A boa nutrição no período embrionário

Falámos em textos anteriores na importância de uma boa nutrição no período de concepção, na importância de uma correta alimentação ao longo da gravidez, e vimos com este texto completar com a importância da nutrição no período embrionário, que compreende a fase desde a concepção até às 9 semanas de gestação.

Já era conhecido que durante as primeiras 8 semanas de gestação, o embrião obtinha a sua nutrição a partir das células deciduais, no endométrio, uma vez que ainda não tem capacidade para se nutrir a partir do fluxo sanguíneo materno porque a placenta não está formada até às 9 semanas.

Um grupo de cientistas da Universidade de Manchester vem reforçar e explorar a ideia de que, problemas nutricionais nesta fase da gravidez vêem pôr em causa o sucesso da gravidez e a saúde do bebé ao longo de toda a vida.

Um estudo anterior tinha já demonstrado que, mulheres holandesas que estavam nos 3 primeiros meses de gravidez e passaram fome durante a Segunda Guerra Mundial, geraram filhos mais susceptíveis a diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde, comparativamente às mulheres que tiveram acesso a uma boa dieta.

Neste mais recente estudo, os cientistas descobriram que as células do revestimento do útero acumulam glicose sob a forma de glicogénio. Este glicogénio é disponibilizado mais tarde para a placenta juntamente com as glicoproteínas, de forma a produzir energia e converter-se em aminoácidos utilizados como “blocos de construção” para a continuação do crescimento do embrião.

Uma vez que ocorre o suprimento de sangue direto da circulação da mãe para a placenta, após as 11 semanas, o fornecimento de energia a partir das células do útero cessa.

Este estudo vem então sugerir que, uma dieta saudável durante as primeiras 11 semanas de gravidez é fundamental, mas tendo em conta que os nutrientes são armazenados nas células das glândulas antes da gravidez, a nutrição assume um papel crucial muito antes da concepção.

Referências: Jamie Brown. The University of Manchester. April 2015. Disponivel em: http://www.manchester.ac.uk/discover/news/article/?id=14402; Créditos da imagem:  http://mamaplus.md/posts/2717/

Marisa Figueiredo, nutricionista licenciada em Ciências da Nutrição e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, iniciou atividade clínica em 2004. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportamento Alimentar. Desenvolve atividade docente desde 2007 e colabora frequentemente em ações de divulgação na promoção da saúde e prevenção das doenças crónicas. Dedica o seu trabalho à nutrição clínica, no adulto e na criança, com particular interesse pela alimentação e saúde infantil. Acredita que o seu trabalho deve assentar essencialmente na mudança de atitudes face a comportamentos que possam pôr em risco a saúde. A estratégia adoptada passa por fazer chegar a mensagem aos pais e seus educandos. A prevenção começa in útero. Colaboradora do Stop Cancer Portugal desde Janeiro de 2013. Por indicação do autor, os seus textos não obedecem ao novo acordo ortográfico.     Marisa Figueiredo is a nutritionist, graduated in Nutritional Sciences and has a Master degree in Clinical Nutrition of the Institute of Health Sciences Egas Moniz. Started her clinical activity in 2004. She is a PhD student in Metabolic Diseases and Feeding Behavior at the School of Medicine of Lisbon. Develops teaching activity since 2007 and collaborates frequently in actions and workshops for promoting health and preventing chronic diseases. His work is dedicated to clinical nutrition in adults and children, with particular interest in child´s health and nutrition. She believes that her work should be based on attitudes and behaviours’ changing and prevention begins in utero. Collaborates in Stop Cancer Portugal since January 2013.