Segurança alimentar em mulheres grávidas: prevenir intoxicações 

As mulheres grávidas têm maior probabilidade de ter uma intoxicação alimentar. Conhecer todas as recomendações alimentares é de absoluta importância na segurança alimentar em mulheres grávidas.

O papel principal do sistema imunológico é proteger o corpo humano contra organismos patogénicos: bactérias, vírus, fungos e parasitas. Para haver uma proteção eficaz contra a ampla gama de organismos ameaçadores, o sistema imunológico atua em 4 níveis:
1º  atua como uma barreira que impede os micróbios de entrarem no corpo

2º atua reconhecendo os micróbios e identifica-os se são nocivos ou não

3º atua eliminando os micróbios identificados como prejudiciais

4º a resposta imune gera memória imunológica, para quando houver reexposição ao micróbio prejudicial, essa resposta é mais rápida e mais forte.

Uma defesa eficaz contra organismos patogénicos requer um sistema imunológico que funcione bem. Em contrapartida, um sistema imunológico enfraquecido põe em maior risco qualquer pessoa de ser infectada e de as infecções serem mais sérias, ou até mesmo fatais.

Entre diversos fatores que influenciam a resposta imune, a gravidez é um deles.

A gravidez requer adaptações fisiológicas em todos os sistemas, e o sistema imunológico sofre modificações a diferentes níveis, colocando a mulher grávida e o feto a um maior risco de infeções transmitidas por alimentos, podendo causar aborto espontâneo ou parto prematuro.

Listeria monocytogenes e Toxoplasma gondii são dois parasitas que podem perturbar o percurso de uma gravidez saudável. É por isso que as mulheres grávidas devem receber orientações específicas sobre os alimentos que devem e não devem comer.

A primeira medida para consumir os alimentos de forma segura é seguir as quatro etapas básicas da segurança alimentar – lavar, separar, cozinhar e refrigerar. Lavar frequentemente as mãos, utensílios e superfícies. Separar as carnes cruas dos alimentos prontos para o consumo. Cozinhar os alimentos até atingir a temperatura interna adequada. Refrigerar ou congelar corretamente os alimentos que sobram até 2 horas após confeção.

Durante a gravidez e a amamentação é importante escolher opções saudáveis e seguras no que se refere ao consumo de peixe e mariscos. É recomendável o consumo de 2 a 3 porções de peixe por semana (1 porção equivale a 100 g) e de 1 porção de marisco por semana (1 porção equivale a cerca de 220 g). E as melhores escolhas recaem nos seguintes peixes e mariscos: anchova, corvina do Atlântico, cavala do Atlântico, robalo do mar, bacalhau, pescada, solha, salmão, sardinha, sável, truta de água doce, caranguejo, lagosta, vieiras, camarão, mas também lulas e atum enlatado.

A temperatura de segurança para confecionar os peixes é acima dos 63 graus e os mariscos devem ser cozinhados até que a sua carne fique branca e opaca. Isto significa que as mulheres grávidas devem abster-se de comer sushi, sashimi, ostras cruas, moluscos crus e ceviche. Além disso, os mariscos fumados e refrigerados representam uma ameaça real para a Listeria, por isso não devem ser consumidos, a menos que tenham sido cozidos a uma temperatura superior a 63 graus celsius, para matar todos os microrganismos nocivos.

A orientação seguinte acautela a grávida para que não beba sumos não pasteurizados, mesmo o sumo de fruta espremido na hora. Estas bebidas estão associadas a intoxicações alimentares causadas, ​​sobretudo, por Escherichia coli. Para prevenir intoxicações escolha uma versão pasteurizada.

Também deve ser evitado o leite não pasteurizado pois pode conter bactérias como Campylobacter, E. coli, Listeria, Salmonella.

Para evitar intoxicações, a mulher grávida deve resguardar-se, consumindo apenas leite pasteurizado e produtos lácteos pasteurizados, incluindo queijo.

Outra importante recomendação é que não coma queijos de pasta mole (Brie, Feta, Camembert, Roquefort, Gorgonzola,Queijo fresco), a menos que sejam feitos com leite pasteurizado. Para haver segurança, no rótulo deve dizer “feito com leite pasteurizado”. Ou então, a alternativa é comer queijo duro, como o Cheddar ou os suíços Emmental e Gruyère.

Cozinhar ovos cuidadosamente é mais uma recomendação de segurança.
Os ovos mal cozidos aumentam o risco de contrair uma intoxicação por Salmonella. Para cozinhar ovos, as gemas e as claras devem ficar firmes, recomendando-se uma temperatura acima dos 68 graus. Não devem ser consumidos pratos que possam conter ovos crus como gemadas, mousses, molho de salada Ceasar, tiramisu, ovos Benedict, molho holandês.

Além de tudo isto, todas as carnes devem ser bem cozidas antes de serem consumidas, pelo que um termómetro de alimentos é de grande utilidade, garantindo que a carne atingiu a temperatura interna mínima segura recomendada.

A mulher grávida não deve comer patês refrigerados ou carnes fumadas como fiambres, presunto, salame, bacon, chouriços e linguiças.

Por fim, a última recomendação vai para legumes e hortaliças. Estes alimentos podem estar contaminados com ovos de Toxoplasma gondii. Assim, todos os vegetais para consumir em salada e crus devem ser bem lavados e preparados com máxima segurança. Todos os alimentos vegetais bem lavados ou cozinhados, podem ser consumidos sem problema.

Referências: Calder, P. C. (2021). Nutrition and immunity: lessons for COVID-19. European Journal of Clinical Nutrition, 1-10.; Advice About Eating Fish (October 2021) disponível em https://www.fda.gov/media/102331/download;https://www.foodsafety.gov/people-at-risk/pregnant-women; Créditos da imagem: https://pixabay.com/images/id-6689901/

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional nº 0052N. Investigadora na Fundação para a Ciência e Tecnologia (2011-2015). Membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança – CIEC. Desenvolve a sua atividade na Investigação e na área da Nutrição Clínica. É autora e coordenadora de projectos de prevenção primária na área da saúde, bem como na organização e dinamização de seminários sobre hábitos alimentares saudáveis, predominantemente em ambiente escolar. Os seus atuais interesses de investigação, são no domínio da promoção e da comunicação para a saúde, na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas. Responsável pela conceção e coordenação de campanhas para a prevenção do cancro. Trabalhou no Marketing Farmacêutico e especializou-se em Gestão e Comunicação da Marca (IPAM – 2003). Autora e fundadora do Stop Cancer Portugal, adotar um estilo de vida saudável. Usa o novo acordo ortográfico. Margarida Vieira, nutritionist, is PhD in Child Studies of the University of Minho. Member collaborator of the Research Centre for Child Studies - CIEC. 
She is author and coordinator of projects for primary prevention in health care as well as in the organization and promotion of workshops on healthy eating habits in the schools. Her current research interests are cancer prevention and other chronic diseases and health communication.
 Responsible for the design and coordination of the awareness of campaigns for the prevention of cancer. Worked in Pharmaceutical Marketing and specializes in Brand Management and Communication. Author and Founder of Stop Cancer Portugal Project.