Introdução do iogurte e leite na alimentação do bebé

Actualmente existem variadíssimos documentos orientativos e fundamentados acerca da introdução alimentar no primeiro ano de vida. No entanto, verificamos divergência nas opiniões entre pediatras, enfermeiros e nutricionistas, acerca do “timing” da introdução de alguns alimentos, nomeadamente da introdução do iogurte.

Por definição, o iogurte é o produto coagulado obtido por fermentação láctica devido à acção exclusiva do Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgaricus e do Streptococcus thermophilus sobre o leite e produtos lácteos (…) devendo a flora específica estar viva e abundante no produto final.

O iogurte é alimento completo, com proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais de entre os quais o cálcio e as suas particularidades condicionam uma melhor absorção deste mineral, bem como uma ausência dos efeitos adversos característicos do leite em crianças com intolerância à lactose.

A importância do cálcio na alimentação do bebé

O cálcio é necessário à formação óssea, à manutenção no desgaste ósseo, à contracção muscular e aos impulsos nervosos. O suprimento em cálcio é suficiente no primeiro ano de vida dado que a base da alimentação é láctea. Se houver modificação nas recomendações na ingestão de cálcio será no sentido da diminuição ligeira do aporte como já foi proposto. O leite ou o iogurte não devem acompanhar as refeições ricas em ferro, do almoço e do jantar.

Geralmente, o conteúdo de proteínas do iogurte é maior do que o do leite, devido à adição de leite desidratado durante o processamento, por isso é mais facilmente digerida devido à acção proteolítica das culturas lácteas e do tratamento térmico, que promove a coagulação das proteínas do leite. Possui um papel pré e probiótico, protege de infeções intestinais e regulariza a flora bacteriana.

O leite de vaca na sua natureza não deve ser introduzido antes dos 12 meses. Introduz-se entre os 24 e 36 meses, preferencialmente. Por ser rico em gorduras saturadas e pobre em ácidos gordos insaturados, é de difícil digestão e alergénio. No entanto, devido às características do iogurte é possível a sua introdução aos 9 meses num lanche, em alternativa ao leite ou papa. Deve ser natural, sem aromas nem quaisquer aditivos de açúcar (os adocicados) ou de natas (os cremosos).

Referências: Portaria nº 742/92 de 24 de Julho; Valor nutricional do iogurte. Colecção E-books APN: N.º 28, Maio de 2013; Acta Pediátrica Portuguesa. Vol. 43, n.º 5 Setembro / Outubro 2012 Suplemento II.

Marisa Figueiredo, nutricionista licenciada em Ciências da Nutrição e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, iniciou atividade clínica em 2004. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportamento Alimentar. Desenvolve atividade docente desde 2007 e colabora frequentemente em ações de divulgação na promoção da saúde e prevenção das doenças crónicas. Dedica o seu trabalho à nutrição clínica, no adulto e na criança, com particular interesse pela alimentação e saúde infantil. Acredita que o seu trabalho deve assentar essencialmente na mudança de atitudes face a comportamentos que possam pôr em risco a saúde. A estratégia adoptada passa por fazer chegar a mensagem aos pais e seus educandos. A prevenção começa in útero. Colaboradora do Stop Cancer Portugal desde Janeiro de 2013. Por indicação do autor, os seus textos não obedecem ao novo acordo ortográfico.     Marisa Figueiredo is a nutritionist, graduated in Nutritional Sciences and has a Master degree in Clinical Nutrition of the Institute of Health Sciences Egas Moniz. Started her clinical activity in 2004. She is a PhD student in Metabolic Diseases and Feeding Behavior at the School of Medicine of Lisbon. Develops teaching activity since 2007 and collaborates frequently in actions and workshops for promoting health and preventing chronic diseases. His work is dedicated to clinical nutrition in adults and children, with particular interest in child´s health and nutrition. She believes that her work should be based on attitudes and behaviours’ changing and prevention begins in utero. Collaborates in Stop Cancer Portugal since January 2013.