Adoptar um estilo de vida saúdavel

Programar a mente para a saúde

Muitas pessoas estão, neste preciso momento, doentes mas ainda não o sabem. Várias enfermidades atacam silenciosamente durante anos sem quaisquer sinais da sua permanência. Em outros casos (talvez a maioria), são as pessoas que, inadvertidamente, estão a promover condições para o aparecimento de doenças e outras mazelas sem que disso tenham, todavia, consciência. Ou se têm, como também acontece, preferem ignorar as advertências e os sinais de alerta porque simplesmente se sentem, por enquanto, bem. A grande maioria das pessoas nasce para viver com saúde. É o estado de equilíbrio para o qual tende a vida. Contrariamente ao que se possa imaginar, os nossos genes desconhecem o envelhecimento e possuem três características que lhes garantem um percurso bem sucedido: têm capacidade para se reproduzirem imensas vezes dando origem a genes idênticos e transmitem-se de geração em geração, até mesmo de espécie em espécie, por enormíssimos períodos de tempo. Devido a esse conjunto de aptidões é que certos genes se mantêm inalterados desde há muitas centenas de milhões de anos, estando distribuídos pelas diferentes espécies de seres vivos. Cada um de nós carrega em si todo um código genético que determina um conjunto de características a que podemos chamar personalidade (aqui entendida como o conjunto de aspetos biológicos, psicológicos e comportamentais que nos diferencia dos demais seres humanos) e que, em boa medida, é responsável pela nossa capacidade de resistência à doença. E isto acontece porque os genes têm como finalidade reproduzirem-se necessitando dos organismos para sobreviverem.  Cumprida essa missão, que resulta na sua transferência (através da fecundação dos hospedeiros) para as gerações seguintes, o nosso envelhecimento é inevitável: a natureza, muito simplesmente, prescinde de nós e resta-nos a morte. Quer isto também dizer que o fim da vida de cada um está programada? Até certo ponto podemos encarar que sim devido aos limites de resistência do nosso organismo ao envelhecimento. Mas isto não é de forma alguma uma programação feita com um grande rigor. E porquê? Porque nós temos também um grande poder sobre a vida! E, por isso mesmo, no que aos nossos genes diz respeito, nem tudo são más notícias. Muitos fatores, como os psicológicos, os  comportamentais, os sociais e os ligados ao meio ambiente em que estamos inseridos, podem influenciar a qualidade de vida e a longevidade do organismo. Assim sendo, resta constatar que nem sempre se morre de velhice só porque os genes assim o estabeleceram. Acidentes à parte, adoece-se e pode-se morrer por razões que nada têm a ver com os fatores genéticos (embora eles também tenham uma palavra a dizer no que diz respeito, por exemplo, à qualidade do sistema imunológico e à sua capacidade de nos defender de doenças). É verdade que os genes “desejam” que os organismos sejam saudáveis e se reproduzam para que eles possam espalhar-se na população mantendo a continuidade da nossa espécie (o mesmo acontece com os outros seres vivos). As muitas centenas de milhões de células dos nossos filhos contêm os genes que lhes transmitimos. Se forem bons terão mais probabilidades de gozarem de melhor saúde, terem filhos e viverem mais tempo. O contrário ditará, mais cedo ou mais tarde, problemas. São os genes os responsáveis, total ou parcialmente, por muitas doenças, malformações e degenerescências. O nosso organismo está envolvido a todo o momento em milhões de processos biológicos de variada natureza. São esses processos que fazem o nosso coração circular o sangue por todo o corpo transportando nutrientes vitais. São eles que nos permitem respirar, que nos fornecem o sono para recuperarmos as energias, que nos facultam aptidões como pensar, imaginar, falar, ver, ouvir e aprender. A lista de recursos e possibilidades que o organismo nos faculta é, de facto, imensa e variada. Permite-nos pois a experiência do viver – algo que poucos, muito poucos, recusarão. É muito estranho aquele tipo de desculpas que algumas pessoas usam para justificar maus hábitos de saúde e que se resume à óbvia e inatacável constatação de que “para morrer basta estar vivo”.  Por exemplo, os viciados em tabaco tendem a defender-se argumentando que há muita gente que é vítima de cancro do pulmão sem nunca ter pegado num cigarro como se isso bastasse para nos convencer de que tudo se resume a uma espécie de lotaria. Também os gulosos, os daquele estilo que só param de comer quando já têm o estômago pronto a rebentar, parecem ter prazer em desafiar os mais comedidos nestas questões de apetite com desculpas do género “não tenho de me preocupar, os resultados das análises que fiz no ano passado estavam excelentes”. Infelizmente, o vício e a gula, tal como a soberba, costumam ter um preço elevado e não se importam de esperar pelos seu efeitos. Mais cedo ou mais tarde chega a hora da verdade e o panorama pode ser tudo menos radioso 10 ou 20 anos depois.

O Relógio da Vida: a saúde em devido tempo

saúde

A perceção que temos do tempo é que ele é linear (parece existir no sentido do passado para o futuro) e simultaneamente cíclico (a noite e o dia, as estações do ano que se repetem, etc.).

TER OU NÃO TER SORTE NA SAÚDE

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Para muitas pessoas, o fator sorte tem um grande peso na saúde. Ou seja, para elas esta depende muito de circunstâncias que escapam ao seu controlo. E daí a sua influência por vezes dramática nos diferentes domínios da vida.

Não deixe a sua saúde pendurada!

