Gordura corporal e cancro gástrico do cardia: ganhar peso aumenta o risco

Estar acima do peso ou ter obesidade durante a vida adulta aumenta o risco de cancro gástrico do cardia.

O cancro gástrico é geralmente diferenciado de acordo com o local anatómico de origem: cancro gástrico do cardia, ocorrendo próximo à junção gastro-esofágica e cancro gástrico do não cardia, que ocorre fora desta área, na parte inferior do estômago.

Em termos globais, o cancro gástrico do não cardia é mais prevalente. No entanto, a incidência do cancro gástrico do cardia tem vindo a aumentar, sobretudo nos países economicamente mais desenvolvidos como os Estados Unidos e Reino Unido. É três vezes mais prevalente em homens do que em mulheres. Em Portugal, o cancro gástrico é a terceira causa mais comum de morte por cancro.

Há diversos fatores ligados ao estilo de vida que influenciam o risco de desenvolver cancro gástrico e as evidências científicas mencionam três principais agentes:

bebidas alcoólicas: o consumo excessivo aumenta o risco de cancro gástrico

alimentos preservados em sal: o consumo excessivo aumenta o risco de cancro gástrico

Gordura corporal excessiva: estar acima do peso ou ter obesidade aumenta o risco de cancro gástrico do cardia

Como é que a gordura corporal excessiva se relaciona e afeta o risco de desenvolver este tipo de cancro?

A gordura corporal excessiva promove o desenvolvimento da doença do refluxo gastroesofágico, possivelmente causado pela pressão intra-abdominal elevada, o que aumenta o risco de desenvolver cancro gástrico do cardia.
O peso excessivo e a obesidade estão associados a um maior risco ( entre 40-90%) de apresentarem sintomas de refluxo gastroesofágico, comparativamente a ter um peso considerado normal.

Além disso a obesidade estimula uma resposta inflamatória, o que contribui para promover a carcinogénese, com a produção aumentada de fatores pró-inflamatórios: fator de necrose tumoral (TNF–alfa), a interleucina 6 (IL-6) e proteína-C-reativa (PCR).
A inflamação crónica predispõe a vários tipos de cancro, incluindo os localizados no trato gastrointestinal.

A obesidade também está associada a níveis elevados de insulina e leptina e de alterações na produção de hormonas endógenas (estrogénios e insulina), o que podem aumentar a proliferação celular e inibir o mecanismo de apoptose e, como consequência, promover o crescimento de células cancerígenas.

A ausência de excesso de gordura corporal reduz o risco da maioria dos cancros. Por isso, ter um peso saudável durante a vida adulta é uma recomendação básica para a prevenção de diferentes tipos de cancro, incluindo o cancro gástrico do cardia.

Referências: World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research. Continuous Update Project Expert Report 2018. Diet, nutrition, physical activity and stomach cancer.; Karczewski, J., Begier-Krasińska, B., Staszewski, R., Popławska, E., Gulczynska-Elhadi, K., & Dobrowolska, A. (2019). Obesity and the risk of gastrointestinal cancers. Digestive diseases and sciences64(10), 2740-2749.; Imagem adaptada de https://www.aicr.org/resources/blog/behind-the-headlines-questions-about-aicrs-stomach-cancer-report/

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)