Agrião: aos molhos!

agriãoPasse tranquilamente os olhos pela banca dos hortícolas, no mercado onde costuma fazer as compras para a casa. Encontrou molhos de agriões muito verdes? Compre-os! É o momento certo para introduzir este hortícola nas refeições e retirar os benefícios das suas qualidades nutritivas comprovadas cientificamente.

Com umas folhas e alguns pés de agrião faz-se uma salada fresca e excelente; o que sobrar aproveita-se para uma sopa, por exemplo, para o almoço do dia seguinte. No entanto, nunca é demais lembrar a importância de uma lavagem adequada para que os possa consumir crus, minimizando os riscos biológicos associados ao consumo de vegetais crus e que podem prejudicar a saúde.
Do ponto de vista mais convencional da nutrição, o agrião disponibiliza boas quantidades de vitaminas A, C, E (α-tocoferol), K e do complexo B (as vitaminas B1, B3 e B6). Quanto à riqueza em minerais, no agrião destacam-se o manganésio e o trio cálcio, magnésio e fósforo, os componentes básicos da estrutura óssea.

Para além disso, o agrião oferece um conjunto razoável de fitoquímicos: β-caroteno e luteína, da classe dos carotenoides; kaempferol e quercetina, da classe dos flavonóides; e 3 glucosinolatos – a gluconasturtiin, a glucobrassicina e a 4-metoxiglucobrassicina.

O agrião é uma fonte alimentar de excelência com um conteúdo de 95 mg de glucosinolatos por 100 gramas deste hortícola. Depois da ingestão do agrião e da ação da enzima mirosinase no intestino, os 3 glucosinolatos convertem-se em duas moléculas com uma atividade anticancerígena potente e comprovada: o β-feniletil isotiocinato (PEITC) e o indole-3-carbinol (I3C).

Do ponto de vista funcional o PEITC tem a capacidade de atuar nas três fases da carcinogénese: primeiro previne a ativação através da inibição do citocromo P450s durante a fase I; segundo induz a fase II das enzimas quinona reductase (QR), glutationa-S-transferase (GSTs) e UDP- glucuronusiltranferase (UGT), procedendo à excreção das potenciais substâncias carcinogénicas; e terceiro promove a morte celular por ativação da via da proteína quinase ativada pelo stress (SAPK/JNK). Através destes mecanismos, as investigações apontam para uma redução no risco de cancro em particular do trato gastrointestinal.

O I3C é um composto semelhante aos isotiocinatos. A evidência científica comprovou a sua capacidade em induzir a morte celular de células tumorais e um efeito anti-estrogénico que favorece a prevenção do cancro da mama, do endométrio e do colo do útero.

O agrião é um hortícola muito sensível e, por isso, muito perecível, o que significa que rapidamente as suas folhas amarelecem. Mas isso torna-se numa vantagem! Assim sabe que ao ser consumido verde, está no estado de maior frescura possível, uma premissa da verdadeira alimentação saudável: quanto mais verde e fresco, melhor!

Referencias: USDA National Nutrient Database for Standard Reference (2011); Rose P, Faulkner K, Williamson G, Mithen R. 7-Methylsulfinylheptyl and 8-methylsulfinyloctyl isothiocyanates from watercress are potent inducers of phase II enzymes. Carcinogenesis. 2000;21(11):1983-8.; McNaughton SA, Marks GC. Development of a food composition database for the
estimation of dietary intakes of glucosinolates, the biologically active constituents of cruciferous vegetables. Br J Nutr. 2003;90(3):687-97.; Auborn KJ, Fan S, Rosen EM, Goodwin L, Chandraskaren A, Williams DE, Chen D, Carter TH. Indole-3-carbinol is a negative regulator of estrogen. J Nutr. 2003;133(7 Suppl):2470S-2475S.; Steinbrecher A, Linseisen J. Dietary intake of individual glucosinolates in participants of the EPIC-Heidelberg cohort study. Ann Nutr Metab. 2009;54(2):87-96.

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional nº 0052N. Investigadora na Fundação para a Ciência e Tecnologia (2011-2015). Membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança – CIEC. Desenvolve a sua atividade na Investigação e na área da Nutrição Clínica. É autora e coordenadora de projectos de prevenção primária na área da saúde, bem como na organização e dinamização de seminários sobre hábitos alimentares saudáveis, predominantemente em ambiente escolar. Os seus atuais interesses de investigação, são no domínio da promoção e da comunicação para a saúde, na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas. Responsável pela conceção e coordenação de campanhas para a prevenção do cancro. Trabalhou no Marketing Farmacêutico e especializou-se em Gestão e Comunicação da Marca (IPAM – 2003). Autora e fundadora do Stop Cancer Portugal, adotar um estilo de vida saudável. Usa o novo acordo ortográfico. Margarida Vieira, nutritionist, is PhD in Child Studies of the University of Minho. Member collaborator of the Research Centre for Child Studies - CIEC. 
She is author and coordinator of projects for primary prevention in health care as well as in the organization and promotion of workshops on healthy eating habits in the schools. Her current research interests are cancer prevention and other chronic diseases and health communication.
 Responsible for the design and coordination of the awareness of campaigns for the prevention of cancer. Worked in Pharmaceutical Marketing and specializes in Brand Management and Communication. Author and Founder of Stop Cancer Portugal Project.