diagnóstico mental, ou por não sentirem que esse cuidado faz parte das suas tarefas. Os médicos de família ou de outras especialidades também podem confundir sintomas de doença mental com sintomas iniciais de um cancro. A própria pessoa também poderá fazer esta associação. Além disso, a falta de conhecimento sobre sintomas do cancro e os serviços de saúde, bem como a pobreza, também mais prevalente em pessoas com doença mental, podem dificultar o acesso a rastreios.

Consequências

Uma consequência desta realidade é que as pessoas podem já ser diagnosticadas em estados mais avançados do cancro, contribuindo isso para um pior prognóstico e maior mortalidade. É necessário considerar que as pessoas com doença mental podem ter uma menor tolerância para tratamentos intensivos. De facto, verifica-se que estas pessoas realizam menos intervenções cirúrgicas e menos sessões de quimioterapia e radioterapia quando tratam de um cancro.

Possíveis medidas

A constatação desta realidade exige a adoção de medidas para que as pessoas com doença mental façam mais rastreios. Algumas medidas podem passar por:

  • Formar psiquiatras e profissionais dos serviços de saúde primários para estarem sensíveis à necessidade de avaliarem a saúde física e a saúde mental
  • Comunicar mais eficazmente com as pessoas com doença mental sobre a realização de rastreios
  • Educar a população para os sinais a que devem estar atentos

Fazer rastreios é essencial. O silêncio sobre o cancro na doença mental pode ser mesmo cancerígeno.

Referências: Attoe, C., Lillywhite, K., Hinchliffe, E., Bazley, A., & Cross, S. (2018). Integrating mental and physical health care: the mind and body approach. The Lancet Psychiatry, 5(5), 387-389. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(18)30044-0 ; Solmi, M., Firth, J., Miola, A., Fornaro, M., Frison, E., Fusar-Poli, P., Dragioti, E., Shin, J. I., Carvalho, A. F., Stubbs, B., Koyanagi, A., Kisely, S., & Correll, C. U. (2020). Disparities in cancer screening in people with mental illness across the world versus the general population: prevalence and comparative meta-analysis including 4 717 839 people. The Lancet Psychiatry, 7(1), 52–63. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(19)30414-6
Fotografia por Kristina Flour no Unsplash
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