O yoga na doença oncológica: simples curiosidade levou a menos ansiedade

A prática de yoga e os seus benefícios durante uma doença oncológica é hoje muito referida. Por isso, foram recolhidos alguns testemunhos sobre esta temática para dar a conhecer opiniões de pessoas que praticam ou praticaram regularmente yoga.

O testemunho de Irene

Chamo-me Irene, tenho 45 anos e quero partilhar a minha experiência com o yoga.

Em 2007, comecei a praticar yoga por curiosidade e por sugestão de amigos já praticantes. Em outubro de 2008, interrompi a prática de yoga devido a ter-me sido diagnosticado cancro na mama, o que implicou cirurgia e tratamentos de quimioterapia.

Voltei a frequentar as aulas de yoga três meses depois dos tratamentos terminarem, não só para me sentir melhor com o meu corpo, mas também para recuperar a minha forma física e equilíbrio mental.

Em 2011 interrompi de novo a prática de yoga, para realizar uma cirurgia de reconstrução mamária, o que de novo implicou um tempo de paragem mais longo.

Assim que me senti apta, voltei à prática embora inicialmente com algumas limitações em certas posturas. Essas limitações deveram-se à necessidade da pele e dos músculos precisarem de tempo, para se fortalecerem e alongarem da mesma forma que o lado não intervencionado. Com o decorrer do tempo fui praticando sem qualquer tipo de limitação, sentindo todos os benefícios que o yoga me traz.

No verão de 2015 foram-me diagnosticadas metástases no cérebro. Encontro-me desde essa altura em nova fase de tratamentos de radioterapia e quimioterapia. Assim que for possível quero voltar.

Apesar de não praticar yoga durante os períodos de tratamento, sinto que o yoga me ajudou a ter controlo sobre a ansiedade, através da meditação e das técnicas de respiração. Também com estas técnicas, sei que sou capaz de ter um maior controlo sobre o meu corpo, sobretudo ao nível da dor física.

O yoga ensinou-me a compreender melhor o meu corpo, no modo como me movo e a colocar o corpo em posições antiálgicas, por exemplo ao tentar pegar em objetos. Portanto, considero o yoga, uma ferramenta muito útil na aceitação da doença, no controlo da minha ansiedade sobretudo durante a realização de exames ao longo da minha doença.

Créditos da imagem: http://londonlondonstudio.blogspot.pt/

Alexandra Pereira, professora de yoga através da AIPYS-Asociación Internacional de Profesores de Yoga Sananda, Espanha 2000. Licenciada em Filosofia (FLUP 1988). Mestrado em Filosofia: “A filosofia do yoga: da prática a uma filosofia de vida” ( FLUP 2019) Exerce a sua actividade profissional de professora de yoga em Vidya-Academia de Yoga do Porto (Desde 2001). Dirigiu e ministrou cursos de Formação: "Curso de Professores de Yoga" (desde 2010 a 2016) e "Curso de Monitor de Yoga para técnico de SPA" (2013). Os seus atuais interesses de investigação, relacionam-se com as doenças autoimunes e cancro, e no contributo que a prática de yoga oferece para melhorar a condição física, mental e psicológica do praticante. Curso de especialização ("Yoga for Cancer Survivors" 2013). Alexandra Pereira, yoga teacher through the AIPYS-Asociación Internacional de Profesores de Yoga Sananda, Spain 2000. Specialization course ("Yoga for Cancer Survivors" 2013). Licenciate in Philosophy (FLUP 1988). Master Philosophy: “The Philosophy of Yoga: From Practice to a Philosophy of Life” (FLUP 2019) Professional activity: yoga teacher at Vidya-Academia de Yoga do Porto (since 2001). Direted and teached training Courses: "Yoga Teacher Course" (from 2010 to 2016) and "Yoga Monitor Course for SPA Technician" (2013). My current research, is relate to autoimmune diseases and cancer, and the contribution that the practice of yoga offers to improve physical, mental and psychological well-being in student.