Cancro do testículo: uma coreografia para a vida

“Trim Trim” podia ser o início de uma das muitas campanhas encabeçadas por Lance Armstrong na prevenção do cancro do testículo. Mas nem o facto de ser uma figura pública, atleta de renome ou a história contada na primeira pessoa pareceu ter grande impacto neste lado do oceano.

Para a Direcção-Geral da Saúde, este tipo de cancro está sob vigilância pelo aumento na incidência, que cresceu especialmente entre 2012 a 2014. Associado a este dado está um estudo de José Luís Passos Coelho, onde ele aponta para uma mortalidade superior à esperada neste tipo de cancro. Na União Europeia a taxa de sobrevivência é de 95%, enquanto em Portugal apenas chega aos 85%. Um importante factor é o diagnóstico tardio, associado a uma população que por desconhecimento ou aspectos culturais não efectua a palpação da zona testicular. Ao contrário do cancro da mama, onde se investe em grandes campanhas na comunicação, nas redes sociais e na saúde primária para que se aposte na palpação, o cancro do testículo não está sujeito ao mesmo tipo de atenção tornando-se invisível aos olhos da população.

Prevenir o cancro do testículo com o exame regular

É essencial instruir os jovens do sexo masculino a examinar e palpar essa parte do seu corpo regularidade (uma vez por mês, por exemplo). É igualmente essencial insistir na necessidade imediata de procurar aconselhamento médico no caso de detectarem algum tipo de anomalia como:

– aumento do volume testicular ou a presença de uma massa palpável e geralmente indolor num ou nos dois testículos;

– sensação de peso, moinha ou desconforto no escroto, região inguinal ou abdómen;

– sensação de mal-estar e cansaço.

Uma vez que o tema pode ser considerado de difícil abordagem pelos pais, professores ou até profissionais de saúde talvez um estilo mais ligeiro e direccionado para as faixas etárias mais jovens consiga entrar mais depressa no ouvido para ajudar a diminuir a incidência deste cancro: uma coreografia para a vida com a influência magistral de Michael Jackson.


Fontes de informação: Direcção-Geral da Saúde (2016) Portugal – Doenças oncológicas em números – 2015. Lisboa: DGS. Acedido a 11/07/2016. Disponível em:  http://www.dgs.pt/?cr=29496 ; Associação Portuguesa de Urologia ; Diário de Notícias ; Correio da Manhã ; Video: https://www.youtube.com/watch?v=fypm_aeR5qA ; Imagem: http://www.telegraph.co.uk/content/dam/men/2016/04/06/man-doing-testicle_3198283k-large_trans++qVzuuqpFlyLIwiB6NTmJwfSVWeZ_vEN7c6bHu2jJnT8.jpg 

Mónica Castro, Enfermeira, Bacharel desde 1996, pela Escola Superior de Enfermagem de São João e Licenciada desde 2004 pela Escola Superior de Enfermagem D. Ana Guedes. A exercer funções de enfermagem desde 1996 até 2012 num serviço de internamento Medicina Oncológica/Quimioterapia em Portugal e desde 2012 a exercer funções num serviço de internamento que engloba Oncologia, Hematologia e Transplantes, no Reino Unido. Formador com CAP desde 2010. Em Portugal colaborou com a Europacolon Portugal em vários projetos relacionados com a prevenção primária nas escolas secundárias da zona Norte e num projeto de apoio a doentes com cancro Colo-Rectal e seus familiares na Área do Grande Porto. Atualmente em fase de desenvolvimento profissional com a inscrição em Cursos relacionados com Linfoma e Mieloma. Colaboradora do Stop Cancer Portugal desde Março de 2010.     Mónica Castro, Nurse, Bachelor since 1996, from São João Nursing School and Licensed since 2004 from D. Ana Guedes School of Nursing. Working as a nurse from 1996 to 2012 in a inpatient Medical Oncology / Chemotherapy in Portugal and since 2012 working in a Oncology, Hematology and Transplantation ward in the UK. In Portugal collaborated with Europacolon Portugal in various projects related to primary prevention in secondary schools in the northern area and a project to support patients with colorectal cancer and their families in the Great Oporto Area. Currently developing professional skills with courses related to Lymphoma and Myeloma area.