Resoluções de Ano Novo: Cumprir missão!

Um Ano Novo geralmente vem com a definição de resoluções muito importantes para a nossa saúde física e bem-estar. Infelizmente, para a maioria das pessoas estes objetivos não passam de boas intenções sem resultados práticos – é mais frequente cancelar do que cumprir a missão de Ano Novo. Felizmente, investigação dá algumas pistas sobre estratégias que nos podem apoiar.

Porquê no Ano Novo? A motivação para a mudança

Uma manhã, uma segunda-feira, um novo mês, um novo semestre letivo (para quem estuda) e um novo ano de vida ou de calendário são marcos temporais apetecíveis para “novos começos”. Esta é uma conclusão de vários estudos da professora de Gestão, Organizações e Mudança Comportamental na Universidade da Califórnia, Hengchen Dai, e da sua equipa. De facto, os dados apontam para que quem aposta nos marcos temporais, parece ter mais sucesso. Segundo esta equipa de investigação, os marcos temporais parecem oferecer a oportunidade de distanciarmo-nos do nosso “eu passado” que tinha comportamentos que preferíamos não ter.

Cumprir missão no Ano Novo

Para a população geral, o Ano Novo, em particular surge como ideal para mudanças benéficas para a saúde individual e, no fundo, para a sociedade, tais como: fazer uma dieta, exercitar, poupa, deixar de fumar, estudar. Apesar de não haver fórmulas mágicas para cumprir estes objetivos, existem sugestões que parecem estar mais associadas ao sucesso!

1. Defina um plano e registe-o

O que pretende alcançar? – seja específico, realista e defina algo com limite no tempo. Exemplo: fazer  1 hora de exercício 5 vezes por semana a partir de maio

Quais são os objetivos intermédios? – opte por objetivos formulados na positiva e que vão de encontro ao que pretende, em vez de na negativa e direcionados para o que gostaria de evitar. Exemplo: fazer 2 horas de exercício por semana até 15 de março vs. não ficar no sofá quando podia estar a fazer exercício.

2. Celebre conquistas

Quando faz uma ação que vai de encontro ao seu plano, faça algo que é prazeroso para si. Exemplo: fez uma hora de exercício, tome um banho de imersão (se for algo que gosta) como recompensa.

3. Peça apoio a quem o rodeia

Diga o que está a tentar alcançar e peça adaptações concretas às pessoas que são próximas de si – Exemplo: diga aos seus amigos que prefere estar com eles à hora do jantar e não ao final da tarde.

4. Uma falha no plano é só um passo ao lado

O pensamento tudo ou nada pode minar o alcance de objetivos. Se não conseguiu cumprir um objetivo intermédio de acordo com o que esperava, lembre-se que se trata de um passo ao lado e não um regresso à estaca 0. Assim, evite procrastinar o seu objetivo somente para o mês ou até mesmo o ano seguinte.

5. Veja se o plano corre dentro do que tinha projetado

Avalie o plano que definiu à medida que vai implementando. Se o plano não está a correr como acha que deveria, pode sempre reformulá-lo. O plano pode estar simplesmente a precisar de algumas adaptações.

Feliz Ano Novo e boa missão!

Referências: Dai, H., Milkman, K. L., & Riis, J. (2014). The fresh start effect: temporal landmarks motivate aspirational behavior. Management Science 60(10), 2563-2582.https://doi.org/10.1287/mnsc.2014.1901; Höchli, B., Brügger, A., & Messner, C. (2020). Making new year’s resolutions that stick: exploring how superordinate and subordinate goals motivate goal pursuit. Applied Psychology Health and Well-being12(1), 30–52. https://doi.org/10.1111/aphw.12172; Oscarsson, M., Carlbring, P., Andersson, G., & Rozental, A. (2020). A large-scale experiment on New Year’s resolutions: Approach-oriented goals are more successful than avoidance-oriented goals. PloS one15(12), e0234097. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0234097; Fotografia por Tim Mossholder no Unsplash

 

Carolina Blom é psicóloga (Nº OPP: 25152), mestre em Psicologia com especialização em Clínica e Saúde pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa. Atualmente é estudante de doutoramento na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, onde investiga sobre a qualidade de vida do cuidador informal da pessoa com doença oncológica. No seu percurso académico e profissional trabalhou com adultos maiores institucionalizados, estudantes do 1º ciclo, encarregados de educação, professores e auxiliares e crianças e jovens em risco. O seu interesse na prestação de cuidados às pessoas com doença oncológica despertou durante a experiência enquanto voluntária no acompanhamento de doentes e das suas famílias e, posteriormente, pela experiência pessoal enquanto cuidadora informal. Usa o novo acordo ortográfico. Carolina Blom is a psychologist (License Nr: 25152) and has a master’s degree in Psychology with a specialization in Clinical and Health from the Faculty of Education and Psychology of the Catholic University of Portugal. Currently, she is a PhD student at the Faculty of Psychology and Educational Sciences of the University of Porto, where she researches about the quality of life of the informal cancer caregiver. In her academic and professional path, she worked with older adults, primary school students, teachers, educators, and children and young people at risk. Her interest in cancer caregiving arose during her experience as a volunteer in the care of patients and their families and later through her personal experience as an informal caregiver.