Adoptar um estilo de vida saúdavel

Lar doce lar

lar-doce-lar

Grande parte da nossa vida é passada em casa – mas o que distingue a casa de um lar? Faça uma reflexão sobre isso.

O Sofrimento e o Tempo

sofrimento, percepção do tempo

É difícil avaliar de forma precisa o sofrimento de outra pessoa. A única maneira de avaliar o sofrimento é perguntar ao doente. Mas perguntar o quê?

O Ótimismo Trágico de Viktor Frankl

O que significa ver a vida com um otimismo trágico? O que nos leva a manter a esperança, a sanidade mental, sobrevivendo em circunstâncias extremas?

Todos unidos pela saúde!

A chegada de um novo ano é, invariavelmente, uma oportunidade para nos renovarmos e projectarmos no futuro os nossos maiores anseios. Neste novo ano de 2016 desejemos que a promoção da saúde seja uma missão de todos nós em conjunto e que não seja vista como uma questão individual e da responsabilidade só daqueles que já foram directamente afectados pela doença.

A saúde como valor

A saúde é um bem precioso demais para a negligenciarmos. Para a maioria das pessoas, a saúde está à frente da felicidade na escala das suas preocupações centrais. Isso é bom. São estados que se relacionam entre si. Por isso é que as pessoas felizes têm geralmente melhores defesas imunitárias e vivem mais tempo. E a saúde é, por si só, condição necessária para aquela sensação de bem-estar e prazer de viver que está ligada ao sentimento de felicidade. É sabido que cada pessoa reage de forma distinta àquilo de que se alimenta e às condições ambientais em que vive – fatores que, não sendo únicos, influenciam bastante o estado de saúde. As causas das doenças nem sempre são claras. Há detalhes de natureza genética e de personalidade que tornam algumas pessoas mais resistentes (pelo menos durante mais tempo) aos ataques de vírus, bactérias, alergénicos, fungos, radicais livres, pressão alta e muitos outros intrusos ou anomalias pouco recomendáveis. Não é invulgar encontrar-se pessoas que, tendo levado vidas problemáticas, com múltiplas contrariedades e alimentação desequilibrada, acabam por morrer de longevidade e não por causa de uma qualquer doença. Outras situações também podem surpreender-nos mas por razões contrárias. É o caso de muitas pessoas jovens que, contra todas as expectativas e desafiando o seu aparente bom estado de saúde, morrem subitamente de paragem cardíaca. Estes exemplos servem também para demonstrar que a capacidade do corpo humano para lidar com a doença é bastante flexível e individualizada. De uma coisa, porém, não devemos ficar dependentes: do fator sorte. É que nenhum de nós, por muitos exames médicos que faça, consegue conhecer suficientemente bem o corpo para saber o que nos pode acontecer nos próximos minutos ou num qualquer ponto do futuro. Confiar no facto de haver pessoas “que comem de tudo”, “resistem a tudo” e só morrem de velhice é extremamente arriscado. Primeiro, porque a percentagem desses valentões é extremamente baixa; segundo, porque os fatores de risco são tantos que as melhores defesas são, neste caso, a prevenção. A prevenção dá-nos maiores garantias de atingirmos e mantermos uma saúde ótima. E uma consciência tranquila oferece-nos confiança e serenidade.

