Cancro e obesidade: o que nos diz o relatório da OMS para a Europa

Obesidade define-se como o excesso de adiposidade que apresenta um risco para a saúde. É uma doença complexa, com causas diversas causas, entre as quais se encontram causas genéticas, endócrinas, assim como hábitos alimentares e de estilos de vida que favorecem o desequilíbrio entre as calorias ingeridas e as gastas, resultando na acumulação de gordura.

No início do mês de Maio, a Organização Mundial da Saúde publicou um relatório que aborda o impacto da obesidade na Europa. Este é um tema muito relevante já que, na Europa, cerca de 60% dos adultos e 30% das crianças acima dos 5 anos, tem excesso de peso ou obesidade e que este fator influencia grandemente o risco para desenvolver doenças crónicas não transmissíveis ao longo da vida. Dados recentes, sugerem ainda que, na região europeia, mais de 1,2 milhões de mortes por ano, representando mais de 13% do total de mortes, são causadas pelo excesso de peso e obesidade.

Olhando para os dados deste relatório, associados ao cancro, em particular, a obesidade é um fator de risco para 13 tipos de cancro, entre os quais se encontram o cancro da mama, colorretal, rim, fígado, ovário e mieloma múltiplo. Estima-se que, anualmente na Europa, a obesidade seja responsável por mais de 200 000 casos de cancro e que, em alguns países, nos próximos anos, este seja o principal fator de risco prevenível para o desenvolvimento desta doença, à frente dos hábitos tabágicos. A resistência à insulina, a desregulação hormonal e a inflamação crónica, são alguns dos mecanismos que têm vindo a associar o excesso de peso/obesidade ao desenvolvimento de cancro. A obesidade está também associada a piores desfechos em doentes de cancro, em particular, em doentes com cancro da mama, bexiga, colorretal, próstata e fígado.

A intervenção precoce, para o tratamento da obesidade é extremamente importante, uma vez que se sabe que a obesidade na infância, frequentemente se mantém na idade adulta e que os hábitos alimentares e de estilos de vida adotados neste período, vão também influenciar os hábitos adotados na idade adulta. O tratamento da obesidade deverá ser sempre multidisciplinar e individualizado, já que como vimos anteriormente, são múltiplos os fatores que contribuem para o seu aparecimento.

Referências: WHO European Regional Obesity Report 2022. Copenhagen: WHO Regional Office for Europe; 2022. Crédito das imagens: macrovector

Inês Almada Correia, nutricionista (3684N), pós-graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa, frequenta o mestrado em Bioquímica Médica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em atividades, tais como workshops sobre alimentação direcionados a doentes hemato-oncológicos. Tem como atuais áreas de interesse e pesquisa a nutrição em oncologia, atividade física em doentes oncológicos e alterações de estilo de vida após o diagnóstico. Inês Almada Correia, nutricionista, has a post-graduate course in Nutrition in Oncology by Universidade Católica Portuguesa and is taking a masters degree in Medical Biochemistry by Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa. Has participated in projects with Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), such as food and nutrition workshops for hemato-oncologic patients. Her main research interests are nutrition in oncology, physical activity in cancer patients and lifestyle changes after diagnosis.