Iodo 131 no diagnóstico e terapia do cancro da tiróide

Share on Facebook35Share on Google+0Tweet about this on Twitter

O iodo 131 (131I) é um isótopo radioativo, produzido num reator nuclear e que é vulgarmente utilizado no diagnóstico e terapia de algumas patologias da tiróide.

O iodo é essencial para a formação das hormonas T3 e T4

 Cerca de 80% do iodo presente nos mamíferos concentra-se na glândula tiroideia, local onde ocorre a síntese da hormona triiodotironina (T3) e tetraiodotironina (T4). Para a síntese destas hormonas reguladoras do metabolismo humano é essencial que ocorra o transporte do iodo para o interior das células da tiróide, onde o iodo se combina com resíduos de tirosina, dando assim origem às hormonas T3 e T4.

O iodo 131 pode ser utilizado no diagnóstico e tratamento do cancro da tiróide

 A utilização do iodo radioativo como agente de diagnóstico e terapia baseia-se no facto das células da tiróide não serem capazes de diferenciar o iodo estável do iodo radioativo, partilhando os mesmos sistemas de captação e metabolismo intracelular. De facto, as propriedades químicas do iodo 131 são similares às do iodo estável, participando por isso o radioisótopo nos inúmeros processos metabólicos atribuídos ao iodo estável. No entanto, as características físicas do iodo 131, largamente determinadas pela emissão de radiação gama e beta, permitem a sua utilização no diagnóstico e tratamento de doentes na área da Medicina Nuclear.

Uma vez que o iodo 131 emite radiação gama, é possível utilizar este radioisótopo no diagnóstico do cancro da tiróide, em paralelo com a sua utilização terapêutica. Desta forma, após administração do iodo 131 ao doente e posterior deteção da radiação emitida através de aparelhos dedicados, é possível obter uma imagem funcional da tiróide.

Por outro lado, o iodo radioativo é também um emissor de radiação beta capaz de destruir as células cancerígenas devido à sua energia, sendo por isso vulgarmente utilizado na terapia do cancro diferenciado da tiróide (iodoterapia). Vale a pena referir que os inconvenientes deste tratamento estão relacionados com a sua reduzida disponibilidade, o seu elevado custo e a necessidade de hospitalização do doente. De facto, por possuir um tempo de meia vida de cerca de 8 dias, é essencial que o doente submetido a iodoterapia se mantenha afastado de outras pessoas, reduzindo assim a sua exposição à radiação. Durante este período, dá-se o decaimento radioativo e a eliminação do iodo, que é estimulada pela ingestão de líquidos e consequente produção de urina e suor.

Referências: Gomes AR, Abrantes AM, Brito AF, et al. Influence of P53 on the radiotherapy response of hepatocellular carcinoma. Clin Mol Hepatol. 2015;21(3):257-267. doi:10.3350/cmh.2015.21.3.257.;Ravichandran R, Al Balushi N. Radioactive (131)Iodine Body Burden and Blood Dose Estimates in Treatment for Differentiated Thyroid Cancer by External Probe Counting. World J Nucl Med. 2016;15(3):153-160. doi:10.4103/1450-1147.174701.; Zilioli V, Peli A, Panarotto MB, et al. Differentiated thyroid carcinoma: Incremental diagnostic value of 131I SPECT/CT over planar whole body scan after radioiodine therapy. Endocrine. September 2016. doi:10.1007/s12020-016-1086-3.;Pashnehsaz M, Takavar A, Izadyar S, et al. Gastrointestinal Side Effects of the Radioiodine Therapy for the Patients with Differentiated Thyroid Carcinoma Two Days after Prescription. World J Nucl Med. 2016;15(3):173-178. doi:10.4103/1450-1147.174703.
Ana Catarina Mamede

Sobre Ana Catarina Mamede

Ana Catarina Mamede é licenciada e mestre em Ciências Biomédicas pela Universidade da Beira Interior. Doutorada em Biomedicina. Os seus projetos de investigação estão relacionados com a descoberta de novas opções terapêuticas para o cancro do fígado.