Depois da quimioterapia: controlar alterações que podem permanecer

Depois da quimioterapia há alguns efeitos secundários que podem manter-se e demorar a desaparecer, um resultado da toxicidade dos medicamentos aplicados. As áreas mais frequentemente afetadas depois de terminados os tratamentos são o cérebro, o coração e o cabelo. Mas também pode haver alterações no peso e cansaço crónico, sinais que não devem ser ignorados.

Muitas pessoas têm dificuldade em concentrar-se, em lembrar nomes e datas ou esquecem-se simplesmente das coisas, ou ainda ter problemas em realizar duas tarefas em simultâneo. Estes efeitos secundários são denominados por Chemo Brain, uma espécie de “nevoeiro cerebral” e podem começar durante o tratamento ou depois da quimioterapia terminar. Há estratégias diferentes para lidar e controlar os sintomas relacionados com a memória, a atenção, entre outras capacidades cognitivas. Isto porque com o tempo, a plasticidade cerebral pode compensar os efeitos deletérios da quimioterapia.

A quimioterapia pode aumentar a probabilidade de ter problemas cardíacos. Os efeitos a longo prazo mais frequentes são a cardiomiopatia, a arritmia, o enfarte do miocárdio pela cardiotoxicidade induzida durante os tratamentos que  danificam as células do coração. Por isso devem ser efetuados testes para monitorizar o funcionamento cardíaco.

Certos medicamentos usados nos tratamentos têm efeito sobre os folículos capilares e promovem a queda acentuada de cabelo, perdendo-se parte ou mesmo todo o cabelo. Depois de um mês ou dois, o mais provável e nascerem novos cabelos, mas que podem crescer apresentando uma textura, forma ou coloração diferentes. Estar atento e cuidar do seu novo cabelo é uma ajuda.

Alguns tipos de tratamentos oncológicos, como certos medicamentos para o cancro da mama, promovem alterações metabólicas que contribuem para ganhar alguns quilos extra. Não deixe que esse ganho de peso se prolongue por mais tempo. O acompanhamento regular com um nutricionista pode ajudar a controlar o ganho de peso, juntamente com a prática de exercício físico adequado à situação oncológica.

A fadiga e a falta de energia atingem grande parte dos doentes em tratamento e são considerados efeitos de longo prazo da quimioterapia. Existem diversas estratégias para amenizar esses efeitos e que devem ser recomendadas pelo médico que conhece a situação clínica e acompanha todo o processo.

Para se sentir mais confiante, fale sempre com o seu médico e peça-lhe ajuda para contornar todos os efeitos que permanecerem depois da quimioterapia.

Referências: Wigmore, P. (2012). The effect of systemic chemotherapy on neurogenesis, plasticity and memory. In Neurogenesis and Neural Plasticity (pp. 211-240). Springer, Berlin, Heidelberg.; Nurgali, K., Jagoe, R. T., & Abalo, R. (2018). Adverse Effects of Cancer Chemotherapy: Anything New to Improve Tolerance and Reduce Sequelae?. Frontiers in Pharmacology9.; Créditos da imagem: Jan Tinnebergon Unsplash[/fonte]

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)