Cancro do Pâncreas: A história de António Feio

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Antonio-Feio-1954-2010

António Feio, actor, encenador e humorista, nasceu em Moçambique, na cidade de Lourenço Marques (actualmente Maputo), a 6 de Dezembro de 1954. Com um reconhecido talento, foi a face activa e serena da luta contra o cancro do pâncreas nos últimos meses, luta que partilhou com a irmã. António Feio faleceu a 29 de Julho de 2010 com 55 anos, reunido daqueles que amava, sem nunca desistir e tendo maior respeito pelo tempo, tal como o próprio afirmou. Foi diversas vezes comparado ao actor Patrick Swayze, também ele lutou contra o cancro do pâncreas.

A carreira dele iniciou-se no Teatro Experimental de Cascais aos 10 anos, três anos após ter vindo para Portugal com os pais. A sua mãe trabalhava nesse teatro e António foi assistindo aos ensaios da companhia. Foi então convidado a representar na peça “O Mar” de Miguel Torga. Este pequeno início foi a catapulta para trabalhar na televisão, na rádio e, mais tarde, em anúncios publicitários e filmes. Durante o início da sua carreira, regressa a Moçambique para prosseguir os estudos e para fazer duas digressões de teatro.

De volta a Portugal, António Feio representou em inúmeros teatros e companhias, fez televisão, cinema, rádio, traduções e deu voz a várias personagens em dobragens de, por exemplo, filmes de animação. Provavelmente, o seu trabalho ganhou maior visibilidade com as “Conversas da Treta“. Juntamente com José Pedro Gomes, esta peça andou em digressão nacional, foi transposta para cinema e programa televisivo.

Em Março de 2009, António Feio foi diagnosticado com cancro do pâncreas. Este órgão em forma de folha está localizado por debaixo do estômago. Tem por funções segregar (I) enzimas para ao processo digestivo dos alimentos; (II) insulina, hormona indispensável para a metabolização dos açúcares; (III) bicarbonato, que vai neutralizar a acidez do conteúdo do estômago, prevenindo lesões nas paredes do intestino delgado.

O que é e como se manifesta o cancro do pâncreas?

O cancro do pâncreas é mais frequente em pessoas do sexo masculino, fumadoras e com história da doença na família. A diabetes e a pancreatite crónica (inflamação crónica do pâncreas) são também factores de risco. Este cancro é diagnosticado entre os 35-70 anos, no entanto a probabilidade de se desenvolver aumenta à medida que se envelhece. O início do seu desenvolvimento é silencioso, o que dificulta o diagnóstico. Quando se manifesta podem surgir: (I) dor na região central e superior do abdómen ou das costas; (II) icterícia (cor amarela) na pele e olhos; (II) urina escura; (III) perda de apetite, náuseas, vómitos, perda de peso; (IV) cansaço fácil; (V) presença de alimentos mal digeridos nas fezes; (VI) diabetes.

Este cancro é tratado com recurso à cirurgia, com a remoção do pâncreas e estruturas envolventes que possam estar afectados (o que pode não ser possível). Posteriormente o tratamento será complementado com quimioterapia e radioterapia. A taxa de sobrevivência é baixa, uma vez que é detectado normalmente em fases avançadas.

António Feio, do alto da sua extrema capacidade de ironizar, de viver intensamente a sua vida, sempre adoptou uma atitude serena e de esperança. Para terminar fica a entrevista concedida no ano passado à SIC, onde aborda a sua doença.

 

Miguel Oliveira

Sobre Miguel Oliveira

Miguel Oliveira é licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian – Universidade do Minho (2007). Pós-Graduado em Neuropsicologia de Intervenção pelo CRIAP/Associação Portuguesa de Neuropsicologia (2010). Atualmente exerce a profissão no Reino Unido.