Programar a mente para a saúde

Muitas pessoas estão, neste preciso momento, doentes mas ainda não o sabem. Várias enfermidades atacam silenciosamente durante anos sem quaisquer sinais da sua permanência. Em outros casos (talvez a maioria), são as pessoas que, inadvertidamente, estão a promover condições para o aparecimento de doenças e outras mazelas sem que disso tenham, todavia, consciência. Ou se têm, como também acontece, preferem ignorar as advertências e os sinais de alerta porque simplesmente se sentem, por enquanto, bem. A grande maioria das pessoas nasce para viver com saúde. É o estado de equilíbrio para o qual tende a vida. Contrariamente ao que se possa imaginar, os nossos genes desconhecem o envelhecimento e possuem três características que lhes garantem um percurso bem sucedido: têm capacidade para se reproduzirem imensas vezes dando origem a genes idênticos e transmitem-se de geração em geração, até mesmo de espécie em espécie, por enormíssimos períodos de tempo. Devido a esse conjunto de aptidões é que certos genes se mantêm inalterados desde há muitas centenas de milhões de anos, estando distribuídos pelas diferentes espécies de seres vivos. Cada um de nós carrega em si todo um código genético que determina um conjunto de características a que podemos chamar personalidade (aqui entendida como o conjunto de aspetos biológicos, psicológicos e comportamentais que nos diferencia dos demais seres humanos) e que, em boa medida, é responsável pela nossa capacidade de resistência à doença. E isto acontece porque os genes têm como finalidade reproduzirem-se necessitando dos organismos para sobreviverem.  Cumprida essa missão, que resulta na sua transferência (através da fecundação dos hospedeiros) para as gerações seguintes, o nosso envelhecimento é inevitável: a natureza, muito simplesmente, prescinde de nós e resta-nos a morte. Quer isto também dizer que o fim da vida de cada um está programada? Até certo ponto podemos encarar que sim devido aos limites de resistência do nosso organismo ao envelhecimento. Mas isto não é de forma alguma uma programação feita com um grande rigor. E porquê? Porque nós temos também um grande poder sobre a vida! E, por isso mesmo, no que aos nossos genes diz respeito, nem tudo são más notícias. Muitos fatores, como os psicológicos, os  comportamentais, os sociais e os ligados ao meio ambiente em que estamos inseridos, podem influenciar a qualidade de vida e a longevidade do organismo. Assim sendo, resta constatar que nem sempre se morre de velhice só porque os genes assim o estabeleceram. Acidentes à parte, adoece-se e pode-se morrer por razões que nada têm a ver com os fatores genéticos (embora eles também tenham uma palavra a dizer no que diz respeito, por exemplo, à qualidade do sistema imunológico e à sua capacidade de nos defender de doenças). É verdade que os genes “desejam” que os organismos sejam saudáveis e se reproduzam para que eles possam espalhar-se na população mantendo a continuidade da nossa espécie (o mesmo acontece com os outros seres vivos). As muitas centenas de milhões de células dos nossos filhos contêm os genes que lhes transmitimos. Se forem bons terão mais probabilidades de gozarem de melhor saúde, terem filhos e viverem mais tempo. O contrário ditará, mais cedo ou mais tarde, problemas. São os genes os responsáveis, total ou parcialmente, por muitas doenças, malformações e degenerescências. O nosso organismo está envolvido a todo o momento em milhões de processos biológicos de variada natureza. São esses processos que fazem o nosso coração circular o sangue por todo o corpo transportando nutrientes vitais. São eles que nos permitem respirar, que nos fornecem o sono para recuperarmos as energias, que nos facultam aptidões como pensar, imaginar, falar, ver, ouvir e aprender. A lista de recursos e possibilidades que o organismo nos faculta é, de facto, imensa e variada. Permite-nos pois a experiência do viver – algo que poucos, muito poucos, recusarão. É muito estranho aquele tipo de desculpas que algumas pessoas usam para justificar maus hábitos de saúde e que se resume à óbvia e inatacável constatação de que “para morrer basta estar vivo”.  Por exemplo, os viciados em tabaco tendem a defender-se argumentando que há muita gente que é vítima de cancro do pulmão sem nunca ter pegado num cigarro como se isso bastasse para nos convencer de que tudo se resume a uma espécie de lotaria. Também os gulosos, os daquele estilo que só param de comer quando já têm o estômago pronto a rebentar, parecem ter prazer em desafiar os mais comedidos nestas questões de apetite com desculpas do género “não tenho de me preocupar, os resultados das análises que fiz no ano passado estavam excelentes”. Infelizmente, o vício e a gula, tal como a soberba, costumam ter um preço elevado e não se importam de esperar pelos seu efeitos. Mais cedo ou mais tarde chega a hora da verdade e o panorama pode ser tudo menos radioso 10 ou 20 anos depois.

