Fumar é risco para vários tipos de cancro: procure ajuda

Por esta altura já não é novidade que fumar aumenta o risco de cancro. Um facto importante e por vezes esquecido, é que este aumento do risco não se limita ao cancro do pulmão. Os dados publicados regularmente pelo World Cancer Research Fund mostram-nos que fumar aumenta o risco para os seguintes tipos de cancro:

Rim: aumenta o risco em 52% para atuais fumadores e 25% para ex-fumadores, quando comparados com quem nunca fumou.
Bexiga: risco aumentado em 2 a 6 vezes para fumadores, quando comparados com não-fumadores.
Colorretal: fumar 40 cigarros/dia, aumenta em 40% o risco e quase duplica o risco de morte.
Pulmão: estima-se que de todos os casos de cancro do pulmão, cerca de 90% dos casos nos homens e 80% nas mulheres, é atribuível ao uso de tabaco.
Pâncreas: cerca de 25% dos casos são atribuíveis ao uso de tabaco.
Estômago: estima-se que cerca de 11% dos casos no mundo são atribuíveis ao uso de tabaco.
Boca, laringe e faringe: o risco está aumentado tanto para quem fuma tabaco como para quem o consome de outras formas, como por exemplo mastigado. Estima-se que 90% dos casos de cancro oral estão associados ao consumo de tabaco, álcool ou a uma combinação de ambos.
Nasofaringe: cerca de 23% dos casos são atribuíveis ao uso de tabaco.
Ovário: cerca de 17% dos casos de cancro do ovário mucinoso são atribuíveis ao uso de tabaco.

Fumar está ainda associado ao aumento de risco de cancro do esófago e fígado.

O último relatório da Organização Mundial de Saúde, revela que a prevalência média do consumo de tabaco no mundo atingia 19,2% em 2017.

São inúmeros os benefícios da cessação tabágica:

  • Redução da pressão arterial
  • Melhoria da circulação e função pulmonar
  • Redução da tosse e da sensação de falta de ar
  • Após um ano sem fumar, o risco de desenvolver doenças cardiovasculares é 50% menor ao risco de um fumador
  • Entre 1 a 4 anos sem fumar, o risco de morte é 50% menor ao risco de um fumador
  • Entre 5 a 15 anos sem fumar, o risco de morte por doença isquémica cardíaca é 50% menor ao risco de um fumador e o risco de acidente vascular cerebral é equivalente ao de um não-fumador
  • Cerca de 10 anos após deixar de fumar, o risco de desenvolver cancro do pulmão é metade do risco de um fumador, reduzindo também o risco para o cancro oral, esófago, bexiga, cervix e pâncreas
  • 15 anos após deixar de fumar, o risco de desenvolver doença cardíaca é igual ao de não-fumadores

O video que se segue mostra o impacto que o tabaco tem no organismo e quais os benefícios de deixar de fumar:

Dê hoje o primeiro passo para deixar de fumar. O impacto na sua saúde será incrível.

Referências:World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research.Continuous Update Project Expert Report 2018. WHO Report on the Global Tobacco Epidemic, 2019. Geneva: World Health Organization; 2019. Crédito das imagens: tookapic por Pixabay

Inês Almada Correia, nutricionista (3684N), pós-graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa, frequenta o mestrado em Bioquímica Médica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em atividades, tais como workshops sobre alimentação direcionados a doentes hemato-oncológicos. Tem como atuais áreas de interesse e pesquisa a nutrição em oncologia, atividade física em doentes oncológicos e alterações de estilo de vida após o diagnóstico. Inês Almada Correia, nutricionista, has a post-graduate course in Nutrition in Oncology by Universidade Católica Portuguesa and is taking a masters degree in Medical Biochemistry by Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa. Has participated in projects with Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), such as food and nutrition workshops for hemato-oncologic patients. Her main research interests are nutrition in oncology, physical activity in cancer patients and lifestyle changes after diagnosis.