A Lógica da Batata

Batata

Uma teoria começa com uma lógica e que vai sendo desenvolvida para explicar um fenómeno que, por sua vez, deve ser comprovado cientificamente. Neste caso e até hoje, a ideia de que a batata engorda é um preconceito sem qualquer fundamentação. Podemos mesmo dividir os portugueses em dois grupos: o grupo dos que comem sopa sem batata e o grupo dos que não acreditam nisso, isto é, dos que não vivem sem a batata na sopa ou a acompanhar uma boa sardinhada.

A batata é um vegetal amiláceo (rico em amidos) pertencendo ao grupo dos tubérculos. Muito versátil na sua confecção, é um óptimo alimento quando se prepara de forma saudável: pode ser cozida ou assada, são duas boas opções. Pode também ser frita, preferencialmente em casa e com um óleo virgem mas, nesta versão, nunca deve ser uma opção frequente ou diária, pela gordura que absorve depois de frita. As batatas assadas com casca, as “batatas a murro” são nutricionalmente superiores. É na casca que se encontra a maior parte dos nutrientes, como é o caso do potássio e da fibra. Cozidas ou assadas com casca, as batatas contêm aproximadamente 85 calorias por 100 gramas (100 gramas equivale à quantidade de batata que ocupe a palma de uma mão).

Particularmente ricas em vitamina C, as batatas quando são novas têm-na ainda mais. São também uma boa fonte de várias vitaminas do complexo B, tais como a vitamina B1, a B3 e a B6, vitamina que reforça as defesas, como é exemplo a ajuda que dá aos leucócitos na limpeza dos tecidos, através da remoção das células mortas.

Estão presentes muitos mais nutrientes como os folatos, o cobre, o ferro e ainda o potássio, conseguindo mesmo ultrapassar a tão falada banana pelo seu conteúdo rico neste mineral (a batata oferece o dobro do potássio).

Nos últimos anos foram identificados alguns fitoquímicos, presentes em várias espécies de batatas e em quantidades significativas. São exemplos os compostos polifenólicos e as antocianinas, como indica um estudo publicado na revista Carcinogenesis. Os efeitos anticancerígenos detectados pelos ácidos fenólicos incluem: a supressão da proliferação do melanoma (HO-1-human melanoma cells) e do glioblastoma (GBM-18), a inibição do crescimento das células do cancro da próstata (PC-3, androgen independent e LNCaP, androgen independent) e os efeitos pró-apoptóticos. As antocianidinas exibem efeitos de antiproliferação e de indução da apoptose no adenocarcinoma gástrico (HT-29) e nas células Caco-2 do cancro do cólon.

Parece que uma desvantagem da batata é a de promover uma subida muito rápida da glicose no sangue, tal como acontece com outros hidratos de carbono ou amiláceos. Por esta razão, há quem a exclua da ementa.

Como manda a alimentação saudável, devemos ingerir quantidades moderadas deste tipo de alimentos e não fazer uma restrição completa, a bem da qualidade e da sua diversidade. Assim, quando comer batata, não se esqueça que deve acompanhar com uma salada fresca ou outros vegetais. Sabe-se, segundo pesquisas, que a digestão da batata é mais demorada e a subida rápida da glicose não se aplica quando estas são ingeridas numa refeição com outros alimentos de origem vegetal.

Depois destas explicações, fica o conselho: se gosta de sopa, ponha batata numa quantidade equilibrada tal como faz para os outros legumes. Comer batatas tem uma lógica, a saudável.

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional nº 0052N. Investigadora na Fundação para a Ciência e Tecnologia (2011-2015). Membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança – CIEC. Desenvolve a sua atividade na Investigação e na área da Nutrição Clínica. É autora e coordenadora de projectos de prevenção primária na área da saúde, bem como na organização e dinamização de seminários sobre hábitos alimentares saudáveis, predominantemente em ambiente escolar. Os seus atuais interesses de investigação, são no domínio da promoção e da comunicação para a saúde, na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas. Responsável pela conceção e coordenação de campanhas para a prevenção do cancro. Trabalhou no Marketing Farmacêutico e especializou-se em Gestão e Comunicação da Marca (IPAM – 2003). Autora e fundadora do Stop Cancer Portugal, adotar um estilo de vida saudável. Usa o novo acordo ortográfico. Margarida Vieira, nutritionist, is PhD in Child Studies of the University of Minho. Member collaborator of the Research Centre for Child Studies - CIEC. 
She is author and coordinator of projects for primary prevention in health care as well as in the organization and promotion of workshops on healthy eating habits in the schools. Her current research interests are cancer prevention and other chronic diseases and health communication.
 Responsible for the design and coordination of the awareness of campaigns for the prevention of cancer. Worked in Pharmaceutical Marketing and specializes in Brand Management and Communication. Author and Founder of Stop Cancer Portugal Project.