Cancro da laringe: o melhor é prevenir

A evolução do panorama da oncologia em Portugal e no mundo tem gerado grandes desafios.
Portugal é um dos países da Europa com maior incidência de cancro da laringe. Surgem cerca de 600 novos casos por ano o que corresponde a 2% de todos os cancros diagnosticados no país.

A laringe é um órgão muito importante do sistema respiratório, mede aproximadamente 5 cm, encontra-se localizado entre a língua e a traqueia. A sua mucosa é constituída por tecido epitelial e cartilagem e é aqui que se encontram as cordas vocais responsáveis pela voz.

É também através da laringe que passa o ar que respiramos e os alimentos que comemos, tornando-a assim imprescindível.

É difícil descrever com precisão as causas do cancro da laringe, no entanto existe conhecimento sobre os fatores de risco a ele associados, sendo estes:

– O tabaco; fumar constitui a causa da maioria dos cancros da laringe. Pessoas que fumam há vários anos apresentam maior risco.

– O álcool; também é conhecido que o consumo excessivo de álcool aumenta o risco deste tipo de cancro. De salientar que este associado ao tabaco aumenta 200 vezes o risco da doença.

– Os pesticidas, as tintas e o fumo passivo também contribuem para o aparecimento da doença, sendo um risco acrescido para os pintores, soldadores, trabalhadores da construção civil, pessoas expostas a pó da madeira, a gasóleo, a gasolina, ao amianto e pessoas expostas a radioterapia no pescoço.

– O refluxo gastroesofágico é também considerado como fator de risco para o cancro da laringe uma vez que provoca lesões de repetição no local;

– A infeção pelo vírus papiloma humano (HPV), nomeadamente as estirpes 16, 18 e 33 também contribuem para o aparecimento desta doença.

Cancro da laringe: os sintomas

O diagnóstico precoce é fundamental para o rápido e eficaz tratamento da doença. Sendo assim, é importante conhecer os seus sintomas:

– Inflamação na garganta que não desaparece apesar do seu tratamento

– Sensação de corpo estranho na garganta

– Massa / papo na garganta ou pescoço

– Mau hálito

– Rouquidão ou alteração da voz que não passa

– Perda de peso sem razão aparente

– Dificuldade em engolir

– Dificuldade em respirar

– Tosse persistente

– Dor nos ouvidos que não desaparece.

O aparecimento destes sintomas é motivo para se consultar o médico de família ou um otorrinolaringologista que poderá propor alguns exames de diagnóstico tais como laringoscopia, para observação da garganta; biopsia, para examinar os tecidos do local, o exame ao microscópio de um fragmento tumoral determina a morfologia do tumor permitindo assim escolher o tratamento mais adequado e TAC, para verificar a extensão da lesão.

Após ser efetuado o diagnóstico os tratamentos propostos poderão passar por cirurgia, radioterapia (utilização de radiações para destruir as células tumorais) e quimioterapia (tratamento com medicação cititóxica).

As cirurgias podem incluir uma laringectomia parcial ou total onde poderá ser efetuado um estoma (orifício) para que possa respirar.

Os principais objetivos do tratamento do cancro da laringe são a cura, a preservação da função da laringe e minimizar as consequências negativas do tratamento.

Sabe-se que o prognóstico desta doença é bom para os casos diagnosticados em estádios iniciais, sendo a cura superior a 80%. E o tratamento de reabilitação será tanto melhor quanto mais precocemente for efetuado. Este visa otimizar o potencial funcional do doente e minimizar as sequelas da doença.

São aspetos de interesse após o tratamento, a reabilitação respiratória; reabilitação motora; massagem de drenagem linfática; treino de deglutição e terapia da fala.

Mas, na realidade o melhor ainda consiste na prevenção. Desta forma deve-se promover os hábitos de vida saudáveis evitando o consumo de tabaco, bebidas alcoólicas, exposição ao amianto, tintas, pó, gasóleo, gasolina, assim como o contacto com o vírus papiloma humano.

Referências: Hebe, A.; Jorge, A. et al. (2017) Quero logo falo. Cancro da Laringe. Liga Portuguesa Contra o Cancro. Núcleo Regional do Sul. Créditos da imagem:https://www.singhealth.com.sg/patient-care/conditions-treatments/larynx-cancer/overview

Ana Paula Figueiredo, natural da Trofa é Licenciada em Enfermagem e Especialista em Saúde Mental e Psiquiatria pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. Mestre em Educação, área de especialização em Educação para a Saúde pela Universidade do Minho. Actualmente exerce a sua actividade profissional na área da oncologia, no Porto. É Coordenadora do workgroup de Educação para a Saúde da Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa. Co-autora do projecto “Com um conto acrescento um ponto à minha saúde” e do Concurso “Com uma história conquisto uma vitória” é também autora de vários artigos científicos na área da oncologia e de histórias infantis na área da educação para a saúde. Colaboradora do Stop Cancer Portugal. Ana Paula Figueiredo, born in Trofa, holds a Bachelor of Science in Nursing with a specialization in Mental Health and Psychiatry awarded by the Porto School of Nursing. Master in Education, specialty subject of Health Education awarded by the University of Minho. Currently undertakes professional practice in the area of Oncology in Porto. Coordinates the Health Education workgroup of the Portuguese Oncologic Nursing Association. Coauthor of the project “With a tale I’ll add a dot to my health” and the competition “With a story I’ll conquer a victory”, she has also authored several scientific articles on the subject of oncology as well as children’s stories on the subject of health education. Collaborates in the project Stop Cancer Portugal.