É Tempo das Cerejas!

Conhece alguém que não goste de comer cerejas?

Talvez sejam poucos os que resistem em comê-las. Por vezes o problema é mesmo parar de comer, porque as cerejas são, de facto, uma das frutas mais atraentes. São pequenas, redondas, de cor vermelha, mais parecendo bombons. As cerejas de um vermelho mais escuro são mais doces e, regra geral, têm a polpa macia e suculenta.

Os nutrientes que pode encontrar nesta deliciosa fruta, de uma forma natural, são procurados por muitos sob a forma de suplementos vitamínicos. São muitos os nutrientes encontrados nas cerejas e em quantidades generosas – cálcio, ferro, magnésio, potássio, vitaminas A, B e C. As cerejas são também ricas em ácido elágico – já sabe que é um fitoquímico notável para reforço das suas defesas, uma verdadeira super-molécula (referida numa das rubricas anteriores).

Mas as cerejas não ficam por aqui : esta fruta contém um teor significativo de antocianinas, um dos grupos de fitoquímicos que compõem a grande família dos flavonóides. Um estudo confirma que as antocianinas extraídas das cerejas exibem propriedades anti-inflamatórias por inibirem directamente a ciclo-oxigenase – enzima responsável pela formação de mediadores biológicos que lideram o processo inflamatório. Então, podemos considerar as antocianinas como anti-inflamatórios naturais disponibilizados pelos frutos, como as cerejas. Um outro mecanismo protector, promovido pelas antocianinas, é a apoptose das células cancerosas. Para além disto tudo, as cerejas têm na sua constituição o ácido glucárico, uma substância capaz de desintoxicar o organismo através da eliminação de xenoestrogénios,  substâncias presentes no meio ambiente.

Cem gramas de cerejas são, pode contar, mais ou menos 24 unidades e fornecem apenas 63 calorias. Talvez esta seja a sobremesa mais elegante que pode servir nas próximas semanas.

Referências:Kelley, D. S., Rasooly, R., Jacob, R. A., Kader, A. A., & Mackey, B. E. (2006). Consumption of Bing sweet cherries lowers circulating concentrations of inflammation markers in healthy men and women. The Journal of nutrition, 136(4), 981-986.

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional nº 0052N. Investigadora na Fundação para a Ciência e Tecnologia (2011-2015). Membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança – CIEC. Desenvolve a sua atividade na Investigação e na área da Nutrição Clínica. É autora e coordenadora de projectos de prevenção primária na área da saúde, bem como na organização e dinamização de seminários sobre hábitos alimentares saudáveis, predominantemente em ambiente escolar. Os seus atuais interesses de investigação, são no domínio da promoção e da comunicação para a saúde, na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas. Responsável pela conceção e coordenação de campanhas para a prevenção do cancro. Trabalhou no Marketing Farmacêutico e especializou-se em Gestão e Comunicação da Marca (IPAM – 2003). Autora e fundadora do Stop Cancer Portugal, adotar um estilo de vida saudável. Usa o novo acordo ortográfico. Margarida Vieira, nutritionist, is PhD in Child Studies of the University of Minho. Member collaborator of the Research Centre for Child Studies - CIEC. 
She is author and coordinator of projects for primary prevention in health care as well as in the organization and promotion of workshops on healthy eating habits in the schools. Her current research interests are cancer prevention and other chronic diseases and health communication.
 Responsible for the design and coordination of the awareness of campaigns for the prevention of cancer. Worked in Pharmaceutical Marketing and specializes in Brand Management and Communication. Author and Founder of Stop Cancer Portugal Project.