A banalidade do mal: confundir conforto com bem-estar

O “conforto” pode ser perigoso e nada saudável, sobretudo quando o confundimos com “bem-estar”. O autêntico “bem-estar” tem mais a ver com saúde, e, por conseguinte, é algo bem mais seguro e preferível. A filósofa Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal” a tudo aquilo que os humanos podem acostumar-se de bom grado mesmo que, em sua justiça, tenham consciência ou conhecimento de que lhes poderá trazer malefícios (a si mesmos e aos outros). Somos seres de hábitos aprendidos (a maioria daquilo que nos faz ser quem somos é aprendido!) e, como tal, educam-nos e educamo-nos para aderir com grande facilidade às inúmeras situações de conforto que abundam na nossa sociedade. Gostamos de estar confortavelmente sentados (e isso pode ser merecido e perfeitamente justificado) como podemos gostar de alimentos super agradáveis mesmo que sejam completamente artificiais e carregados de aditivos (que provocam dependência). É óbvio que, nestas coisas, a quantidade conta mas isso leva a que, muitas vezes, facilitemos a repetição dos erros (com desculpas ao estilo de “uma só vez não faz mal” e que servem apenas para apaziguar ou enganar a consciência!). Há pessoas que fazem isso durante anos ao ponto da sua vida e o seu aspecto mudarem: engordam, desenvolvem doenças, deformam-se, tornam-se mais lentos e envelhecem mais rapidamente. A esse conforto podem chamar-lhe bem-estar (apenas porque se sentem bem) mas estão errados. Saúde e bem-estar: dois conceitos interligados O verdadeiro bem-estar tem a ver com a saúde. E todo o conforto que atente contra a saúde não é bem-estar. Para que o conforto faça parte do nosso bem-estar temos de ver as coisas de forma mais racional colocando a saúde em primeiro lugar (e não fazer disso um jogo de lotaria, confiando na sorte). Quase todo o conforto moderno contém uma dose perigosa de risco. Não dependerá apenas da dosagem mas da própria natureza e do tipo de confortos a que nos entreguemos. Isso é óbvio. Para irmos mais longe nesta curta reflexão pensemos que o nosso organismo não está adaptado ao estilo de vida actual, de que fazem parte, por exemplo, os alimentos processados industrialmente e onde impera, entre outros venenos, o açúcar refinado. Somos seres vivos preparados para ambientes completamente diferentes daqueles em que, provavelmente, viveremos toda a nossa vida. E não será nos próximos tempos que a evolução biológica (que é lenta) vai tornar-nos aptos para o mundo moderno. Basta pensar que embora tenhamos aumentado a esperança de vida (devido, sobretudo, a mais higiene e melhores medicinas) surgiram inúmeras doenças de incompatibilidade que antigamente eram mais raras com a diabetes tipo 2, certos cancros como o do cólon, a osteoporose, doenças cardíacas, obesidade mórbida, entre outras. Para contrariar as duas horas que estive aqui sentado a trabalhar, vou dar uma caminhada. [fonte] Créditos da imagem: http://www.mirror.co.uk/news/technology-science/the-obesity-epidemic—whats-going-255260 [/fonte]

