Álcool: qualquer consumo aumenta o risco de cancro

O álcool é considerado carcinogéneo classe 1 pela International Agency for Research on Cancer (IARC), a agência Internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) que se dedica à pesquisa sobre o cancro, o que significa que está identificado como carcinogéneo para os humanos.

Estima-se que, em 2018, na região europeia da OMS, cerca de 180 000 casos de cancro e 92 000 mortes por cancro, se tenham devido ao consumo de álcool. O risco aumenta quando este consumo está associado a outros fatores de risco. A associação com o consumo de tabaco aumenta em 30 vezes o risco de desenvolver cancro, uma vez que o álcool funciona como solvente para outros agentes carcinogénicos, facilitando a sua entrada nas células.

Apesar de nem todos os consumidores desenvolverem cancro, não existe consumo seguro e o risco é maior para quem consome mais de 2 bebidas por dia, o que equivale a 20g de álcool puro.

São consideradas bebidas alcoólicas, o vinho, a cerveja, as bebidas espirituosas, os licores, o hidromel e a cidra. A quantidade de álcool de uma bebida, calcula-se multiplicando o volume da bebida, a percentagem de álcool por volume e a densidade do álcool, que é aproximadamente 0,8 g/ml. Ao ingerir 1 copo de 100 ml de um vinho com 12,5% de teor alcoólico, estará a ingerir cerca de 10g de álcool, enquanto que ao ingerir 330 ml de cerveja, com 5% de teor alcoólico, estará a ingerir 13g.

A associação entre o consumo de bebidas alcoólicas e o cancro é mais clara para o cancro da cavidade oral, faringe, laringe, esófago, fígado, colorretal e cancro da mama após a menopausa e pode também haver associação com o cancro do estômago e mama pré-menopausa. Os desfechos fatais são mais frequentes para os cancros da cavidade oral, esófago e orofaringe.

Apesar dos mecanismos que associam o consumo de bebidas alcoólicas ao aumento do risco de cancro, não estarem inteiramente esclarecidos, pensa-se que quatro mecanismos possam contribuir:

a conversão do álcool em acetaldeído pelo fígado mas também no intestino e na boca. O acetaldeído pode danificar o DNA e impedir a reparação celular que acontece naturalmente.

– alterações nos níveis hormonais de hormonas como a insulina e os estrogénios, provocadas pelo consumo de álcool, influenciando negativamente a divisão celular.

stress oxidativo provocado pelo consumo de álcool, afetando mais uma vez a a reparação do DNA e potenciando o seu dano.

deficiência de folato, provocada pelo consumo de álcool assim como por outros estilos de vida pouco saudáveis.

Referências: Alcohol and cancer in the WHO European Region: an appeal for better prevention. Copenhagen: WHO Regional Office for Europe; 2020. NOC 30/2012. Deteção Precoce e Intervenção Breve no Consumo Excessivo de Álcool. DGS. World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research. Continuous Update Project Expert Report 2018. Alcoholic drinks and the risk of cancer. Crédito das imagens: Hands off my tags! Michael Gaida por Pixabay

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista (3684N), pós-graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa, frequenta o mestrado em Bioquímica Médica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em ati (...)