Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis: 8 de novembro

O Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis comemora-se desde 2007, anualmente, a 8 de novembro, inserido na campanha de combate à obesidade da Comissão Europeia.

O objetivo do Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis é sensibilizar para a importância de uma dieta saudável e equilibrada para a população infantil, já que sabemos que bons hábitos alimentares adotados durante a infância têm um impacto positivo na saúde a longo prazo.

A contribuição da obesidade para diversas doenças crónicas, entre as quais se encontram doenças como o cancro e as doenças cardiovasculares, duas das principais causas de morte no Mundo, está largamente documentada. Assinalar este dia ganha ainda maior importância quando, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, aos 11 anos, 1 em cada 3 crianças na Europa têm excesso de peso ou são obesas e das crianças com excesso de peso antes da puberdade, 60% apresentará excesso de peso quando chegar à idade adulta.

Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis: dieta mediterrânica

A dieta mediterrânica é considerada como um padrão alimentar equilibrado. Diversos estudos ao longo do tempo têm demonstrado que a adoção deste padrão alimentar contribui para a prevenção de diversas patologias. Os benefícios da dieta mediterrânica têm sido muito estudados em adultos mas também se estendem a crianças e adolescentes. A falta de adesão à dieta mediterrânica foi associada a uma maior prevalência de obesidade em crianças em idade pré-escolar, num estudo de revisão que incluiu estudos publicados em diversos países europeus.

Apesar dos benefícios associados a este padrão alimentar, dados de um estudo divulgado pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, referem que 50% dos portugueses inquiridos desconhece em que consiste a dieta mediterrânica. Se for o seu caso, enumeramos as suas principais características:

– Elevado consumo de alimentos de origem vegetal, como hortículas, leguminosas, frutos secos e oleaginosas
– Elevado consumo de cereais não refinados e fruta
– Moderada a elevada ingestão de pescado
– Moderada ingestão de laticínios, principalmente queijo e iogurte
– Baixa ingestão de alimentos processados
– Baixa ingestão de alimentos ricos em gorduras saturadas
– O azeite é privilegiado como fonte de gordura
– Consumo de alimentos da época e de produção local
– Uso de ervas aromáticas para temperar os alimentos.

Como em qualquer patologia, a dieta é um fator a considerar, mas isoladamente poderá ser insuficiente para fazer face às alterações multifatoriais que contribuem para o surgimento da obesidade em crianças. Contrariar tempos sedentários a ver televisão ou ao computador e incentivar a prática regular de atividade física, são alguns dos outros fatores a considerar. Será assim necessário procurar profissionais qualificados que definam a melhor estratégia adequada à condição clínica e à realidade pessoal da criança e da sua família.

Referências: https://www.euro.who.int/en/health-topics/noncommunicable-diseases/obesity
, acesso em [2/11/2020]. Velázquez-López L, Santiago-Díaz G, Nava-Hernández J, Muñoz-Torres AV, Medina-Bravo P, Torres-Tamayo M. Mediterranean-style diet reduces metabolic syndrome components in obese children and adolescents with obesity. BMC Pediatr. 2014 Jul 5;14:175. Pereira-da-Silva L, Rêgo C, Pietrobelli A. The Diet of Preschool Children in the Mediterranean Countries of the European Union: A Systematic Review. Int J Environ Res Public Health. 2016 Jun 8;13(6):572. Notario-Barandiaran L, Valera-Gran D, Gonzalez-Palacios S, Garcia-de-la-Hera M, Fernández-Barrés S, Pereda-Pereda E, Fernández-Somoano A, Guxens M, Iñiguez C, Romaguera D, Vrijheid M, Tardón A, Santa-Marina L, Vioque J, Navarrete-Muñoz EM; INMA Project. High adherence to a mediterranean diet at age 4 reduces overweight, obesity and abdominal obesity incidence in children at the age of 8. Int J Obes (Lond). 2020 Sep;44(9):1906-1917. https://nutrimento.pt/noticias/dia-mundial-da-alimentacao-2020/, acesso em [3/11/2020]. Crédito da imagem: DanaTentis por Pixabay

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista (3684N), pós-graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa, frequenta o mestrado em Bioquímica Médica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em ati (...)