Gordura corporal e cancro do fígado: ter obesidade aumenta o risco

Estar acima do peso ou ter obesidade durante a vida adulta aumenta o risco de cancro do fígado.

Em Portugal, este tipo de cancro ocupa o décimo lugar e é 5 vezes mais comum em homens do que mulheres. Anualmente, o cancro do fígado é responsável por mais de 1500 mortes. A maioria dos casos são diagnosticados acima dos 75 anos. Os estágios iniciais da doença geralmente não produzem sintomas pelo que quando a doença é diagnosticada está numa fase avançada.

O fígado é o maior órgão interno do corpo humano. Tem múltiplas funções: metaboliza e armazena nutrientes, produz colesterol e proteínas como a albumina, fatores de coagulação e lipoproteínas responsáveis pelo transporte do colesterol. Também secreta bile e desempenha muitas funções metabólicas, incluindo a desintoxicação de várias classes de substâncias carcinogéneas.

Há diferentes tipos de cancro do fígado e cada um tem causas potencialmente diferentes. O tipo mais comum é o carcinoma hepatocelular, responsável por 90 por cento de todos os cancros do fígado. Outro tipo é o colangiocarcinoma que atinge os pequenos ductos biliares do fígado.

Como é que a gordura corporal excessiva se relaciona e afeta o risco de desenvolver este tipo de cancro?

A gordura abdominal excessiva, o ganho de peso na vida adulta e fatores metabólicos relacionados com a deposição de gordura visceral estão entre os principais fatores de risco para o cancro do fígado. Também a esteatose hepática não alcoólica associada à obesidade, à resistência à insulina e à diabetes tipo 2 são reconhecidas como as responsáveis por desencadear cancro do fígado nos países desenvolvidos, onde o risco para duas outras importantes causas deste tipo de cancro, hepatite viral e exposição a hepatotoxinas, é baixo.

Os mecanismos fisiopatológicos exatos que ligam obesidade e cancro do fígado não estão completamente compreendidos.  No entanto, o excesso de gordura corporal, em particular na zona abdominal (chamada de gordura visceral) que envolve os órgãos, promove a deposição de gordura no fígado e isso pode estar associado a anomalias no metabolismo hepático como a hiperinsulinemia e a inflamação de baixo grau. Por outro lado, o tecido adiposo é, atualmente, considerado um órgão endócrino. É capaz de produzir hormonas e proteínas (uma variedade de adipocinas biologicamente ativas, como leptina, adiponectina e resistina) que são apontadas por estarem envolvidas na desregulação do metabolismo e no desenvolvimento e progressão do cancro.

Em países com uma alta prevalência da obesidade na idade adulta, como é o caso de Portugal, são urgentes medidas e necessárias estratégias básicas para prevenir o ganho de peso na vida adulta e contribuir para a prevenção do cancro do fígado, mas que atualmente são inexistentes.

A promoção de um peso saudável e sustentável durante a vida adulta é inequivocamente uma medida protetora, ajuda a diminuir o risco de desenvolver este tipo de cancro, mas também de outras doenças crónicas.

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional nº 0052N. Investigadora na Fundação para a Ciência e Tecnologia (2011-2015). Membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança – CIEC. Desenvolve a sua atividade na Investigação e na área da Nutrição Clínica. É autora e coordenadora de projectos de prevenção primária na área da saúde, bem como na organização e dinamização de seminários sobre hábitos alimentares saudáveis, predominantemente em ambiente escolar. Os seus atuais interesses de investigação, são no domínio da promoção e da comunicação para a saúde, na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas. Responsável pela conceção e coordenação de campanhas para a prevenção do cancro. Trabalhou no Marketing Farmacêutico e especializou-se em Gestão e Comunicação da Marca (IPAM – 2003). Autora e fundadora do Stop Cancer Portugal, adotar um estilo de vida saudável. Usa o novo acordo ortográfico. Margarida Vieira, nutritionist, is PhD in Child Studies of the University of Minho. Member collaborator of the Research Centre for Child Studies - CIEC. 
She is author and coordinator of projects for primary prevention in health care as well as in the organization and promotion of workshops on healthy eating habits in the schools. Her current research interests are cancer prevention and other chronic diseases and health communication.
 Responsible for the design and coordination of the awareness of campaigns for the prevention of cancer. Worked in Pharmaceutical Marketing and specializes in Brand Management and Communication. Author and Founder of Stop Cancer Portugal Project.