Cancro Cabeça e Pescoço: como prevenir

O cancro da cabeça e do pescoço inclui tumores localizados nos lábios, boca, laringe, faringe, glândulas salivares e seios paranasais. São cancros mais frequentes em países com baixo desenvolvimento e rendimento e são responsáveis por cerca de 4% do total de mortes por cancro no Mundo. Em Portugal, registaram-se em 2018 cerca de 2700 novos casos.

O diagnóstico precoce é fundamental para um bom prognóstico, no entanto estes cancros são habitualmente diagnosticados em estádios avançados, o que faz com que a sobrevivência ronde os 60% aos 5 anos. Dada a sua localização e os tratamentos associados, muitos dos sobreviventes são confrontados com alterações significativas na sua imagem física, assim como na forma de se alimentar, respirar e falar, requerendo frequentemente acompanhamento especializado.

As estruturas afetadas pelos cancros da cabeça e pescoço estão diretamente expostas tanto a carcinogéneos inalados como aos ingeridos através da alimentação.

Cancro da Cabeça e Pescoço: fatores de risco

  1. Os hábitos tabágicos são um fator de risco bem estabelecido, tanto para o uso isolado de tabaco como para a sua conjugação com a ingestão de alcool.
  2. O Papiloma Vírus Humano (HPV) é um fator de risco para o cancro da cavidade oral e laringe. A vacinação quando disponível, parece contribuir para a redução do impacto deste fator no surgimento da doença.
  3. A exposição a amianto parece também aumentar o risco de desenvolver este tipo de cancro.
  4. Mate é uma infusão preparada com folhas de Ilex paraguariensis e tradicionalmente ingerida a temperaturas superiores a 70ºC. A sua ingestão também está associada ao aumento de risco de cancro do esófago, sobretudo pela temperatura à qual é ingerida, causando dano nas mucosas, contribuindo para ao surgimento da doença.
  5. Bebidas alcoólica: o risco aumenta com o aumento da ingestão de bebidas alcoólicas, não tendo sido identificada diferença significativa entre tipos de bebidas alcoólicas.
  6. Índice de massa corporal correspondente a obesidade.

Cancro da Cabeça e Pescoço: redução do risco

Para estes fatores a evidência científica disponível apresenta algumas limitações.

  1. Café: o seu consumo parece reduzir o risco de alguns tipos de cancro da cabeça e pescoço.
  2. Dieta saudável: caracterizada por elevada ingestão de frutas e vegetais e baixa ingestão de bebidas alcoólicas, carne vermelha e carne processada.
  3. Terminamos com as recomendações para prevenção do cancro do American Institute for Cancer Research:
  4. Reduza a ingestão semanal de carne vermelha para 350 – 500g (peso após confeção) e apenas ingira carnes processadas esporadicamente.
  5. Mantenha um peso adequado para a sua idade e estatura, limitando a ingestão de bebidas açucaradas e de alimentos ricos em açúcares de absorção rápida.
  6. Limite a ingestão de bebidas alcoólicas.
  7. Pratique um mínimo de 75 minutos de atividade física intensa ou 150 minutos de atividade física moderada por semana.
  8. Aumente a ingestão de alimentos ricos em fibra como cereais integrais, oleaginosas, leguminosas e ingira um mínimo diário de 5 porções de vegetais e fruta (equivalentes a 400g).
Referências:  Global Cancer Observatory (http://gco.iarc.fr/), International Agency for Research on Cancer 2018. World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research.Continuous Update Project Expert Report 2018.Diet, nutrition and physical activity and cancers of the mouth, pharynx and larynx. Available at dietandcancerreport.org. Estêvão R, Santos T, Ferreira A, Machado A, Fernandes J, Monteiro E. Epidemiological and Demographic Characteristics of Patients With Head and Neck Tumours in the Northern Portugal: Impact on Survival. Acta Med Port 2016 Oct;29(10):597-604.Crédito da imagem: winchester.ac.uk

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista (3684N), pós-graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa, frequenta o mestrado em Bioquímica Médica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em ati (...)