A proposta que vos trago é de reflexão com base no resumo de quatro estudos referenciados no jornal electrónico New Scientist, na secção de saúde, e que considerei interessantes na medida em que nos falam de coisas simples, evidentes ao olhar e que se encontram provadas por estudos científicos. Quantos de nós não ouvimos já falar que a falta de atividade física não faz bem nenhum? Que a vida sedentária que hoje todos levamos, miúdos e graúdos, tem impactos nefastos na nossa saúde? Cada vez mais somos instigados a sair da cadeira ou do sofá e a ir dar uma caminhada de 30’. E nas escolas? O trabalho tem de ser feito pela mudança de atitude, pela perseverança e através do “eu sou capaz” e, aos poucos, tudo se torna acessível, possível e… porque não? A inatividade física mata tantas pessoas como o tabaco Se é daquelas pessoas que necessita de um tratamento de choque para alterar os seus hábitos tome nota: a falta de atividade física mata aproximadamente tantas pessoas quanto fumar. Essa é a mensagem chocante de uma série de artigos publicados esta semana sobre o impacto da saúde versus inatividade. Os documentos publicados na conceituada revista The Lancet sugerem que mais de 5,3 milhões de mortes poderiam ser evitadas a cada ano se todas aquelas pessoas inativas tivessem praticado exercício, e o mesmo quando se olha para as 5 milhões de mortes anuais por tabagismo. A prática de 150 minutos, ou mais, de exercícios moderados como é o exemplo da caminhada de que já falámos noutras partilhas poderiam evitar essas mortes. I-Min Lee, chefe de equipa da Harvard Medical School, refere num dos trabalhos publicados que pretende calcular o número de mortes que seriam evitadas se todas as pessoas no mundo fossem ativas. Assim, com base em dados de 2008, analisou as mortes causadas por doenças graves associadas à falta de exercício: doença cardíaca coronária, diabetes tipo 2, cancro do intestino, cancro de mama, e cruzou os dados dos óbitos com informação sobre os níveis de exercício em cada país. As conclusões revelaram que, se todos atingissem os seus objectivos semanais de exercício: cerca de 6 por cento dos que morreram de ataques cardíacos globalmente teriam sobrevivido; 7 por cento dos que morreram de diabetes tipo 2; 10 por cento daqueles que morreram de cancro de mama ou cólon. Saúde e a pandemia da inatividade O principal autor de outro artigo publicado também no The Lancet, Harold Kohl, considera que as transformações ocorridas nas populações que conduziram à mecanização, industrialização e à dependência de carros, relegaram a atividade física para fora das vidas das pessoas e que, agora, os resultados estão a matar-nos. Harold Kohl, da Universidade do Texas Health Sciences Center, em Houston, diz que os números significam que a inatividade criou um quotidiano moderno que se expandiu numa “pandemia“, provocada pela mecanização do trabalho diário e a vida doméstica, a facilidade de transporte e a prevalência de lazer sedentário como os jogos de computador e a permanência frente à televisão. Este autor defende uma ação global para reverter a situação. Noutro artigo, Pedro Hallal da Universidade Federal de Pelotas no Brasil constatou que, globalmente, 42 por cento dos adultos passam mais de quatro horas por dia sentados, e 2/3 dos adolescentes passam duas horas a ver televisão, sem pausa, por dia. Este autor considera que tal situação não deve ser atribuída à falta de motivação das pessoas, mas sim na escassez de ambientes que fomentem o movimento e o exercício, como andar a pé ou de bicicleta. Forçados a caminhar Mais de 100 cidades na América do Sul tiveram algum sucesso no combate à inatividade com a seguinte estratégia: periodicamente, fecham estradas de grande tráfego. O movimento “Ciclovia” começou há 30 anos em Bogotá, na Colômbia: aos domingos de manhã, “Em 72 dias do ano, 100 Km de ruas da cidade são fechadas ao trânsito”, adianta Gregory Heath, da Universidade do Tennessee em Chattanooga, que avaliou diferentes intervenções em todo o mundo que funcionassem melhor para ajudar as pessoas a retomarem a atividade física. Heath diz que pelo menos um milhão de pessoas aproveitam o “Ciclovia” em Bogotá, com uma actividade média de 140 a 180 minutos por semana, e permite a cerca de 14% da população do país cumprir os seus objectivos semanais de exercício. Heath estudou também a utilização de pedómetros, que medem o número de passos que uma pessoa faz diariamente, e concluiu que são ferramentas extremamente eficazes para motivar as pessoas a caminhar e a se exercitarem mais. “Eles dão um feedback, assim as pessoas podem ver o quanto fazem e estabelecer metas pessoais“, diz o autor. Os Jogos Olímpicos não ajudam Apesar de os Jogos Olímpicos estarem aí, é improvável que venham a inspirar as pessoas a se exercitarem mais. Adrian Bauman, da Universidade de Sidney, na Austrália, é autor de um estudo que explora o que motiva algumas pessoas a se exercitarem em detrimento de outras motivações. Ele considera que “Os desportos olímpicos são uma coisa de elite, associado ao orgulho nacional, mas não são encarados como atividade física para o quotidiano”. Na sua investigação demonstrou que os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, não tiveram impacto sobre os níveis de atividade física na Austrália. “O desporto de alto rendimento não é o caminho para diminuir a pandemia de inatividade física”, refere o autor. Bauman considera que a resposta está na atitude a adotar nas escolas; valorizar as atividades apreciadas pelos alunos para as manter ao longo da vida, em vez de se privilegiar atletas vencedores. [fonte] Fonte de Informação: http://www.newscientist.com/article/dn22072-physical-inactivity-kills-as-many-people-as-smoking.html [/fonte]