Urtiga: ou sabe colher ou vai doer

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A urtiga é uma planta selvagem, não pode ser cultivada. Aprenda a conhecer e a identificar a planta na natureza e, depois de algumas picadas e algum ardor, saiba o que pode fazer com ela.

Quando já souber onde encontrar a urtiga pode então dar-lhe várias utilizações, sobretudo na confecção de receitas tradicionais: sopa de urtigas, esparregado de urtigas ou chá de urtigas. É importante que saiba que ao serem cozinhadas ou secas, as urtigas perdem as suas propriedades urticantes mas não perdem o seu valor nutricional, mantendo o seu teor em vitaminas, minerais, a sua riqueza em fibras e proteínas.

A urtiga pertence à família Urticaceae e tem um nome complicado Urtica dioica L. ou também Urtiga comum. É uma planta perene, com folhagem durante todo o ano. O seu tronco é ereto e verde, as folhas são opostas, alongadas e ovais, finamente dentadas de cor verde escura em cima e mais pálido por baixo. As flores pequenas e verdes podem surgir nas axilas das folhas superiores e apresenta muitos pêlos urticantes nas suas folhas, chamados de tricomas. Estes tricomas quando em contacto com a pele humana ou animal, provocam uma sensação de calor, comichão e ardor, produzida pela picada do pêlo da urtiga, um resultado da ação combinada da histamina e acetilcolina presentes.

A sua época de floração ocorre entre maio e junho, desenvolve-se bem em locais húmidos ou sombrios, principalmente em regiões montanhosas. Em Portugal, a urtiga é popular na zona norte e centro.

A urtiga tem algumas propriedades antioxidantes, anti inflamatórias, analgésicas, pela sua constituição em compostos fenólicos sobretudo α- tocoferol e ácido linoleico. Apresenta ainda uma ação antidiabética e antimicrobiana. Há ainda alguns estudos que identificaram na sua composição glicoflavenóides imuno estimulante cuja ação tem potencial anticancerígeno.

Vá dar alguns passeios pelas montanhas de Portugal para aprender a descobrir onde colher urtigas. Alie duas atividades fundamentais para a saúde: caminhar e saber comer, sobretudo a conhecer e saber utilizar outros produtos naturais de origem vegetal que estão disponíveis. Mas para colher urtigas, não se esqueça, leve umas luvas!

Referências: Clevely Andy, Katherine Richmond. Manual completo de Plantas e Ervas Medicinais. Lisboa: Editorial Estampa; Carvalho, Ana. Urtica, SPP. Bioatividade e cultivo. Departamento Ciências da Vida, Faculdade de Ciências e tecnologias Universidade de Coimbra. Gülçin, Ilhami et al. Antioxidant, antimicrobial, antiulcer and analgesic activities of nettle (Urtica dioica L.). Journal of Ethnopharmacology 90 (2004) 205–215. Bnouham ,Mohamed et al. Antihyperglycemic activity of the aqueous extract of Urtica dioica. Fitoterapia 74 (2003) 677–681. Testai ,Lara et al. Cardiovascular effects of Urtica dioica L. (Urticaceae) roots extracts: in vitro and in vivo pharmacological studies. Journal of Ethnopharmacology 81 (2002) 105_/109.

Catarina Santos

Sobre Catarina Santos

Catarina Santos é licenciada em Dietética pela Escola Superior de Saúde de Leiria. Interessa-se pela área das Tecnologias de Produção Animal e Vegetal e pela Nutrição.