Mirtilos: quanto mais pequenos, melhores!

mirtilosAo longo dos 365 dias do ano, quantas vezes inclui os mirtilos na lista da fruta para comprar? Será que alguma vez escolhe estas bagas para serem a sobremesa do almoço de domingo ou de outro dia qualquer da semana? Sim, como faz com os morangos ou com outros frutos.

Na verdade, os mirtilos estão quase confinados às sobremesas dos chefs que os incluem nos menus de degustação. E como parecem tão sedutores como sobremesas gourmet!

Quando entramos num supermercado e pensamos em comprar fruta, normalmente escolhemos peças de fruta grandes e, inclusive, bem brilhantes, uma característica resultante da época em que vivemos, simbolizando progresso. Por esta ordem de ideias, os mirtilos são suspeitos, pouco ou nada correspondendo ao perfil procurado: os mirtilos são bagas pequenas, ligeiramente moles, de cor roxa escura e com pouco brilho superficial, o que lhes dá um ar bastante fraco.

Mas, nem sempre o que é maior e belo é melhor. Os mirtilos são um bom exemplo disso: quanto mais pequenos, melhores. Convém lembrar que a alimentação saudável tem como premissa valorizar todos os frutos, porque na diversidade reside a força.

Para perceber até que ponto as coisas funcionam segundo esta perspetiva, há já dados científicos que estabelecem um impacto positivo entre a ingestão de mirtilos e a inflamação, a dislipidemia, a hiperglicemia e o aumento do stress oxidativo. Assim, confirma-se que os mirtilos são uma hipótese válida na prevenção de patologias, que apresentam, frequentemente, estas condições clínicas, como é o caso das doenças cardiovasculares, da diabetes, da demência e outras doenças relacionadas com a idade, assim como também em alguns tipos de cancro.

Embora se encontrem pequenas quantidades de vitaminas (C, K e folatos) minerais (manganésio e cobre) e fibras, a atividade biológica do mirtilo está relacionada com os níveis elevados de antocianinas.

Recentemente, um estudo avaliou a eficácia das antocianinas presentes no mirtilo em três linhas celulares humanas, do cancro do colon (Caco-2), do hepatocarcinoma (HepG2) e do endotélio (EA.hy926), e confirmou teores elevados destes compostos (1122.9 ± 27.4 mg por 100 gramas de fruta fresca), em particular a delfinidina e a cianidina. Estudos anteriores já tinham determinado o mirtilo como a maior fonte natural em antocianinas, quando comparados com outras bagas como o morango, a amora, a ginja e a framboesa.

A investigação e o conhecimento científico no campo da nutrição e da promoção da saúde só funcionam e têm valor prático, promovendo mudanças benéficas, quando pomos à prova diariamente a sua utilidade, tirando assim proveito delas. Com os mirtilos, basta incluí-los na lista das compras, comprá-los e comê-los!

Referências: Chu W, Cheung SCM, Lau RAW, Benzie IFF. Bilberry (Vaccinium myrtillus L.) In: Benzie IFF, Wachtel-Galor S, editors. Herbal Medicine: Biomolecular and Clinical Aspects. 2nd edition. Boca Raton (FL): CRC Press; 2011. Chapter 4. ; SEERAM, N. P. Berry fruits: compositional elements, biochemical activities, and the impact of their intake on human health, performance, and disease.Journal of agricultural and food chemistry, 2008, 56.3: 627.; BORNSEK, Spela Moze, et al. Bilberry and blueberry anthocyanins act as powerful intracellular antioxidants in mammalian cells. Food chemistry, 2012, 134.4: 1878-1884.

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)