O Relógio da Vida: o equilíbrio biológico na saúde

Com o desenvolvimento da sociedade industrial e a ampliação do tempo de atividade, os seres humanos passaram a andar, em geral, descoordenados do seu relógio biológico. E então temos atualmente uma sociedade ensonada e cansada na maior parte dos dias. Viajamos de noite, divertimo-nos de noite, dormimos de dia, trocamos as horas de comer e sofremos de “jet-lag” (que significa uma descompensação horária originando uma extrema fadiga decorrente de alterações no ritmo circadiano). Com isto estamos, muitas vezes, a submeter o nosso organismo a um stress tal que pode fazer perigar a nossa vida. Como já vimos, cada sistema do nosso organismo tem o seu ritmo biológico. Num organismo saudável o conjunto de ritmos estão coordenados, o que permite que o corpo responda com eficácia a todas as variações ambientais. Uma boa noite de sono é reparadora e permite um dia em que o desempenho é mais elevado do que num dia em que dormimos pouco. Mesmo dormindo de dia a recuperação nunca é total porque o sono diurno é diferente do sono noturno. Os efeitos cognitivos do ritmo biológico são também notáveis. Por exemplo, a eficácia da concentração e da memória não dependem apenas da motivação e do empenho mas também das horas do dia. É depois das 10 da manhã que a aprendizagem é mais fácil. À tarde funciona melhor a memória de longo prazo. Em alguns sujeitos é por volta das 20 horas que o estudar é mais produtivo. De facto, a concentração aumenta lentamente ao longo do dia e diminui depois das 21 horas atingindo o seu ponto mais baixo entre as 3 e as 5 horas da manhã – precisamente o período em que, comparativamente ao que se passa de dia, há maior probabilidade de acidentes rodoviários. Também sabemos que a concentração no sangue de várias hormonas como o cortisol, a testosterona, a adrenalina e a noradrenalina é menor precisamente nos picos de fadiga. Por sua vez, a ingestão de tranquilizantes ou de estimulantes conforme a hora do dia vai também alterar o ritmo biológico do cérebro e os efeitos dos químicos ingeridos. Há situações em que ficamos próximos da toxidade máxima correndo perigo de vida sem darmos conta. Será necessária uma educação médica sobre a matéria para que se consiga obter a melhor conjugação entre a ingestão de alimentos e medicamentos e as horas de recetividade ideal do organismo. A importância do equilíbrio biológico Concluindo, a toda a hora o nosso metabolismo apresenta uma dinâmica de acordo com o relógio da vida. Não há ainda aparelhos que permitam dizer-nos com exatidão quais as horas do dia, do mês e do ano em que estamos mais aptos a lidar com os diferentes componentes da vida. Embora saibamos que o Inverno “mata” mais do que o Verão ou que o álcool de manhã é mais tóxico para o organismo do que de madrugada (embora de noite tenha um efeito mais perigoso no cérebro reduzindo a capacidade de reflexos) o resto é ainda uma grande incógnita tanto mais que cada pessoa tem caraterísticas individuais únicas. A minha sugestão é que adotemos tanto quanto possível um estilo de vida que nos aproximem dos ritmos e dos ambientes naturais. Somos seres vivos e não máquinas. Estamos sujeitos às leis da vida e não às da morte mas frequentemente estamos mais perto da condenação à finitude do que da energia que nos fornece vitalidade. Neste capítulo, o autoconhecimento é de uma importância vital!

Ligue os seus “botões mentais”

O desenvolvimento da nossa personalidade no sentido da “excelência” ou da “otimização” da pessoa que somos e de como tomamos decisões e nos comportamos está muito dependente da nossa vontade. Muitas vezes temos perfeita consciência de que há aspetos em que poderemos francamente melhorar mas vamos adiando a hora de iniciarmos uma mudança efetiva. É praticamente como deixar um vício: vamos sucessivamente adiando para amanhã…. num eterno adiar. Infelizmente, até na prevenção da saúde isso acontece. O segredo talvez esteja em começarmos por pequenas operações que, a pouco e pouco, se vão-enraizando na nossa mente, estabelecendo novas configurações. Na verdade, é um processo de aprendizagem e, como tal, a melhor maneira de o fazermos é definir metas alcançáveis e introduzindo pequenas estratégias. O cérebro é nosso amigo! Afinal, ele é nosso. É nele que temos “guardadas” coisas como a nossa autoconsciência (a consciência de quem somos), a nossa memória, os nossos saberes, as nossas emoções e tudo o mais que nos permite viver plenamente! Iniciar a Mudança O investigador Ken Robinson lançou, em 2009, o livro que levaria o título de “O Elemento” na edição portuguesa (2010). Ele chama de “elemento” o ponto onde a nossa aptidão natural e a paixão pessoal se encontram. As pessoas que conseguem estar no seu “elemento” são levadas para além das experiências comuns de prazer e felicidade. Diz o autor: «quando entramos no nosso “elemento”, ligamo-nos a algo fundamental para a nossa identidade, o nosso desígnio e o nosso bem-estar. Recebemos um sentido de auto-revelação, compreendemos quem realmente somos e o que é suposto fazermos das nossas vidas». Todo o caminho de mudança passa pela conjugação de três verbos: ter, adorar e querer. “Ter” é a capacidade para fazer algo. Envolve os nossos recursos como a inteligência, a motivação, a capacidade de realizar algo, um talento ou um saber. “Adorar” é aplicar outra capacidade: a de gostar muito de algo que pode fazer-nos felizes, como o próprio desejo de crescimento pessoal. Está ligada à motivação e ao prazer de conseguirmos algo porque nos apaixonamos por ela. Finalmente, o “querer” afeta o nosso carácter, a autoestima, a perceção que temos de nós mesmo e dos outros, bem como as expetativas deles em relação a nós. Os “Botões Mentais” Imagine que temos uns botões mentais em que podemos mexer. É assim que eu faço quando quero mudar algo em mim. Tenho o “botão da saúde”, o “botão das emoções”, etc. Poderá parecer muito racional, mas não é. É uma questão de auto-disciplina pois a nossa mente é um bocado caótica se não a organizarmos. Eis os principais botões: Competências > traduz a capacidade da pessoa para lidar com os desafios e obrigações da vida e que lhe permitam ser autónomo. Envolve variáveis de tipo cognitivo, emocional e social. Com elas valorizamo-nos! Cognição > diz respeito às atividades do pensamento, do raciocínio, da perceção, da memória, da aprendizagem, da criatividade e da inteligência, entre outras. Com ela podemos desenvolver ainda mais o nosso “poder mental”! Sabedoria > forma de conhecimento extenso que depende da experiência de vida, envolvendo alguma combinação entre inteligência e criatividade, e que permite obter um discernimento pragmático sobre os problemas e situações do dia-a-dia e/ou profissionais e sociais. É mais do que simplesmente “conhecer” e torna a pessoa cativante! Saúde > estado geral do indivíduo e que está associado à noção de bem-estar. É fundamental para que a nossa vida siga reforçada por um bom funcionamento do organismo! Satisfação de Vida > avaliação que permite às pessoas refletir sobre as discrepâncias percebidas entre as aspirações e a realizações conseguidas. Bem-estar Psicológico > sentimento de satisfação que envolve a autoestima, o ânimo, o equilíbrio afetivo, a autoimagem e outras dimensões. É determinante!

