O cancro da mama no masculino

O cancro da mama é uma doença associada ao sexo feminino, contudo também pode afectar a população masculina. As estatísticas evidenciam que cerca de 1% dos cancros da mama diagnosticados sejam em homens.

Ambos os sexos têm tecido mamário. São as diferentes hormonas produzidas por ambos que determinam um maior ou menor desenvolvimento. No homem, por norma, o tecido mamário adquire pequenas dimensões. Em algumas situações benignas (ginecomastia) esse tecido pode estar aumentado por causas não totalmente esclarecidos, mas por vezes associado a variações hormonais, obesidade, alcoolismo, efeito secundário de algum medicamento, uso de substâncias ilícitas, entre outros.

Os sinais e sintomas do cancro da mama masculino são semelhante aos do cancro da mama feminino:

  • aumento ou tumefação do tecido mamário
  • aparecimento de nódulos mamários ou axilares
  • secreção ou perda de líquido (corrimento) pelo mamilo (com ou sem presença de sangue)
  • mamilos retraídos, ou seja, mamilos voltados para dentro da mama
  • ulceração ou feridas no tecido mamário.

As diferenças começam a surgir quando se fala em termos de diagnóstico. Os exames complementares de diagnóstico são os mesmos. A principal diferença está na altura em que é detectado. Por norma, no homem o cancro da mama é detectado numa fase avançada, o que condiciona opções de tratamento e taxas de sobrevivência. Alguns estudos indicam que, em média, o cancro masculino é diagnosticado 19 meses depois de o primeiro sintoma ter sido detectado. Esta situação provavelmente acontece por este cancro não ser expectável no homem, quer pelo próprio, quer pelos profissionais de saúde que o acompanham.

Apesar de surgirem algumas evidências de que histologicamente (características das células) o cancro da mama masculino pode ser diferente do feminino, as opções de tratamento são semelhantes: cirurgia (incluindo a mastectomia), radioterapia, quimioterapia, hormonoterapia e terapia biológica. A opção escolhida pela equipa terá em conta a localização, tamanho, presença de nódulos linfáticos e estadiamento para decidir o melhor tratamento possível.

Apesar de ser uma doença rara, a incidência do cancro da mama masculino tem aumentado. O diagnóstico é mais tardio, quer por não se dar a mesma importância aos primeiros sinais e sintomas, quer por não haver uma política de rastreio. O auto-exame da mama tão advogado à população feminina, também se aplica à população masculina. Quem melhor conhecer o seu corpo, mais facilmente detectará alguma alteração.

Miguel Oliveira, natural de Braga, licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian – Universidade do Minho (2007), com passagem por Itália na área oncológica ao abrigo do programa de intercâmbio Europeu ERASMUS. Formador com CAP (2008), Pós-Graduado em Neuropsicologia de Intervenção pelo CRIAP/Associação Portuguesa de Neuropsicologia (2010). Colaborou no IEFP como formador. Iniciou a atividade de enfermagem em 2008 num hospital oncológico em Portugal, atualmente exerce a profissão no Reino Unido. Colaborou em vários projetos relacionados com a prevenção primária e apoio a doentes com cancro colo-rectal e seus familiares (Europacolon Portugal). Membro ativo na Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa, atualmente colaborador no Workgroup Dor. Por indicação do autor, os seus textos não obedecem ao novo acordo ortográfico.     Miguel Oliveira, born in Braga, Portugal, completed the Nursing License Degree at Calouste Gulbenkian Superior Nursing School, University of Minho (2007), with oncology experience in Italy under the European student exchange program ERASMUS. Former certified by IEFP (2008), completed the Post-Graduate Degree in Neuropsychology Intervention at CRIAP/ Portuguese Society of Neuropsychology (2010). Collaborated with IEFP as a former. Started as a Nurse Staff in 2008 in a cancer hospital in Portugal, at the moment is a Registered Nurse working in the UK. Collaborated in several projects dedicated to cancer primary prevention and support to colorectal cancer patients and its family (Europacolon Portugal). Active member of the Portuguese Association of Oncology Nursing, at the moment collaborates with the Pain Workgroup.