O Relógio da Vida: cada pessoa tem o seu ritmo biológico

Já reparou que há pessoas que trabalham melhor de manhã e outras de tarde. Porquê? Leia este artigo e saiba mais sobre o seu relógio da vida.
O Relógio da Vida: compreender os ritmos biológicos

O tempo sujeita o corpo aos seus caprichos e aquele funciona de acordo com ritmos. Mas o que é isso de “ritmos biológicos“? Um ritmo é uma variação periódica de algo no tempo. Por exemplo, o ritmo do coração é um bom exemplo. Em média e numa situação de repouso o coração humano bate cerca de 70 vezes por minuto. Já de noite ou em estado induzido de relaxamento (através da meditação ou de medicamentos) esse ritmo pode descer até 50 pulsações por minuto. Um ritmo tem várias características, a saber: período – é o espaço de tempo entre dois eventos regulares (por exemplo, as batidas do coração); o período dos ritmos corporais mede-se em segundos, minutos, 24 horas, 28 dias, um ano, etc.); o chamado “ritmo circadiano” é o mais estudado – representa o espaço de tempo de 24 horas em que ocorre a alternância dia e noite; existe também o “ritmo circamensal” (cerca de 28 dias) e o “ritmo circanual” (cerda de um ano); fase – é o ponto mais elevado ou mais baixo de uma variação; a “acrofase” é a fase mais elevada (ou pico de uma atividade corporal) e a “batifase” indica o valor mais baixo de um ritmo; amplitude – é a diferença entre os valores mais baixos e mais altos obtidos durante cada período; nível médio do ritmo – dá-nos a média do ritmo após várias verificações; esta análise é importante na prática médica nomeadamente quanto à administração de medicamentos e suas dosagens. Alguns exemplos são suficientemente esclarecedores. Sabia que o ser humano foi programado para nascer às 4 horas (de madrugada) e na Primavera? Que o rendimento escolar é melhor conseguido entre as 10 e as 18 horas? Que os recordes de atletismo são mais viáveis durante o dia do que depois do anoitecer? Que o cérebro segue ritmos distintos conforme as suas regiões tal como acontece com as capacidades funcionais dos dois hemisférios (direito e esquerdo) que têm picos de atividade em horas diferentes?! O nosso “relógio biológico” é controlado por uma estrutura nervosa no cérebro – o chamado núcleo supraquiasmático, localizado no hipotálamo anterior – que marca todas as funções do organismo, ditando os ritmos relacionados com a duração do dia (níveis de luz), da temperatura corporal, etc.
O Relógio da Vida: os nossos ritmos biológicos!

Porque é que à noite temos sono? Porque é que a temperatura corporal sobe ao fim do dia? Porque é a pressão arterial aumenta de manhã? Porque é que tanto os alimentos como os medicamentos têm efeitos diferentes conforme as horas do dia? Porque é que às 3 da manhã estamos no momento mais fraco de concentração? Estas são perguntas lícitas que pertencem a um domínio que raramente vemos publicado (e divulgado) não obstante a sua indiscutível importância para o bom funcionamento orgânico e a manutenção da saúde e do bem-estar, incluindo a nossa sobrevivência: os ritmos biológicos! Chama-se “cronobiologia” ao ramo da ciência que estuda a organização temporal dos organismos vivos e dos mecanismos que controlam os diferentes sistemas vitais e as atividades químicas e elétricas de cada órgão. Verifica-se então que a organização temporal da vida tem um enorme efeito sobre as estruturas e as dinâmicas dos seres vivos (e não só). Ou seja, o tempo, para nós, (que podemos dividir em segundos, minutos, horas, semanas, meses, estações do ano e anos) não é algo linear. Peguemos em dois exemplos: um condutor de automóvel corre muito mais riscos de ter um acidente de automóvel entre as 3 e as 4 da manhã numa estrada sem tráfego do que durante o dia no meio do caos urbano; as pessoas correm maior risco de sofrerem um ataque cardíaco entre as 6 e as 9 horas da manhã no inverno do que ao fim do dia e no verão. Ocorreu uma vez um grave acidente aéreo nos Estados Unidos em que pereceram todos os passageiros e tripulantes por razões durante muito tempo inexplicáveis quando estava tudo bem com o avião e com as condições atmosféricas. Depois de longas investigações chegou-se à conclusão que os pilotos cometeram graves erros minutos antes do acidente porque os seus cérebros estavam a funcionar como se fosse 5 horas mais tarde e, por isso, não estavam nas melhores condições para tomarem decisões (tinham dormido muito pouco e mal nas últimas 24 horas em que atravessaram vários fusos horários). O estado do nosso organismo varia pois em função das horas, dos dias e dos meses. Por exemplo, o nosso corpo “fabrica” mais cortisol (a hormona do stress) de manhã, por volta das 8 horas, do que noutras horas (e daí o risco de mais problemas cardiovasculares nesse período). Outro pico é o da prolactina que ocorre de noite quando as secreção do cortisol é mais fraca. A prolactina é uma hormona produzida numa área do cérebro chamada “hipófise” que coordena outras glândulas vitais do corpo e está implicada em aptidões como a memória, o raciocínio e o próprio desempenho da inteligência). Os “ritmos biológicos” nos seres vivos (animais e plantas) têm uma origem genética, são hereditários e visam o equilíbrio e a eficiência corporal, a adaptação ao ambiente, a saúde e a sobrevivência.