Cancro do Estômago: reduza o risco

O cancro do estômago ou cancro gástrico é o quinto mais prevalente no Mundo, tendo-se registado 18 078 957 novos casos em 2018, a maioria dos quais (48,4%) no continente asiático e no continente europeu (23,4%). É um cancro duas vezes mais frequente em homens que em mulheres. Em Portugal registaram-se 58 199 novos casos em 2018.

Apesar do diagnóstico tardio ser frequente, contribuindo para a elevada mortalidade deste tipo de cancro, a sua incidência tem vindo a diminuir ao longos dos anos, muito por redução na incidência de infeção por Helicobacter pylori e pela maior utilização dos métodos de refrigeração para conservação dos alimentos, em alternativa ao uso de sal.

O cancro do estômago pode surgir na zona superior do estômago (cardia) ou nas restantes áreas (não-cardia), sendo este último o mais comum. Cerca de 95% dos casos são adenocarcinomas.

O envelhecimento, os fatores inflamatórios ambientais e a gastrite crónica, que tem como agente principal a Helicobacter pylori, são agentes causadores de alterações na mucosa gástrica, que potenciam o surgimento desta patologia.

Os fatores, associados à alimentação e aos estilos de vida, que aumentam o risco de desenvolver este tipo de cancro são os seguintes:
fumar: estima-se que 11% dos casos mundiais de cancro do estômago e 17% dos casos europeus, possam ser atribuídos aos hábitos tabágicos.
– exposição a químicos industriais: exposição ocupacional a ambientes com poeiras e elevadas temperaturas.
– consumo de bebidas alcoólicas acima de 45g de álcool por dia, o equivalente a 3 bebidas. O risco será maior para maiores consumos de álcool.
– consumo regular de alimentos com elevado teor de sal, onde se incluem alimentos fumados, picles, entre outros.
– índice de massa corporal correspondente a excesso de peso ou obesidade.

Como menor grau de certeza, sabe-se que os seguintes hábitos alimentares podem também contribuir para o aumento do risco de desenvolver cancro do estômago:
– carne e peixe de churrasco ou grelhados
carne processada: os produtos de charcutaria de salsicharia, parecem estar associados particularmente ao aumento do risco de cancro gástrico não-cardia.
– baixa ou nenhuma ingestão de frutas e vegetais

Por outro lado, parece que a ingestão diária de 100g de frutas cítricas, poderá contribuir para a redução do risco de desenvolver este tipo de cancro.

Mais do que um fator isolado, será sempre o conjunto dos hábitos alimentares e de estilos de vida adotados ao longo da vida, o que determinará o maior ou menor risco de desenvolver qualquer tipo de cancro. Por este motivo, terminamos com as recomendações para prevenção do cancro do American Institute for Cancer Research:

– Reduza a ingestão semanal de carne vermelha para 350 – 500g (peso após confeção) e apenas ingira carnes processadas esporadicamente.
– Mantenha um peso adequado para a sua idade e estatura, limitando a ingestão de bebidas açucaradas e de alimentos ricos em açúcares de absorção rápida.
– Limite a ingestão de bebidas alcoólicas.
– Pratique um mínimo de 75 minutos de atividade física intensa ou 150 minutos de atividade física moderada por semana.
– Aumente a ingestão de alimentos ricos em fibra como cereais integrais, oleaginosas, leguminosas e ingira um mínimo diário de 5 porções de vegetais e fruta (equivalentes a 400g).

Referências: Global Cancer Observatory (http://gco.iarc.fr/), International Agency for Research on Cancer 2018. World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research.Continuous Update Project Expert Report 2018.Diet, nutrition and physical activity and stomach cancer. Available at dietandcancerreport.org. Crédito da imagem:Darko Djurin por Pixabay

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista (3684N), pós-graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa, frequenta o mestrado em Bioquímica Médica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em ati (...)