Yogaterapia na doença crónica: ajudar a ultrapassar limitações

A doença crónica é associada a uma ou mais das seguintes características: existir pelo menos num período superior a 3 meses, tornando-se maioritariamente permanente na vida do paciente. Produz incapacidade e/ou deficiências residuais, causadas por alterações patológicas irreversíveis, exigindo uma pré-disposição do doente para a reabilitação. Pode igualmente exigir longos períodos de supervisão, observação ou cuidados.

A nível psicossocial, o doente passa por diversas experiências. Percebe que entrou num processo de quase impossível cura e de difícil recuperação. A medicação passa a ser uma constante, com as implicações financeiras que acarreta muitas vezes. A limitação financeira pode levar ao isolamento social. A qualidade de vida e a autoconfiança decrescem, permitindo o aparecimento para a depressão, a angústia e o stress.

O stress leva ao aumento da produção de uma hormona chamada cortisol pelas suprarrenais, o que implica um enfraquecimento do sistema imunitário, aumento da frequência cardíaca e dos níveis de açúcar no sangue. Contribui ainda para uma maior atividade no funcionamento do sistema simpático e uma diminuição da atividade do sistema parassimpático.

A prática de yoga –  a respiração, asanas ou posturas, o relaxamento e a meditação, permite de forma eficaz, a redução dos níveis de stress, restabelecendo o equilíbrio entre os sistemas simpático e parassimpático. A meditação e o relaxamento, permitem por exemplo, um aumento da atividade do sistema parassimpático.

Embora o yoga seja sobretudo uma prática física, é ao nível da mente que se nota a maior transformação, incrementando a aceitação, a autoestima, a autoconfiança, a resiliência e a equanimidade. Este estado mental permite um maior bem-estar mental e espiritual, que convergem para uma melhoria física geral e uma pré-disposição para “lutar” contra a doença, aceitando-a, estabelecendo com ela um laço de perseverança e autocontrolo.

A respiração consciente, calma e profunda, tranquiliza a mente, centrando-a na atividade do processo interior de cada um, abrindo a consciência à verdadeira experiência de quem se é, das reais capacidades físicas e na criação de uma pré-disposição para não ser dominado pela doença.

As asanas que são a parte física da prática de yoga, permitem entender o corpo e o modo como ele se move. Perceber os músculos e as cadeias musculares revela outras formas de viver o corpo e a doença, adotando novas posturas corporais e outras formas de movimentação que ajudarão por exemplo, a reduzir o nível de dor. As posturas de yoga também permitem reencontrar o equilíbrio físico, determinante para a confiança no movimento (caminhar, subir e descer escadas, etc).

O relaxamento uniformiza a nível físico e mental o estado de calma plena, aprendendo a dirigir, as técnicas de relaxamento, para as zonas de maior desconforto, percebendo a capacidade de domínio sobre a dor.

A meditação revela o eu mais profundo de cada um, o que verdadeiramente se é, sem a presença do ego e dos estímulos psicossociais. O contacto com o eu profundo, livre das amarras das normas comportamentais pré-estabelecidas, proporciona um estado de responsabilidade sobre si e os outros, que conduz a estados de tranquilidade, equanimidade e liberdade em ser.

Se tem uma doença crónica procure um professor de yoga certificado e perceba como em cada aula, o corpo, a mente e o espírito, se unem para ultrapassar as suas limitações.

Referências:Bhavanani, Y. D. A. B. (2013). Psychosomatic mechanisms of yoga. Annals of SBV2(2), 27-31.; RAMANATHAN, Ananda Balayogi Bhavanani111and Dr Meena. YOGA THERAPY FOR CHRONIC DISEASES: PSYCHOSOMATIC ASPECTS; Créditos da imagem: https://www.yogaenred.com/2016/11/24/la-intuicion-en-la-yogaterapia/

Alexandra Pereira, professora de yoga através da AIPYS-Asociación Internacional de Profesores de Yoga Sananda, Espanha 2000. Licenciada em Filosofia (FLUP 1988). Mestrado em Filosofia: “A filosofia do yoga: da prática a uma filosofia de vida” ( FLUP 2019) Exerce a sua actividade profissi (...)