Linfoma: o cancro dos linfócitos

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Linfoma é o nome designado ao cancro que afecta um grupo de células específicas, os linfócitos. Estas células fazem parte do sistema imunitário, combatendo contra a invasão de organismos estranhos. Os linfócitos circulam por todo o nosso corpo, contudo estão presentes em maior quantidade no sistema linfático (consulte a figura).

Este sistema consiste numa complexa rede de vasos e ramificações (vasos linfáticos), cuja função é transportar os linfócitos para onde forem necessários, assim como transportar líquido (linfa) e detritos das células de volta ao sistema circulatório para a sua adequada excreção. Em determinados locais desses vasos formam-se dilatações ou bolsas (gânglios linfáticos) que funcionam como filtros. Geralmente os gânglios aumentam de tamanho quando o organismo está a combater contra uma infecção. Três outros órgãos também fazem parte do sistema linfático, o baço, o timo e a medula óssea, onde as células do sistema imunitário são produzidas e/ou sofrem o processo de maturação.

Sistema linfático
Sistema linfático

O linfoma surge quando, por motivos ainda em estudo, as células começam a multiplicar-se de forma descontrolada e vão-se agregando, principalmente nos nódulos linfáticos, originando uma tumefacção ou inchaço. Este é o sintoma mais comum: um ou vários nódulos linfáticos aumentados, com ou sem dor, na região do pescoço, axila ou virilhas.

No entanto convém não esquecer que os gânglios aumentam como reacção a qualquer infecção ou organismo estranho. Uma gripe pode induzir a um inchaço doloroso dos gânglios do pescoço, mas tal irá passar em poucos dias.

Outros sintomas do linfoma incluem: (i) perda de peso não explicável; (ii) suores, principalmente nocturnos; (iii) febre e sintomas de gripe que não passam; (iv) fadiga; (v) prurido (comichão) por todo o corpo. Se o linfoma se formar num órgão específico poderá originar sintomas específicos relacionados com esses órgãos. Por exemplo, se o linfoma se formar nos pulmões poderá provocar tosse irritativa e falta de ar, se se formar nos intestino poderá originar dor abdominal e alteração do padrão intestinal (diarreia ou obstipação).

Nenhum do sintoma per si é suficiente para suspeitar. Antes a conjugação de vários dos sintomas implicam uma investigação mais profunda, nomedamente a biopsia, análises sanguíneas, exames de imagem (TAC, ressonância magnética), entre outros.

O linfoma está dividido em duas grandes categorias: o Linfoma de Hodgkin (LH) ou também conhecido por Doença de Hodgkin e Linfoma não-Hodgkin (LNH). A diferenciação é possível através da observação directa das células através de microscópio.

Se um determinado tipo de células anormais estiver presente será um LH, se essas células não estiverem presentes será um LNH. Esta etapa é fundamental para decidir o tipo de tratamento.

O LH é mais raro, representa cerca de 20% de todas os linfomas. Pode afectar qualquer pessoa, embora seja mais predominante no sexo masculino, em jovens (15-35 anos) e nos mais idosos (maiores de 60 anos). Apesar de a causa continuar desconhecida, sabe-se que os indivíduos com história de infecção com o vírus de Epstein-Barr e com o vírus HIV têm maior probabilidade de desenvolver este linfoma.

O LNH é mais comum, afecta predominantemente indivíduos a partir dos 55 anos, mas tem um maior número de subtipos. Entre eles alguns de desenvolvimento lento (denominados de baixo grau ou indolente) outros de desenvolvimento rápido (alto grau ou agressivo). No LNH de baixo grau, devido ao desenvolvimento lento da doença, os sintomas são menos perceptíveis sendo detectado em fases mais avançadas. O tratamento é eficaz, mas pode não ser necessário ser iniciado aquando o diagnóstico. Este linfoma está mais susceptível a recorrer ou recidivar. No LNH de alto grau, o desenvolvimento da doença é mais rápido, por isso os sintomas surgem numa fase mais inicial. Por norma, requer tratamento imediato e tem maior probabilidade de cura que o LNH de baixo grau.

O sintoma mais comum do linfoma são os gânglios aumentados. Por isso desconfie de qualquer gânglio que permanece aumentado por vários dias, sem explicação aparente. Desconfie ainda mais se tiver alguma da outra sintomatologia associada. Na dúvida, consulte sempre o seu médico de família.

Fontes das imagens: http://imagem.portalmidia.net/2013/09/linfoma.jpg; http://www.guia.heu.nom.br/images/Sistema_linfatico_.jpg

Miguel Oliveira

Sobre Miguel Oliveira

Miguel Oliveira é licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian – Universidade do Minho (2007). Pós-Graduado em Neuropsicologia de Intervenção pelo CRIAP/Associação Portuguesa de Neuropsicologia (2010). Atualmente exerce a profissão no Reino Unido.