Como ultrapassar os efeitos secundários da quimioterapia?

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Como ultrapassar os efeitos secundários da quimioterapia? – náuseas, vómitos e falta de apetite 

A quimioterapia é uma das formas de tratamento oncológico. Este tratamento envolve a administração de fármacos, para a eliminação de células malignas, abrandar o seu crescimento e evitar a sua capacidade de invasão local e de se disseminarem pelo organismo.

Existem mais de 50 tipos de fármacos diferentes usados em quimioterapia. Estes afetam as células malignas e as células normais com rápida capacidade de divisão (por exemplo, mucosa oral e gastrintestinal), não existindo ainda químicos contra o cancro específicos para as células tumorais. Assim, a quimioterapia provoca diversas reações adversas no organismo de quem é submetido a este tipo de tratamento oncológico.

No que diz respeito às complicações gastrintestinais da quimioterapia, surgem, frequentemente, náuseas, vómitos, inflamação da mucosa oral, boca seca, dificuldade em engolir, perda de apetite, obstipação e diarreia. Estes efeitos secundários dependem do tipo de fármaco, da quantidade administrada, da forma de administração, da duração do tratamento, do tipo de tumor e do estado geral do doente.

Ao longo dos próximos lançamentos da rúbrica, serão abordadas as formas para ultrapassar estes sintomas ou, pelo menos, minimizá-los.

As náuseas e os vómitos estão entre os efeitos adversos da quimioterapia mais comuns. Estes são mais suscetíveis de ocorrer na presença de ansiedade, medo, desidratação, fome, problemas gastrintestinais e febre e podem levar a perda de apetite, desidratação, desequilíbrios hídricos e em eletrólitos, prejudicando a qualidade de vida do doente.

De forma a prevenir e a controlar as náuseas e os vómitos, recomenda-se:

  • Comer pouco e devagar de cada vez e frequentemente;
  • Evitar os alimentos picantes, os ricos em gordura e os ricos em açúcar;
  • Preferir bebidas e alimentos mornos ou frios, em detrimento dos quentes;
  • Evitar beber líquidos à refeição;
  • Recorrer a alimentos bem tolerados com cheiros neutros;
  • Preferir alimentos secos, como tostas, bolachas simples e cereais;
  • Comer antes de sentir fome;
  • Afastar-se da cozinha, durante a preparação e confeção da refeição;
  • Fazer as refeições em locais agradáveis e frescos

A falta de apetite nos doentes oncológicos é comum e é causa do efeito do tumor no próprio organismo. Contudo, pode ser agravada por outros fatores (dor, náuseas, depressão, ansiedade, medicação, entre muitos outros).

Para que a anorexia seja minimizada, recomenda-se que opte por alimentos:

  • que sejam mais apreciados e tolerados
  • que sejam mais fáceis de ingerir (sopas, pudins, bebidas ricas nutricionalmente – muitas vezes, o nutricionista aconselha suplementos nutricionais)
  • em pequenas porções mas frequentes ao longo do dia
  • com boa apresentação, que estimule o apetite

Além disso, o doente e a família devem evitar falar constantemente em comida, embora o doente deva continuar a ser envolvido nos aspetos de convívio das refeições. Estas devem ser feitas em locais e num ambiente agradáveis.

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Dina Raquel João

Sobre Dina Raquel João

Dina Raquel João, nutricionista é mestre em nutrição clínica pela Universidade do Porto. Além da atividade de docência, exerce nutrição clínica em regime de clínica privada e dedica-se sobretudo à intervenção nutricional no doente oncológico.