Pandemia de COVID-19 e doentes oncológicos: precauções especiais

As pessoas com diagnóstico de cancro e os que se encontram em tratamento oncológico podem estar em maior risco se contraírem o vírus COVID-19,  bem como doentes mais idosos e doentes com doenças crónicas graves, tais como doença pulmonar, diabetes e doença cardíaca.

As regras para evitar o contágio são as mesmas para doentes oncológicos e não oncológicos: lavar bem as mãos e frequentemente; evitar tocar no rosto e evitar o contacto próximo com pessoas doentes. No entanto, para os doentes oncológicos que têm risco aumentado, há precauções especiais:

  1. Evite todas as viagens que não sejam absolutamente essenciais, enquanto o surto COVID-19 durar.
    A ordem é “ficar em casa”: não sair de casa para reduzir ao máximo todos os contactos sociais. E se necessitar sair, devem ser viagens breves e manter um perímetro de distância de 2 metros com outras pessoas.
  2. Crie uma lista de contactos de familiares, vizinhos, amigos que possam fornecer assistência, no caso de necessitar.
  3. Para continuar ligado e próximo com as suas relações habituais, planeie horários para chamadas por videoconferência com quem habitualmente interagia mais. Os smartphones permitem usar diferentes plataformas: Facetime, Messenger, Zoom, What’s-up, Instagram, Google hangouts. Nunca usou? Experimente!
  4. Durante este período, se estiverem programados tratamentos oncológicos, contacte o seu oncologista e informe-se sobre os riscos e benefícios de continuar ou adiar os tratamentos. Se não tem nenhum tratamento agendado mas tem uma consulta marcada com o seu oncologista, verifique se pode realizar a consulta através do sistema de telemedicina.
    Com uma consulta de telemedicina, pode ficar em casa e receber aconselhamento médico ou de outro membro da sua equipa de saúde através de videoconferência ou por telefone e serão dadas as instruções para que a consulta possa acontecer.
  5. Os exames oncológicos de rotina, como as mamografias, colonoscopias, entre outros,  podem ser adiados ​​para reduzir o risco de exposição ao vírus, se o seu oncologista entender que é mais seguro para si. Nesta altura, também pode ser adiado o início de tratamentos de quimioterapia e radioterapia. No entanto, o seu oncologista só tomara decisões deste tipo, depois de avaliar os riscos e benefícios da sua situação clínica, baseadas no seu diagnóstico de cancro e nos objetivos dos tratamentos. Converse com seu médico ou equipa de suporte sobre os riscos e benefícios de atrasar esses procedimentos.

Devido à pandemia do COVID-19 e ao aumento do risco de exposição ao vírus, a maioria dos hospitais e clínicas alterou a políticas de visitas aos doentes. Atualmente, não estão a ser permitidas visitas. Por isso, é importante que pense sobre alguns aspetos relacionados com a sua assistência médica e como gostaria de ser tratado no futuro. Coloque tudo por escrito. Por outras palavras, é uma lista de vontades e, em Portugal, denomina-se por “diretiva antecipada de vontade” ou testamento vital. É um documento onde o cidadão pode inscrever os cuidados de saúde que pretende ou não receber. Permite também a nomeação de um procurador de cuidados de saúde.

Faça uma reflexão pessoal e tome como exemplos estas questões: quais são  meus objetivos, os mais importantes, se minha situação de saúde piorar?; Se não estiver capaz de falar por mim, quem é a pessoa que eu gostaria que falasse por mim?; E quem não deve estar envolvido nesse processo de tomada de decisões?; Se meu coração parar, eu quero fazer ressuscitação cardiopulmonar?