Suplementos alimentares à base de plantas: há garantia de segurança?

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O uso de suplementos alimentares e medicamentos à base de plantas é uma prática habitual por parte de algumas pessoas, incluindo em atletas. Mas qual é a segurança com que podem ser utilizados estes suplementos?

Pelo menos 40% de certos suplementos à base de plantas são rotulados de forma incorreta ou podem conter adulterantes.

Existem algumas orientações relativamente à proibição de suplementos em desportos competitivos, mas há pouca informação credível garantindo a qualidade dos medicamentos e suplementos à base de plantas.

À primeira vista, muitos suplementos vendidos online parecem bem assinalados e os sites associados supostamente fornecem muitas informações sobre os respetivos ingredientes. O problema surge quando o consumidor, em especial um atleta, toma um produto destes confiando na informação disponibilizada e no final o que tomou não corresponde exatamente ao que está no rótulo. Isso pode resultar na desqualificação de um atleta de alta competição por tomar uma substância proibida, ainda que inconscientemente.

Estudos sobre os suplementos alimentares à base de plantas

Uma pesquisa realizada com a substância Ginkgo pela Escola de Farmácia da University College London presente nos produtos Milk Thistle e de Rhodiola rosea, foi descoberto que 20-40% dos produtos foram etiquetados de maneira errada ou continham adulterantes. Qualquer um destes produtos pode ser utilizado por atletas, mas o caso do Rhodiola rosea é particularmente preocupante. Este suplemento é usado amplamente e com o propósito de aumentar a resistência física e mental.

Na União Europeia, a diretiva tradicional Herbal Medicinal Products (THMPD) e o registo de ervas tradicionais (THR) dá aos consumidores acesso a uma ampla variedade de suplementos alimentares à base de plantas de qualidade garantida e com um perfil de segurança bem pesquisado. No entanto, existem ainda um grande número de suplementos não regulados e amplamente disponíveis. E cada vez mais, estes produtos podem ser obtidos por compra online.

Neste estudo sobre os produtos de Rhodiola rosea, o composto marcador característico, o rosavin, não foi detetado em 23% dos produtos. Rosavin é o principal composto de Rhodiola rosea que tem sido investigado e apresentado devido às suas propriedades medicinais, sendo, deste modo, a sua presença considerada de importância vital.

Não é claro se esta é uma adulteração deliberada ou acidental. Têm sido feitas muitas tentativas para esclarecer esta questão com as diversas empresas envolvidas, mas os esforços têm-se revelado infrutíferos. Intencionais ou não, estes resultados mostram que existe uma falha nos sistemas de controlo de qualidade utilizados.

A compra de medicamentos sem registo e de suplementos alimentares apresentam um risco evidente, pois estes produtos não foram submetidos ao controlo rigoroso como os produtos fabricados no âmbito de um processo estritamente regulamentado e monitorizado. Enquanto os medicamentos fitoterapêuticos registados como produtos THR oferecem garantias reais, aqueles que não são registados tornam-se problemáticos para o público em geral, incluindo atletas, pois podem ser de má qualidade e/ou adulterados.

Assim, é extremamente importante obtermos todas as informações sobre um produto antes de o adquirirmos, pois só assim poderemos garantir a sua qualidade.

Fonte da informação: texto adaptado de Elsevier SciTech Connect, setembro de 2016 em http://scitechconnect.elsevier.com/herbal-supplements-mislabeled-adulterants/; Photo credits: http://cdn.doutissima.com.br/wp-content/uploads/2014/04/fitoterpicos12.jpg 

Cristina Ferrão

Sobre Cristina Ferrão

Cristina Ferrão é licenciada em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar na Escola Superior Agrária de Castelo Branco. Acredita na divulgação do conhecimento com bases científicas, como meio de promover a saúde e ajudar a população a adotar um estilo de vida saudável.