Obesidade e prognóstico de cancro: o risco e a influência

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A obesidade e o excesso de peso têm uma enorme influência no risco e no prognóstico de cancro.

Atualmente, a evidência científica não deixa dúvidas: a obesidade aumenta o risco de vários tipos de cancro. Cavidade oral, esófago, estômago, fígado, vesícula biliar, pâncreas, coloretal, rim, mama, endométrio e ovário são alguns exemplos. Todavia, o risco de desenvolvimento de cancro parece também estar associado à duração desse excesso de peso ou obesidade.

Os autores de um estudo tendo por base os dados de 74 000 mulheres pós-menopáusicas entre os 50 e os 79 anos concluíram que quanto mais tempo as mulheres apresentaram peso excessivo, maior o seu risco de desenvolvimento de cancro. Falemos em números: por cada 10 anos de excesso de peso ou obesidade na idade adulta, o risco aumentou 7%.

Os autores foram ainda mais específicos e avaliaram o risco de desenvolvimento de cancro da mama pós-menopausa, verificando que, por cada 10 anos de índice de massa corporal (IMC) entre 25 e 34,9 kg/m2, o risco aumentou 5%. Contudo, para um IMC igual ou superior a 35 kg/m2, o valor passou a 8%.

Relativamente ao cancro do endométrio, por cada 10 anos de IMC entre 25 e 34,9 kg/m2, o risco aumentou 17% e, de um IMC igual ou superior a 35 kg/m2, esse risco era de 37%.

Por outras palavras, perder peso ou evitar o ganho são formas de diminuir o risco de cancro, nunca sendo tarde para mudar hábitos de alimentação e atividade física.

E quando a obesidade existe e o cancro já é uma realidade?

risco-cancroA manutenção de um peso saudável parece reduzir significantemente a morbilidade e a mortalidade nos sobreviventes de qualquer tipo de cancro. Da análise de 43 trabalhos realizados entre 1963 e 2005, a obesidade esteve associada a um aumento da mortalidade de 33%.

Um estudo que incluiu mulheres com cancro da mama mostrou que, ao diagnóstico, aquelas com excesso de peso já apresentavam características de pior prognóstico. As doentes obesas evidenciaram um risco aumentado em 46% de desenvolver metástases ao fim de 10 anos. Já o risco de morrer de cancro ao fim de 30 anos era superior em 38%, valores que se relacionam com o facto da quimio e da hormonoterapia parecerem ser menos efetivas no aumento da sobrevivência a longo prazo em mulheres obesas.

Mesmo quando o diagnóstico de cancro já foi feito, é fundamental dar atenção ao controlo do peso, para evitar a diminuição da qualidade de vida e da sobrevivência. A inclusão de uma alimentação saudável (equilibrada, variada e completa) e a prática de exercício físico são os pilares para o conseguir.

Referências: Arnold M, Jiang L, Stefanick ML, Johnson KC, Lane DS, LeBlanc ES, Prentice R, Rohan TE, Snively BM, Vitolins M, Zaslavsky O, Soerjomataram I, Anton-Culver H. Duration of Adulthood Overweight, Obesity, and Cancer Risk in the Women’s Health Initiative: A Longitudinal Study from the United States. PLOS. 2016.; http://dx.doi.org/10.1371/journal.pmed.1002081. Ewertz M, Jensen M-B, Gunnarsdóttir KÁ, Hojris I, Jakobsen EH, Nielsen D et al. Effect of obesity on prognosis after early stage breast cancer. J Clin Oncol Off J Am Soc Clin Oncol. 2011; 29(1): 25-31.; Protani M, Coory M, Mertin JH. Effect os obesity on survival of women with breast cancer: systematic review and meta-analysis. Breast Cancer Res Treat. 2010; 123(3): 627-35. Créditos de imagens: http://images.teamsugar.com/files/upl0/10/104169/14_2008/dv1525002.preview.jpg; http://www.medscape.com/viewarticle/867919 

Dina Raquel João

Sobre Dina Raquel João

Dina Raquel João, nutricionista é mestre em nutrição clínica pela Universidade do Porto. Além da atividade de docência, exerce nutrição clínica em regime de clínica privada e dedica-se sobretudo à intervenção nutricional no doente oncológico.