A prática do yoga no tratamento da depressão

Gregory Scott Brown é médico psiquiatra e publicou um estudo no Journal of Psychiatric Practice, recomendando a prática de yoga no tratamento da depressão, como uma terapia coadjuvante.

No estudo participaram trinta indivíduos, separados em dois grupos. O primeiro grupo recebeu uma prática guiada de três aulas de yoga de 90 minutos e quatro sessões individuais, em casa, por semana. O segundo grupo praticou, por semana, duas aulas de yoga de 90 minutos e três sessões individuais em casa. A duração do estudo foi de 12 semanas. Ambos os grupos apresentaram resultados promissores: aumento dos sentimentos de positividade, redução da ansiedade, melhoria do sono e diminuição dos sintomas depressivos.

Scott Brown pratica yoga desde a faculdade. No artigo publicado refere que todos os dias, no mínimo uma vez, foca a sua atenção na respiração, processo que lhe permite encontrar tempo para a quietude. Sobre a sua experiência como praticante de yoga, defende que o yoga vai muito para além da exigência física da sua prática, considerando que o yoga é sobretudo aprender a desvendar a ligação entre o corpo e a mente. A prática de yoga representa equilíbrio entre corpo e mente, que só é atingido quando o praticante percebe que o yoga vai muito para além da capacidade da realização de posturas complexas e de um eventual regozijo individual (ego). O yoga é a identificação com aquilo que se é, em plena aceitação de si e daquilo que pretende ser.

Os estudos sobre yoga e pranayama (as técnicas de respiração) indicam que esta prática pode ativar o sistema nervoso parassimpático, aumentar neurotransmissores inibitórios como o GABA, reduzir o cortisol salivar (um marcador de stress) e aumentar as ondas alfa do cérebro, produzindo estados de felicidade e relaxamento. Isto significa que a ciência apoia as diretrizes do yoga, ou seja, a sua prática potencia mudanças físicas positivas no corpo, mesmo ao nível neuro-químico.

O yoga como terapia suscita cada vez mais e maior interesse pela classe médica. Independentemente do estilo de yoga que se pratique, as bases da sua prática são sempre as mesmas: atenção à respiração, ao corpo e às alterações que se vão percebendo e que devem ser interpretadas não pelo ego, mas pela consciência de ser enquanto indivíduo. Todos os dias surgem novos estudos que “afirmam o yoga não apenas como terapêutico, mas como uma terapia na sua essência – um verdadeiro tratamento que oferece uma série de benefícios físicos e emocionais à saúde”, afirma Scott Brown.

Gregory Scott Brown diz ainda que, embora os mais críticos sugiram que esses estudos são apoiados num número muito pequeno de participantes, não permitindo uma amostragem que dite resultados conclusivos, de facto, existem formas de procurar e apoiar os benefícios do yoga. As evidências, necessárias para que qualquer tratamento se torne um padrão de validação, apoiadas em múltiplos estudos, sobre o mesmo tema e com pequenas amostragens, fornece esperança e uma importante opção para aqueles que sofrem de depressão, ou que lidam com pessoas com depressão.
À medida que se assiste a um crescente volume de pesquisas surge o renascimento do yoga como um “medicamento”, como algo cada vez mais consensual, garantindo o potencial da prática de yoga para catalisar a recuperação e a cura.

Alexandra Pereira

Alexandra Pereira, professora de yoga através da AIPYS-Asociación Internacional de Profesores de Yoga Sananda, Espanha 2000. Licenciada em Filosofia (FLUP 1988). Mestrado em Filosofia: “A filosofia do yoga: da prática a uma filosofia de vida” ( FLUP 2019) Exerce a sua actividade profissi (...)