Tenha a coragem de exprimir o que sente!

Na sequência dos artigos anteriores, este mês continuamos a reflectir acerca dos 5 maiores arrependimentos verbalizados por doentes terminais acompanhados pela enfermeira australiana Bronnie Ware. A razão pela qual este estudo se tem revelado tão impressionante é o facto de nos permitir reflectir acerca de questões importantes que afectam a nossa qualidade de vida e bem-estar mas que, infelizmente, temos dificuldade em aprofundar quando tudo corre, aparentemente bem. Em contrapartida, a proximidade com uma experiência limite torna mais clara a nossa visão sobre essas questões. Então, aproveitemos para preventivamente fazer esta reflexão pois, no final o que realmente importa é a qualidade da vida que escolhemos ter, apesar das circunstâncias. Assim, o terceiro maior arrependimento verbalizado pelos doentes de Bronnie foi a falta de coragem para exprimirem os seus sentimentos de um modo franco. Muitas pessoas reprimem as suas emoções para conseguirem manter relações mais pacíficas, não desiludindo ou contrariando os outros, contudo, o resultado acaba por ser a aceitação resignada de uma existência medíocre e a sensação de nunca terem sido capazes de se assumirem como realmente são. Esta repressão, muitas vezes conduz à doença pois deste modo a vida vai sendo vivida com o peso da amargura e do ressentimento. Por trás desta decisão de sacrificar o bem-estar pessoal em prol dos outros está, muitas vezes, a crença na inevitabilidade de recuperar do sofrimento causado pela perda dos laços afectivos com os outros, aqueles a quem não se quer desiludir ou magoar. Contudo, é também sacrificada a oportunidade de construir relações realmente gratificantes para todos os intervenientes, pois tratar-se-ão, de relações assentes em alicerces frágeis. Por outro lado, também se compromete o desenvolvimento pessoal na medida em que ocorre um lamentável desperdício de tempo e energia, investidos em relações patológicas e nada gratificantes, as quais eventualmente só não se transformam em algo novo pela dificuldade de arriscarmos sermos nós próprios. A verdade é que muitas vezes é possível descobrir, agradavelmente, que os outros têm muito mais disponibilidade para aceitarem o nosso verdadeiro eu do que julgávamos, desde que o façamos com a capacidade de aceitar também no outro os seus próprios sentimentos. É esse o verdadeiro teste ao amor que temos por quem nos é próximo e, acima de tudo, ao nosso amor-próprio, tão ou mais importante do que qualquer outro. Então, arrisquemos a sermos nós próprios e a exprimirmos os nossos verdadeiros sentimentos reconhecendo o mesmo direito a quem amamos. [fonte]Créditos da imagem: http://www.bloglovin.com/blogs/cubicle-refugee-2227519?blog=2227519&post=2409967713&viewer=true [/fonte]