Gigas de Calorias

Com o desenvolvimento tecnológico e a globalização informática vivemos a última década rodeados de termos como bytes (B), Kilobytes (kB), megabytes (MB), gigabytes (GB), terabytes (TB). Não há nada que não tenha a capacidade de megas, gigas, teras, petas, exas, zettas, yottas.

Actualmente, as crianças, os adolescentes, senão mesmo a maioria de nós, percebemos mais de informática e de tecnologia em geral, do que do funcionamento do nosso próprio corpo e da forma como podemos ter uma relação saudável de modo a preservá-lo. Como devemos comer para melhorar a capacidade desta prodigiosa máquina, o nosso corpo?

Sendo assim, muito bem, podemos então associar termos tão conhecidos entre nós como megas e gigas, para facilmente entendermos quando são referidas quantidades de calorias, gorduras, açúcares disponíveis nos alimentos.

Somos seduzidos pelos mega-menus da comida fast-food e, irreflectidamente, traímos os tradicionais e bons hábitos alimentares portugueses (e temos muitos!) pela gama dos “pacotes” mega e giga de marcas cuidadosamente estudadas.

Com aspecto crocante e estaladiço, estas refeições são pesadas em gorduras (saturadas e trans), portanto com gigas de colesterol. E as batatas fritas, com o seu lugar cativo nestes menus, garantem mais gigas de gordura. Um copo fechado com palhinha, para poder beber e circular em qualquer parte, permite aceder a gigas de açúcares que são absorvidos mega-rapidamente.

E “verdes”, pergunto eu? São assim, que são denominados os produtos hortícolas pela classe dos mais novos. Bom, esses não fazem falta nenhuma! Pensam eles! Acham que não têm gigas nem megas de nada!

Como se enganam. Têm gigas de vitaminas e minerais mas esses gigas são dos mais importantes para o melhor desempenho da máquina humana.

Mas voltemos aos “pacotes”, é fácil ter uma alimentação de gigas em calorias. Há mesmo quem já consiga atingir o nível seguinte, isto é, passar dos gigas para os teras mas de gorduras e de calorias. Para isso, basta repetir este “método” de alimentação quase todos os dias.

Se ter um computador com muitos gigas é bom para melhor desempenho e rapidez no contexto informático, fazer uma alimentação à base de produtos alimentares com muita gordura e açúcar é uma sobrecarga para o organismo, principalmente para o fígado. São muitos gigas de gorduras e de açúcares em simultâneo.

O fígado é um órgão extraordinário, tudo o que colocamos à boca passa obrigatoriamente por lá, alimentos, bebidas, medicamentos. Mas o nosso software funciona muito melhor quando as quantidades de gorduras ou açúcares são moderadas.

Teoricamente a vida média de utilização de um computador é de aproximadamente 3 a 5 anos, dizem. O seu fígado é como um verdadeiro processador, convêm que dure uma vida inteira e quanto mais melhor. É que não é fácil encontrar outro!

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)